O som pesado das botas táticas ecoava pelas paredes úmidas do galpão abandonado no Caju, transformando o antigo covil de criminosos em uma verdadeira zona de execução sob o comando absoluto de Helena.
Renato, o outrora intocável e sanguinário chefe da contravenção carioca, gemia de dor no chão de cimento batido, com o braço violentamente torcido para trás pela força mecânica e implacável daquela que ele havia tentado torturar minutos antes.
Com um movimento frio e desprovido de qualquer resquício de piedade, Helena desferiu um pisão certeiro e firme com a sola da bota diretamente sobre a bochecha do mafioso, esmagando a arrogância que ele ostentava momentos antes.
"A sua jurisdição sobre o Rio de Janeiro acabou, Renato", declarou Helena, com uma voz cortante como vidro triturado que silenciou os capangas amarrados ao redor. "Diga aos seus chefes na cúpula que o subgrupamento da Mamba Negra vai assumir cada porto e cada rota de contrabando a partir de hoje."
Ajoelhado a poucos metros de distância, com os pulsos ainda marcados pelo aço rompido e a mente em total estado de colapso cognitivo, Matteo Moretti encarava a cena sem conseguir emitir um único som coerente.
O poderoso chefão da máfia de São Paulo, o homem que fazia os tribunais e os cartéis tremerem com um mero estalar de dedos, sentiu o próprio mundo desmoronar e perder todo o sentido lógico.
A mulher que ele rotulara de frágil, inútil e boneca de fachada durante todo o casamento era, na mais pura e aterrorizante realidade, a soberana incontestável da organização paramilitar mais letal do continente americano.
"Você... quem diabos é você de verdade, Helena?", gaguejou Matteo, com a voz trêmula e os olhos cinzentos arregalados de pavor, olhando para a esposa como se ela fosse um fantasma divino. "Como... como a herdeira falida dos Albuquerque controla o exército mais perigoso do submundo?"
Helena virou o rosto lentamente, lançando sobre o marido um olhar gélido, distante e repleto de uma soberania que fez o coração de Matteo disparar descontroladamente no peito.
Ela caminhou com passos pausados e elegantes na direção dele, parando bem na sua frente antes de se abaixar levemente para fitá-lo olho a olho sem pressa.
"Você passou dias inteiros me subestimando, Matteo, achando que o meu silêncio era fraqueza e que o meu sobrenome definia o meu alcance", sussurrou Helena, a poucos centímetros dos lábios dele, com um sorriso irônico e cortante. "Você comprou uma fachada, mas acabou comprando a sua própria sentença de submissão."
O comandante da Mamba Negra aproximou-se rapidamente, estendendo um tablet tático blindado com as atualizações em tempo real das operações de limpeza que ocorriam simultaneamente em São Paulo.
"Boss, as células de inteligência já neutralizaram os traidores infiltrados na cúpula de Matteo em São Paulo, e os ativos financeiros do clã rival foram completamente confiscados", informou o oficial com rigor militar. "O território está totalmente limpo."
Helena assentiu com um gesto breve, aceitando o relatório digital enquanto mantinha Matteo trancado em uma redoma de ansiedade e choque absoluto.
Ela levantou-se com graça soberana, dando as costas aos destroços do galpão carioca e caminhando em direção à saída onde um helicóptero aguardava com as turbinas roncando alto.
Antes de subir na aeronave de combate, Helena olhou de soslayo para o marido paralisado e lançou a ordem final que o deixaria sem dormir por dias:
"Levante-se desse chão, Moretti, e volte para São Paulo no seu próprio jato", ordenou Helena, com um tom de comando inegociável. "Quando chegarmos à mansão, teremos uma longa e detalhada conversa sobre quem manda nesta família."
O helicóptero decolou verticalmente em meio a uma ventania ensurdecedora, deixando Matteo sozinho no meio dos escombros, cercado por mercenários silenciosos que o encaravam com desdém.
Horas mais tarde, após um voo de pânico solitário de volta à capital paulista, o blindado de Matteo entrou pelos portões da imponente Mansão Moretti no Morumbi sob uma chuva torrencial que voltara a castigar a cidade.
Assim que ele empurrou a porta principal da residência, esperando encontrar algum refúgio para tentar juntar os cacos de sua dignidade estilhaçada, um silêncio sepulcral e gélido o recebeu no saguão escuro.
Não havia empregados correndo para servi-lo, nem o mordomo de plantão para pegar seu casaco encharcado de água da chuva.
No topo da escadaria de mármore branco, banhada pela luz fria de um lustre de cristal, Helena o aguardava sentada em uma poltrona de veludo escuro, cruzando as pernas e girando uma taça de vinho tinto entre os dedos.
Matteo subiu os degraus devagar, com as pernas pesadas e o orgulho esmagado, sentindo-se como um prisioneiro prestes a ouvir o veredito final de sua execução iminente.
Quando ele parou a dois passos dela, esperando qualquer indício de misericórdia ou pelo menos uma explicação detalhada sobre o império oculto da esposa, Helena tomou um gole lento da bebida e apontou o dedo indicador para a porta dos fundos.
"A partir de hoje, o seu lugar de comando acabou, Matteo, e as regras da nossa convivência vão mudar radicalmente de figura", sentenciou Helena, com um sorriso de predadora nos lábios.
"Mas antes de discutirmos o futuro da holding, a campainha acabou de tocar lá embaixo e acho que você vai adorar ver quem veio nos fazer uma visita de última hora."