《A Esposa Rejeitada é a Chefe da Máfia》Capítulo 3

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O sol da manhã seguinte irrompeu por entre as cortinas rasgadas do quartinho dos fundos, mas Helena já estava de pé muito antes disso, com o plano financeiro contra o império de Matteo perfeitamente alinhado com Lucas.

Vestindo um casaco de lã cinza de corte simples e discreto para passar totalmente despercebida pela segurança da mansão, ela aproveitou a saída matinal dos veículos de mantimentos para deixar o Morumbi rumo à zona nobre da cidade.

O destino era a famosa e exclusiva Rua Oscar Freire, nos Jardins, onde a elite de São Paulo desfilava suas fortunas e onde ela pretendia resolver algumas pendências logísticas discretas longe dos olhares da máfia.

No entanto, o destino — ou melhor, a pura maldade da sua meia-irmã — decidiu cruzar o seu caminho da forma mais barulhenta e irritante possível.

Sentada na varanda de um café de alto padrão com mesas na calçada, Isabella Albuquerque saboreava um espresso gourmet ao lado de sua fiel e inseparável sombra, a socialite Camila D'Ávila.

Assim que os olhos afiados de Isabella avistaram a silhueta de Helena passando em frente à joalheria de luxo mais cara da quadra, um sorriso venenoso e cortante brotou em seus lábios pintados de vermelho.

"Olha só quem está ali, Camila", sibilou Isabella, cutucando o braço da amiga com uma unha postiça perfeitamente esculpida e dando uma risada abafada. "A gata borralheira de casaco cinza achou que podia escapar do porão do Don Moretti e pisar na nossa rua como se fosse dona de alguma coisa."

Camila ajustou os óculos de sol de grife, virando o rosto para encarar Helena com uma expressão de puro desdém e superioridade cultivada em clubes privativos.

"Nossa, Isabella, ela tem coragem de sair na Oscar Freire com essa roupa que parece ter saído de um brechó de periferia", zombou Camila, soltando uma gargalhada estridente que chamou a atenção de outros clientes ricos. "O marido dela deve estar trancando ela lá o dia todo para ninguém ver a vergonha que ele levou para casa."

Incomodadas com a presença incômoda da rival, as duas se levantaram rapidamente e interceptaram o caminho de Helena bem na entrada da boutique de alta-costura italiana.

Isabella cruzou os braços, estufando o peito adornado com colares de diamantes legítimos que Matteo havia dado de presente à família no dia do noivado.

"Ora, ora, veja só se não é a minha querida irmã mais velha", ironizou Isabella, bloqueando a porta da loja com um passo agressivo e desfilando sua arrogância. "Veio catar latinha na zona sul e se perdeu no caminho para os Jardins, Helena? Ou o seu querido marido te deu permissão para vir cheirar as vitrines que nunca vai poder tocar?"

Helena parou calmamente, ajeitando a gola do casaco com total serenidade, olhando para a meia-irmã como quem observa um inseto irritante.

"Estou apenas respirando um pouco de ar fresco, Isabella", respondeu Helena com uma voz suave e mansa, mantendo a fachada de fragilidade que tanto agradava às inimigas. "Não sabia que a calçada pertencia exclusivamente aos seus delírios de grandeza."

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Camila deu um passo à frente, rindo cinicamente e apontando o dedo com desprezo para a bolsa de mão de Helena.

"Deixa de ser cínica, garota", interveio Camila, querendo puxar o saco de Isabella. "Olha para você! Essa bolsa de couro sintético desbotada dá pena. Se enxergue! A Isabella desfila de joias italianas de dezenas de milhares de reais, enquanto você usa trapos que nem a nossa empregada aceitaria vestir."

Isabella balançou o pulso reluzente sob o sol, exibindo as pedras preciosas com um sorriso de escárnio deliberado.

"Essas joias exclusivas foram o próprio Matteo quem me enviou antes de se casar por obrigação com você", gabou-se Isabella, destilando veneno com satisfação pura. "Ele mesmo me disse que você não passa de um trapo inútil, um objeto de fachada que ele vai descartar assim que a tinta do contrato secar. Tenha um pingo de vergonha na cara e dê o fora daqui antes que eu chame os seguranças para te arrastarem pelo cabelo."

A confusão atraiu a atenção do gerente da loja, um homem pomposo de terno impecável que se aproximou rapidamente para apaziguar a suposta perturbação na porta.

"Acontece algum problema por aqui, senhoritas?", perguntou o gerente, olhando para Helena com uma careta de repugnância ao notar suas vestes simples. "Se a senhora não tem intenção de comprar nada nesta grife internacional, peço que se retire para não incomodar a clientela ilustre."

Isabella cruzou os braços, sentindo-se a rainha do mundo ao ver o gerente tomar partido dela de forma tão óbvia.

"Isso mesmo, mande essa intrusa embora agora mesmo", ordenou Isabella, apontando para Helena com empáfia. "Pessoas como ela mancham o piso de mármore importado desta loja."

Helena suspirou levemente, passando os dedos pelos botões do casaco sem demonstrar um pingo de nervosismo ou raiva.

"Vocês realmente adoram falar demais antes de checar os fatos", murmurou Helena, com um tom de voz gélido que fez o gerente estremecer por um segundo inexplicável.

Ela abriu a bolsa com gestos lentos e precisos, retirando de lá um cartão metálico pesado, feito de titânio negro puro com detalhes em ouro sólido, sem nome de banco impresso, mas com um chip criptografado de emissão restrita global.

"Mostre este cartão para a matriz internacional do seu grupo corporativo", disse Helena, estendendo o cartão preto diretamente para o gerente estupefato. "E depois me diga se eu tenho permissão para entrar."

O gerente pegou o cartão com os dedos trêmulos, correu até o terminal de pagamento blindado no balcão e passou a tarja magnética com um temor crescente.

Assim que a tela do sistema central de alta segurança exibiu a autorização com o selo de acesso ilimitado e o saldo infinito vinculado à holding controladora da própria grife, o gerente caiu de joelhos, com o rosto pálido como cera.

"Perdão... mil perdões, altíssima acionista majoritária", gaguejou o gerente, suando frio e tremendo da cabeça aos pés diante da revelação. "A loja inteira, o estoque e o prédio pertencem à senhora... por favor, ordene o que quiser!"

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Isabella e Camila travaram no mesmo instante, com os sorrisos congelados e os olhos arregalados de pavor e pânico.

"O quê?! Isso é impossível!", gritou Isabella, perdendo a compostura completamente e apontando o dedo trêmulo para Helena. "Como uma pobretão dessas tem um cartão assim?! É falsificação!"

Helena virou-se lentamente, tirou os óculos escuros e fitou a meia-irmã com um olhar cortante que silenciou a rua inteira.

"Eu não compro apenas roupas, Isabella", declarou Helena, com uma voz baixa, soberana e cortante como uma lâmina. "Eu compro a loja inteira para ter o prazer de expulsar lixos tagarelas de dentro dela."

O gerente, obedecendo cegamente à verdadeira patroa, chamou os seguranças particulares da grife com um gesto firme e autoritário.

"Segurança, retirem imediatamente essas duas intrusas da minha propriedade", ordenou o gerente, apontando diretamente para Isabella e Camila, que berravam de humilhação. "E banhem o nome delas de todas as nossas filiais no mundo!"

Sob os olhares chocados e as risadas abafadas dos pedestres ricos que assistiam ao espetáculo na Oscar Freire, Isabella e Camila foram literalmente postas para fora da loja, com as bochechas vermelhas de vergonha e os saltos altos tropeçando na calçada.

Helena deu as costas para o alvoroço, ajeitando o casaco com total elegância enquanto o gerente lhe servia uma taça de champagne vintage no interior da boutique agora totalmente vazia e exclusiva para ela.

No entanto, bem no momento em que ela erguia a taça para brindar à própria vitória silenciosa, o seu celular criptografado vibrou de forma insistente no bolso interno.

O visor acendeu-se com uma luz de alerta vermelha, exibindo uma mensagem direta e encriptada enviada por Lucas Silveira através da linha segura.

As palavras na tela fizeram o sorriso de Helena congelar instantaneamente, transformando sua expressão em uma máscara de pura tensão:

"Boss, o Renato, do Rio de Janeiro, começou a se agitar. Ele uniu forças com um traidor de dentro da cúpula de Matteo e está preparando um ataque direto para destruir o Don... e a senhora é o alvo principal."

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