《A Esposa Rejeitada é a Chefe da Máfia》Capítulo 1

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São Paulo chorava em uma tempestade implacável naquela noite de sexta-feira, mas o barulho da chuva forte contra os vitrais da imponente Catedral da Sé parecia apenas um eco abafado diante da frieza que congelava o altar principal.

A alta sociedade paulistana estava reunida não por celebração, mas por puro interesse, curiosidade mórbida e alívio por não estar no lugar da noiva.

Na antessala da sacristia, o ar estava rarefeito, pesado com o cheiro de lírios caros e o perfume adocicado que a madrasta de Helena usava em excesso para disfarçar a própria amargura.

Helena Albuquerque encarava o próprio reflexo no espelho veneziano emoldurado em ouro envelhecido, ajustando com dedos perfeitamente firmes o tecido pesado do vestido de noiva.

Atrás dela, Heloísa Albuquerque cruzava os braços com um desprezo tão visceral que parecia palpável, enquanto o patriarca Sérgio Albuquerque ajeitava a gravata com impaciência visível.

"Apresse-se, Helena", sibilou Heloísa, com os olhos estreitados de ódio contido. "Você já demorou demais para uma bastarda que mal merecia usar branco, e o Don Matteo Moretti não é um homem conhecido por ter paciência com atrasos de última hora."

Sérgio limpou a garganta, evitando encarar os olhos escuros e calmos da filha ilegítima que ele havia mantido na sombra durante toda a vida.

"Sua irmã Isabella deveria estar no seu lugar, mas graças aos céus — ou melhor, graças à nossa astúcia financeira —, você serve perfeitamente para pagar as dívidas que o nosso sobrenome acumulou", disse Sérgio, com uma frieza de quem negociava gado. "Lembre-se de abaixar a cabeça, obedecer em silêncio e nunca manchar o nome dos Moretti com sua incompetência."

Helena virou-se lentamente para eles, permitindo que uma expressão de fragilidade trêmula e submissão fingida pintasse seu rosto, exatamente o que esperavam ver.

Por dentro, contudo, sua mente calculava friamente cada centavo que a família devia e cada segundo que faltava para que a farsa desabasse.

"Sim, meu pai", respondeu Helena com uma voz deliberadamente frágil e mansa. "Vou cumprir o meu dever."

A portas pesadas da catedral se abriram com um estrondo abafado, revelando o tapete vermelho que se estendia até o altar onde o homem mais perigoso de São Paulo aguardava de terno impecável e expressão mortal.

Helena caminhou devagar, fingindo hesitar a cada passo, enquanto os cochichos maldosos dos convidados ricos ecoavam sob as abóbadas seculares da igreja.

Na primeira fila, a bela e mimada Isabella Albuquerque sorria abertamente, braço dado com o herdeiro Rodrigo Sampaio, o jovem playboy que um dia já havia zombado da ideia de olhar para Helena.

"Olha só para ela, Rodrigo", sussurrou Isabella, encostando-se no peito do noivo com um risinho zombeteiro que transbordava veneno. "Parece um cordelho indo direto para o abatedouro. Ela realmente achou que ia virar duquesa só porque o papai a tirou do porão."

Rodrigo soltou uma risada abafada e cruel, ajeitando os punhos da camisa de grife.

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"O Don Moretti vai devorá-la vivo antes da lua de mel acabar", murmurou ele, olhando para Helena com nojo. "Aquela garota não tem classe, não tem dinheiro e muito menos pedigree. É só um brinquedo que vai durar duas semanas na mão da máfia."

No altar, Matteo Moretti não sorria; seus olhos cinzentos e gélidos encaravam a aproximação de Helena com uma repulsa evidente.

He não queria aquele casamento arranjado por pressões políticas da velha guarda, e fazia questão de deixar claro que a noiva não passava de uma mercadoria barata em seus domínios.

Quando Helena finalmente subiu os degraus e parou diante dele, o silêncio na catedral tornou-se sepulcral, interrompido apenas pelos relâmpagos que iluminavam os vitrais coloridos.

O padre, visivelmente aterrorizado com a presença dos capangas armados de Matteo nos cantos da igreja, apressou-se em conduzir a cerimônia sem ousar erguer os olhos.

"Se alguém aqui presente tem algo a dizer que impeça esta união, fale agora ou cale-se para sempre", murmurou o sacerdote com a voz trêmula.

Ninguém se moveu, exceto por um sorriso cínico nos lábios finos de Matteo, que deu um passo à frente para encarar a mulher que acabara de se tornar sua esposa perante a lei e o submundo.

A hora da assinatura do termo chegou, e o notário estendeu a caneta de prata diretamente para Matteo, que a aceitou com desdém.

O chefe da máfia assinou o documento com um traço violento, rasgando levemente o papel de tão forte que foi a pressão, antes de empurrar o livro na direção de Helena com um empurrãozinho rude.

Helena pegou a caneta entre os dedos finos, sentindo o olhar pesado de centenas de pessoas curiosas cravadas em suas costas como espinhos.

"Assine logo e não ouse desperdiçar meu tempo", ordenou Matteo, com uma voz profunda, cortante e carregada de uma arrogância implacável que fez alguns convidados na igreja recuarem. "E escute bem, Helena, já que estamos diante de Deus e de testemunhas: não crie ilusões."

Helena parou com a ponta da caneta a milímetros do papel, erguendo lentamente o olhar para encará-lo debaixo dos cílios.

"Perdão, meu marido?", sussurrou ela, fingindo uma inocência mansa que fazia parte de sua perfeita atuação.

Matteo inclinou-se ligeiramente, aproximando os lábios do ouvido dela para destilar seu veneno com crueldade deliberada, garantindo que apenas ela ouvisse cada palavra.

"Você não é minha esposa de verdade, Helena", sibilou Matteo, com um sorriso de escárnio nos lábios. "Você é apenas um troféu de fachada, uma ferramenta que comprei para calar a boca da sua família ridícula. Nos meus domínios, você não tem valor, não tem voz e não tem direitos. Se tentar se meter na minha vida ou nos meus negócios, vou mandar você de volta para o buraco de onde nunca deveria ter saído."

Atrás deles, Isabella sufocou uma risada vitoriosa, trocando um olhar cúmplice e satisfeito com Rodrigo Sampaio.

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Na mente de todos ali, Helena era a perdedora absoluta, a criatura mais patética de São Paulo, esmagada pelo poder absoluto do homem mais temido do estado.

Ninguém naqueles bancos de veludo caro, nem mesmo o poderoso Don Moretti, era capaz de enxergar o que se escondia por trás daquela fachada dócil.

Naquele exato segundo, enquanto a ponta da caneta tocou o papel e sua mão firmou a assinatura perfeita, os olhos escuros de Helena brilharam com um vislumbre fugaz, gélido e cortante como a lâmina de uma guilhotina.

A cerimônia terminou em meio a murmúrios abafados e cumprimentos falsos, e em poucos minutos Helena foi conduzida para o banco traseiro de um blindado preto com vidros fumês.

A chuva fustigava a lataria do carro enquanto o veículo arrancava em direção aos portões intransponíveis da mansão dos Moretti, cortando a neblina densa da madrugada paulistana.

Sentada no estofado de couro macio ao lado de Matteo, que mantinha os olhos fixos no próprio tablet corporativo sem se dar ao trabalho de olhar para ela, Helena permaneceu em silêncio por vários quilômetros.

Quando o carro diminuiu a velocidade para passar por um semáforo na Avenida Paulista, ela deslizou a mão enluvada com total discrição até o bolso interno do casaco e sacou um celular criptografado de última geração.

A tela iluminou-se com uma luz azulada muito fraca, refletindo em suas pupilas frias e calculistas enquanto ela digitava uma mensagem rápida e cirúrgica para o seu fiel braço direito e conselheiro principal, Lucas Silveira.

Em um quarto seguro no centro financeiro da cidade, o visor de Lucas vibrou com uma notificação encriptada vinda diretamente da nova Sra. Moretti.

Com os dedos firmes sobre o teclado, Helena enviou a ordem final que transformaria o mundo corporativo e o submundo daquela cidade em um verdadeiro campo de execução:

"Amanhã cedo, envie-me o balanço financeiro detalhado dos três principais bancos ligados à holding de Matteo. O jogo começou."

No banco ao lado, Matteo continuava a resmungar mentalmente sobre o estorvo que acabara de trazer para casa, totalmente cego para a tempestade real que estava prestes a despencar sobre o seu império.

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