《A Esposa Rejeitada é a Chefe da Máfia》Capítulo 10

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O sol da noite recém-caída derramava uma luz âmbar e fria através dos altos vitrais blindados da Mansão Moretti, no Morumbi.

A atmosfera outrora opressiva e intimidadora daquele reduto da máfia havia sofrido uma metamorfose absoluta e irreversível.

Não havia mais guardas armados vigiando os corredores com olhares de ameaça, nem capangas de plantão prontos para executar ordens de sangue.

Agora, o silêncio daquela imensa residência era pontuado apenas pelo som compassado de passos cuidadosos e pelo murmúrio de uma humilhação voluntária.

No quarto principal, que antes pertencia exclusivamente ao temido Don da máfia paulistana, o cenário desafiava qualquer lógica do submundo.

Matteo Moretti, o homem cujos caprichos faziam governadores e cartéis tremerem em desespero, estava ajoelhado sobre o carpete felpudo de veludo persa.

Ele vestia uma camisa social amassada, com os primeiros botões abertos e os punhos desabotoados, exibindo uma postura de rendição que beirava o desespero patético.

Sentada na poltrona estofada de couro branco, Helena cruzava as pernas com extrema elegância, folheando casualmente um caderno de caligrafia com uma expressão entediada.

À frente dela, espalhadas sobre uma mesinha de centro de mogno, repousavam pilhas e pilhas de documentos legais com assinaturas autenticadas em cartório.

Eram as escrituras de transferência integral de todos os ativos, contas offshore, portos clandestinos e participações acionárias da família Moretti para o nome dela.

Ao lado dos papéis de transferência, brilhava o imponente cetro de comando em ouro maciço e esmeraldas, o símbolo máximo da soberania da máfia que Matteo abandonara voluntariamente.

"Você já terminou de redigir a centésima página das regras de convivência doméstica, Matteo?", perguntou Helena, sem sequer erguer os olhos das folhas que examinava.

O poderoso chefão engoliu em seco, sentindo o nó na garganta enquanto erguia os olhos cinzentos, agora marejados de uma súplica genuína e humilde.

Ele esticou os braços trêmulos, tateando a barra da saia de Helena com a ponta dos dedos como um cãozinho perdido implorando por migalhas de afeto.

"Sim, meu amor... eu copiei cada uma das cem cláusulas do manual de boas maneiras que você me impôs", gaguejou Matteo, com a voz embargada e rouca de puro choro contido. "Até aquela regra absurda de que eu não posso respirar alto enquanto você estiver lendo os relatórios da bolsa."

Helena finalmente desviou o olhar dos papéis, encarando o marido com um misto de diversão sarcástica e frieza implacável.

"E você se lembra da cláusula número doze, Matteo?", inquiriu Helena, arqueando levemente a sobrancelha com um sorriso irônico nos lábios. "Aquela que fala sobre o que acontece se você voltar a levantar o tom de voz ou tentar me trancar em qualquer lugar?"

Matteo balançou a cabeça freneticamente, com o rosto pálido e as lágrimas finalmente escapando por seus olhos, traçando sulcos em sua bochecha.

"Sim! Eu me lembro perfeitamente!", choramingou Matteo, apertando a barra do vestido dela com mais força, completamente desprovido de qualquer resquício de orgulho machista. "Você me proíbe de chegar perto da mesa de jantar principal por um mês inteiro e me obriga a dormir no sofá da biblioteca se eu ousar discordar de uma única palavra sua!"

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Para qualquer um de seus antigos subordinados que estivesse assistindo àquela cena, a visão do implacável Don Moretti reduzido a um estado de submissão tão profunda causaria um ataque cardíaco fulminante.

O homem que controlava o fluxo de dinheiro sujo e o mercado imobiliário de São Paulo estava, literalmente, de joelhos, suplicando pelo perdão de sua esposa como se sua vida dependesse disso.

"Você passou semanas inteiras me chamando de lixo inútil, me tratando como um trapo e ameaçando me mandar para o buraco", lembrou Helena, com uma voz aveludada, mansa e cortante como uma lâmina de barbear. "E agora chora porque percebeu que o buraco em que você se meteu foi cavado pelas suas próprias mãos arrogantes."

Matteo enterrou o rosto nos joelhos de Helena, soluçando baixinho enquanto aceitava a própria ruína com uma devoção quase doentia.

"Eu fui um imbecil cego, Helena! Um idiota completo!", confessou Matteo, beirando a histeria enquanto implorava pela clemência da esposa. "Eu não sabia que a mulher que eu tinha em casa era a soberana de todo o mercado global e da Mamba Negra! Por favor... por tudo o que é mais sagrado, não me abandone, não peça o divórcio e não me olhe com essa indiferença."

Helena estendeu a mão enluvada, segurando o queixo de Matteo com firmeza e forçando-o a erguer o rosto para encará-la diretamente nos olhos.

"Levante-se desse chão agora mesmo, Matteo", ordenou Helena, com um tom de comando absoluto que não admitia contestação. "Eu odeio homens fracos, mas odeio ainda mais chorões patéticos no meu carpete."

Matteo obedeceu no mesmo segundo, limpando as lágrimas rapidamente com a manga da camisa e ajeitando a postura, embora continuasse a encará-la com uma mistura de adoração e pavor.

Ele pegou a caneta de ouro e assinou a última página das transferências de bens, entregando a chave-mestra do cofre central da máfia diretamente na palma da mão dela.

"Tudo é seu, Helena... absolutamente tudo o que eu construí com sangue e fogo agora pertence à minha rainha", sussurrou Matteo, curvando a cabeça em sinal de submissão perpétua.

Helena guardou os documentos na pasta executiva com movimentos lentos e metódicos, sentindo a satisfação de ver o tabuleiro inteiro perfeitamente alinhado sob o seu controle.

No entanto, bem no momento em que ela se levantava da poltrona para encerrar a lição de moral da noite, o interfone blindado do quarto tocou com um bipe agudo e insistente.

O mordomo-chefe, que agora respondía diretamente às ordens estritas de Helena, atendeu a chamada do portão principal com uma voz visivelmente tensa.

"Com licença, Senhora Moretti", anunciou o mordomo através do alto-falante, soando incomodado. "Há uma comitiva internacional de emissários europeus esperando na entrada da mansão com escolta diplomática."

Helena parou com a pasta na mão, franzindo a testa em uma expressão de dúvida calculada enquanto trocava um olhar rápido com Matteo.

O ex-chefão da máfia franziu o cenho, tentando entender qual facção internacional teria a ousadia de aparecer em sua casa a essa hora da noite sem autorização prévia.

"Emissários de quem?", perguntou Helena, caminhando calmamente até o painel de segurança para visualizar as câmeras externas do perímetro.

Na tela de alta definição, dezenas de homens de terno cinza-chumbo e distintivos diplomáticos suíços aguardavam em silêncio sob a chuva fina, liderados por uma figura enigmática que abria um envelope dourado.

As imagens da câmera de segurança revelaram o brasão oficial gravado no lacre do envelope, fazendo com que o sangue de Helena gelasse por uma fração de segundo.

Era o selo secreto do Conselho Supremo Global, a organização intocável que controlava os segredos mais profundos dos governos do primeiro mundo e que ela julgava ter cortado relações anos antes.

Matteo aproximou-se da tela, arregalando os olhos ao notar a tensão repentina no rosto da mulher que acabara de humilhá-lo e dominar todo o seu império.

"Quem são eles, Helena?", perguntou Matteo, sentindo um calafrio na espinha ao perceber que nem mesmo a temida Mamba Negra parecia blindada contra aquela nova visita inesperada.

Helena fechou os olhos por um segundo, respirando fundo antes de abrir um sorriso perigoso e fascinante, compreendendo que o jogo real de sua vida mal havia começado.

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