《A Garçonete Que Ganhou o Respeito do Don》Capítulo 7

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Sofia entrou no carro antes que Antônio alcançasse a garagem. Travou a porta do passageiro e apontou para o banco do motorista.

— Perde tempo discutindo ou dirige.

Ele contornou o veículo, entrou e ligou o motor. Dois carros de segurança seguiram atrás; a inspetora Camila Nunes recebeu a localização durante o trajeto.

— A polícia chega em doze minutos — Antônio disse.

— Minha avó recebeu remédio às oito. Se interromperam o soro, temos menos.

— Menos quanto?

— Dirige.

O galpão tinha portão enferrujado e janelas altas cobertas de fuligem. Um caminhão bloqueava a entrada. Antônio estacionou na rua paralela.

— Você fica no carro até Camila chegar.

Sofia abriu a porta.

— Repete mais alto. Talvez o sequestrador obedeça.

Passaram por um buraco na grade. O trem atravessou a linha próxima, sacudindo vidros. Três badaladas vieram da igreja.

Uma voz feminina xingou alguém dentro do galpão.

— Essa é ela — Sofia sussurrou.

Antônio segurou seu pulso antes que avançasse.

— Pela lateral.

O contato durou até os dois alcançarem uma porta de metal. Sofia apontou para uma janela baixa. Antônio entrelaçou as mãos para servir de apoio; ela pisou nelas e subiu.

Lá dentro, Dona Cida estava numa maca, presa por uma faixa. Marco segurava uma seringa junto ao acesso venoso. Um homem mascarado observava a porta principal.

Sofia entrou pela janela e caiu atrás de caixas. Antônio veio logo depois.

— Eu sei que você está aí — Marco gritou. — Sempre respira como se estivesse correndo.

Dona Cida virou o rosto.

— Sofia, se esse homem disser que eu cooperei, é mentira. Mordi ele duas vezes.

Marco empurrou o êmbolo da seringa no equipo.

Sofia correu. O homem mascarado tentou segurá-la; Antônio o atingiu no peito e os dois caíram contra as caixas.

— Fecha a pinça! — Sofia gritou para a avó.

Dona Cida procurou o tubo com dedos lentos. Marco afastou a mão dela. Sofia bateu no braço dele, alcançou a linha e fechou a pinça acima do ponto de injeção.

— Você acabou de contaminar tudo — Marco disse.

— Eu acabei de impedir que chegasse nela.

Ele puxou Sofia pelo cabelo. Dona Cida ergueu a bolsa de soro e acertou o rosto dele. Marco soltou um palavrão; Sofia retirou a linha, comprimiu o acesso e abriu uma nova embalagem do carrinho.

Antônio imobilizou o homem mascarado. Sirenes ecoaram do lado de fora. Marco correu para o fundo, onde Camila entrou com arma apontada.

— No chão! Mãos onde eu vejo!

— Sabe quem paga este prédio? — Marco perguntou.

— Hoje, o contribuinte paga meu salário. Deita.

Ela o algemou. Sofia instalou solução limpa, conferiu pupilas, pulso e respiração da avó.

— Você demorou — Dona Cida disse.

— Peguei trânsito.

— Arrumou um homem bonito no caminho?

Sofia olhou para Antônio. A camisa dele tinha rasgado no ombro; sangue aparecia nos nós dos dedos.

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— Arrumei problema.

— Bonito também.

Camila recolheu uma pasta escondida sob a maca. Havia recibos, extratos, compras de medicamentos e pagamentos de empresas de Enzo a Marco.

No fundo do galpão, outro agente encontrou caixas com prontuários de Maria e fotografias de Sofia saindo do trabalho, entrando no metrô e visitando a avó. Uma imagem mostrava Antônio diante do prédio dela na noite da ameaça.

— Estudaram vocês por semanas — Camila disse.

Sofia virou as fotos sem tocar nas bordas. Em uma delas, Dona Cida aparecia na janela da clínica. A data era anterior ao jantar no Bellarosa.

— Eu ainda nem conhecia Maria.

Antônio examinou a anotação no verso: "Possível substituta".

— Procuravam alguém para culpar — disse.

Marco riu do chão.

— Garçonete endividada, curso abandonado, parente doente. Você servia melhor que qualquer atriz.

Sofia caminhou até ele. Ajoelhou-se apenas o suficiente para ficar na altura de seus olhos.

— Você me escolheu por achar que ninguém escutaria.

— E escutaram por causa dele.

Ela apontou para a avó sendo atendida.

— Ela me escuta desde o dia em que nasci. Já era gente suficiente.

Antônio ficou a um passo, sem intervir. Quando Sofia se levantou, ele ofereceu a mão. Ela aceitou e a soltou só depois de recuperar o equilíbrio.

Na ambulância, Dona Cida exigiu que Sofia parasse de conferir seu pulso a cada minuto. Puxou a neta para perto pelo colarinho.

— Você beijou o homem?

— Quase deixou matarem a senhora e quer fofoca?

— Estou viva. Posso organizar prioridades.

Sofia olhou pela janela traseira. Antônio seguia no carro logo atrás.

— Beijei.

— Ele beijou direito?

— Vó.

— Pergunta clínica.

Dona Cida fechou os olhos, ainda segurando dois dedos da neta. Sofia manteve a mão ali até chegarem ao hospital. Quando a maca desceu, Antônio já esperava na calçada. Ele tocou a cintura dela para ajudar; Sofia não se afastou.

— Depois — ela disse.

— Depois — ele repetiu.

— Isso dá conversa longa — ela disse.

Marco cuspiu no chão.

— Dá nulidade. Entraram sem mandado.

— O socorro em flagrante veio primeiro. A papelada veio depois que vi uma seringa na mão de você.

Do lado de fora, os paramédicos levaram Dona Cida. Sofia acompanhou a maca até a ambulância, mas as pernas cederam junto ao degrau.

Antônio a segurou pela cintura. Ela apoiou as mãos no peito dele.

— Estou bem.

— Você diz isso caída.

— Tecnicamente, estou apoiada.

Ele segurou o rosto dela entre as mãos. Os polegares afastaram fios presos à testa.

— Eu vi aquela seringa entrar no tubo.

Sofia puxou Antônio pela lapela e beijou-o. A boca dele ficou imóvel por uma fração curta; depois respondeu, uma mão na nuca, outra firme na cintura.

A sirene da ambulância ligou. Sofia se afastou primeiro.

— Minha avó.

— Vai.

Bianca chegou antes que a ambulância saísse. Desceu de um sedã preto, carregando uma ordem judicial.

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Camila leu o documento e fechou a mandíbula.

— De onde tirou isso?

— Plantão judiciário. A propriedade pertence a terceiro e a busca excedeu o socorro.

— Ele estava injetando uma substância numa idosa.

— E será investigado. A prisão preventiva exige cadeia de custódia que vocês destruíram ao retirar documentos de uma sala fora do flagrante.

Marco sorriu dentro da viatura.

Bianca entregou a ordem a Camila.

— A prova de vocês foi obtida durante uma invasão.

No hospital, Helena analisou a linha contaminada. Havia sedativo suficiente para derrubar Dona Cida e simular erro da clínica. Camila mostrou o laudo a Marco; ele pediu advogado e parou de sorrir.

Sofia limpou o sangue da mão da avó e refez sua trança.

— Eu devia ter percebido antes.

— Percebeu quando dava pra agir. Fez o resto também.

Antônio deixou uma cadeira vazia. Dona Cida apontou para o assento mais próximo.

— Depois do beijo, distância de velório fica ridícula.

Ele sentou. O joelho de Sofia encostou no dele e permaneceu ali. Camila anunciou que Enzo convocara uma coletiva para acusar Antônio de fabricar provas. O conflito ocuparia os jornais naquela manhã.

Camila pediu proteção para Dona Cida. Dois agentes ficaram no corredor, e Sofia só saiu depois de conferir os nomes nos crachás e telefonar para a delegacia.

Antônio acompanhou-a até a área externa. O amanhecer clareava os galpões da Mooca.

— Você entrou sem esperar a polícia — ele disse.

— Minha avó estava com uma agulha no braço.

— Eu faria o mesmo.

— Fez. Entrou atrás de mim.

Ele limpou o sangue dos nós dos dedos.

— Passei a vida entrando primeiro. Hoje você nem olhou pra trás.

Sofia segurou a mão dele e examinou o corte.

— Vai precisar de ponto.

— Você também precisa descansar.

— Um de cada vez.

Ela enfaixou os dedos com gaze da ambulância. Antônio observou o nó e encostou a boca na testa dela, breve, antes de perguntar se podia. Sofia já havia fechado os olhos.

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