《A Esposa Rejeitada é a Chefe da Máfia》Capítulo 4

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O relógio da imponente Torre Moretti marcava exatamente nove horas da manhã de segunda-feira, mas o clima no 45º andar parecia o de um funeral iminente.

O ar-condicionado central falhava em dissipar o suor frio que brotava na testa dos executivos mais seniores da holding, todos reunidos às pressas na sala de reuniões executiva.

Afastado da janela de vidro fosco que dava vista para a cinzenta e caótica Avenida Paulista, o diretor financeiro respirava com dificuldade, encarando a tela do terminal corporativo com os olhos esbugalhados.

Matteo Moretti entrou na sala com passos pesados e decididos, vestindo um terno azul-marinho sob medida que exalava a autoridade incontestável de um chefão da máfia e CEO intocável.

Ele cruzou os braços com imponência, ignorando a palidez generalizada dos subordinados, e jogou a pasta de couro sobre a mesa de mogno maciço com um baque seco.

"Espero que o motivo desta convocação de emergência seja minimamente lucrativo para o grupo", sibilou Matteo, com a voz gélida e cortante cortando o silêncio tenso. "Tenho mais o que fazer do que apagar incêndios causados pela incompetência de vocês em plena segunda-feira."

O diretor financeiro engoliu em seco, levantando-se devagar com um tablet trêmulo nas mãos antes de encarar o olhar mortal do patrão.

"Senhor Moretti... nós temos um problema gravíssimo", gaguejou o executivo, com a voz falhando miseravelmente diante da fúria contida nos olhos cinzentos de Matteo. "Nas últimas duas horas, os nossos sistemas de liquidez sofreram um ataque coordenado de proporções astronômicas e absolutamente sem precedentes."

Matteo franziu a testa, dando dois passos curtos para mais perto da mesa, sentindo um calafrio inexplicável percorrer sua espinha.

"Que tipo de ataque?", exigiu Matteo, estreitando os olhos com perigo. "Nenhum fundo de investimento na América Latina tem capital suficiente para abalar a estrutura financeira da holding Moretti sem a minha autorização expressa."

"Esse é o ponto mais aterrorizante, Don Moretti", respondeu o diretor, deslizando o tablet trêmulo pela mesa. "Não foi um fundo comum. Três dos principais bancos parceiros que sustentam a nossa rota de expansão internacional simplesmente congelaram todas as nossas linhas de crédito simultaneamente."

O silêncio na sala tornou-se ensurdecedor, quebrado apenas pelo zumbido distante do tráfego da Avenida Paulista lá embaixo.

Matteo pegou o aparelho com força, os nós dos seus dedos ficando brancos enquanto ele lia os relatórios de transações bloqueadas e os alertas vermelhos de déficit de caixa.

"Cem milhões de reais evaporaram das nossas contas de garantia em menos de dez minutos", continuou o executivo, quase chorando de desespero. "E para piorar, o fundo misterioso que está por trás dessa manobra hostil comprou em sigilo a maioria flutuante das nossas ações preferenciais na Bolsa de Valores de São Paulo."

Um rugido de pura fúria escapou da garganta de Matteo, que desferiu um murro estrondoso contra a mesa de mogno, estilhaçando o copo de água ao lado.

"Quem ousa fazer isso?! Descubra o nome do fundo agora mesmo!", berrou Matteo, perdendo a compostura pela primeira vez em anos de dominação absoluta no submundo e nos negócios. "Quem tem tanto dinheiro e poder a ponto de encurralar a minha holding em dez minutos?!"

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O diretor financeiro abaixou a cabeça, encarando a própria pasta com pavor absoluto antes de pronunciar as palavras que destruíram o resto de paz que restaba na sala.

"Os analistas rastrearam a origem offshore do capital... o fundo controlador responde apenas a uma única entidade oculta e intocável no mercado global", sussurrou o subordinado, tremendo dos pés à cabeça. "O codinome registrado na matriz é Vênus."

O nome ecoou na sala de reuniões como uma sentença de morte, deixando Matteo petrificado por alguns segundos antes de o sangue ferver em suas veias de ódio e incredulidade.

Vênus era a lenda viva do mercado financeiro internacional, a mente brilhante e impiedosa que comprava e destruía impérios inteiros sem nunca ter aparecido em público ou dado uma única entrevista.

"Isso é impossível!", rugiu Matteo, caminhando de um lado para o outro como um predador enjaulado. "Ninguém derruba a família Moretti! Se essa tal de Vênus quer guerra financeira, nós vamos esmagar esses fundos de fachada até não sobrar nada!"

No canto mais afastado da mesa, o conselheiro jurídico e首席幕僚 Lucas Silveira manteve os braços cruzados, observando o desespero do patrão com uma expressão perfeitamente neutra.

Por dentro, Lucas continha um sorriso irônico, sabendo perfeitamente que o verdadeiro cérebro por trás daquela avalanche financeira estava, naquele exato momento, sentado tranquilamente na mansão do Morumbi.

"Senhor, a situação é crítica demais para negarmos a realidade com orgulho cego", ponderou Lucas, com um tom de voz calmo e deliberadamente estratégico. "Se não tivermos uma injeção de capital imediata ou se a dona desse fundo não aceitar negociar, a falência da holding será decretada antes do fechamento da bolsa hoje."

Matteo parou de andar abruptamente, respirando fundo enquanto o suor frio escorregava por sua nuca.

Ele sabia que Lucas estava certo; o império construído com sangue e contratos na base da força bruta estava ruindo por causa de uma única linha de código disparada por uma força invisível.

"Abaixo o orgulho", murmurou Matteo entre dentes, com o maxilar travado em uma tensão insuportável. "Faça o impensável. Quero que você entre em contato com os representantes legais de Vênus imediatamente."

Lucas ajeitou os óculos, mantendo a serenidade profissional enquanto anotava o pedido do chefe.

"O que devo dizer a eles, senhor?", perguntou Lucas, disfarçando o brilho de expectativa nos olhos.

Matteo cerrou os punhos com tanta força que as juntas ficaram completamente brancas, sentindo o peso humilhante da derrota iminente esmagar sua arrogância.

"Diga que o Don Matteo Moretti exige uma audiência urgente com a alta diretoria de Vênus", ordenou Matteo, com a voz carregada de um ódio impotente. "Aonde quer que essa pessoa esteja... eu irei pessoalmente me ajoelhar e implorar por trégua esta tarde."

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