《Fingi Ter Perdido A Memória Depois Do Acidente… Mas Meu Marido Me Apresentou Outro Homem Como Meu Esposo》Capítulo 6

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Rafael Vasconcelos passou os últimos dias tentando convencer a si mesmo de que tudo aquilo era apenas uma fase.

Ele repetia a mesma frase todas as manhãs.

Isabela estava confusa.

Isabela estava passando por uma recuperação emocional.

Isabela ainda o amava.

Era isso que ele precisava acreditar.

Porque aceitar a verdade significava admitir algo que destruía seu orgulho.

Ele havia perdido a própria esposa.

Não para um desconhecido.

Não para um inimigo.

Mas para o homem que ele mesmo colocou ao lado dela.

Victor Henrique Almeida.

O homem que Rafael sempre considerou seu maior rival.

Desde a época da faculdade, Rafael sabia que Victor era diferente.

Enquanto ele precisava provar seu valor, Victor simplesmente tinha valor.

Enquanto Rafael buscava reconhecimento, Victor recebia respeito naturalmente.

As pessoas admiravam Victor.

Os empresários ouviam suas opiniões.

Os investidores confiavam nele.

E, mesmo assim, durante todos aqueles anos, Rafael nunca sentiu medo.

Porque havia uma coisa que ele acreditava possuir.

Isabela.

Ele acreditava que o amor dela era a única coisa que Victor nunca poderia conquistar.

Mas agora tudo estava mudando.

Naquela tarde, Rafael decidiu ir até a mansão Almeida.

Ele não contou a ninguém.

Não queria avisar.

Não queria parecer desesperado.

Queria apenas ver Isabela.

Precisava provar para si mesmo que ainda existia algo entre eles.

Quando chegou ao portão da propriedade, hesitou por alguns segundos.

Aquela casa, que antes parecia apenas uma casa de um amigo, agora parecia o lugar onde ele estava perdendo tudo.

O segurança reconheceu Rafael e permitiu a entrada.

Ele caminhou pelo enorme jardim.

O silêncio daquele lugar era diferente da sua própria mansão.

Na casa dos Montenegro, tudo era luxo.

Mas também havia distância.

Na casa de Victor, havia vida.

Pessoas conversavam.

Funcionários eram tratados com respeito.

Havia flores espalhadas.

Havia música.

Havia uma sensação de tranquilidade que Rafael nunca tinha percebido antes.

Então ele ouviu uma risada.

Uma risada que fez seu corpo parar.

Era Isabela.

Ele seguiu o som.

E então viu.

No meio do jardim, perto de uma grande árvore, estavam Victor e Isabela.

Ela usava um vestido claro.

O vento mexia suavemente em seus cabelos.

Victor estava diante dela.

Os dois conversavam.

Ela sorria.

Mas não era apenas um sorriso.

Era aquele sorriso que Rafael conhecia.

Ou melhor...

Aquele sorriso que ele lembrava.

Victor levantou a mão lentamente e tirou uma pequena folha que havia ficado presa no cabelo dela.

Um gesto simples.

Mas cheio de carinho.

Isabela não se afastou.

Ela apenas riu.

"Você sempre acha alguma coisa no meu cabelo."

Victor sorriu.

"Porque você sempre está distraída olhando para tudo ao seu redor."

Ela olhou para ele.

"E você sempre percebe tudo."

Victor respondeu:

"Algumas pessoas merecem ser percebidas."

Rafael sentiu o peito apertar.

Porque aquela frase parecia simples.

Mas ele sabia o peso dela.

Durante cinco anos, Isabela tentou ser percebida por ele.

E ele estava ocupado demais para notar.

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Victor então ajeitou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.

Isabela fechou os olhos por um instante.

Era um gesto pequeno.

Mas Rafael viu algo que nunca tinha visto.

Confiança.

Paz.

Entrega.

Ela não estava fingindo.

Ela não estava tentando provocar.

Ela estava feliz.

E aquilo destruiu a última mentira que Rafael contava para si mesmo.

Ele ficou parado observando.

Sem coragem de interromper.

Porque naquele momento ele entendeu uma coisa cruel.

Victor não estava tentando substituir Rafael.

Victor não estava tentando roubar nada.

Ele apenas estava oferecendo aquilo que Isabela sempre quis.

Presença.

Cuidado.

Amor.

Poucos segundos depois, Isabela abraçou Victor.

Um abraço simples.

Mas verdadeiro.

Ela encostou a cabeça no peito dele.

Victor fechou os olhos e segurou ela com cuidado.

Como se aquele momento fosse algo precioso.

Como se ele soubesse que estava segurando o coração de alguém.

Rafael sentiu a garganta fechar.

Ele precisou dar alguns passos para trás.

Porque aquela imagem era impossível de aceitar.

A mulher que ele chamava de esposa estava encontrando felicidade nos braços de outro homem.

E o pior:

Ele sabia que era culpa dele.

Naquela noite, Rafael voltou para casa completamente destruído.

Entrou no escritório.

Fechou a porta.

Pegou uma garrafa de bebida e ficou olhando para o vazio.

Na mesa estava uma antiga fotografia.

Ele e Isabela.

O casamento.

A promessa.

A vida que ele achou que nunca perderia.

Ele passou a mão pelo rosto.

"Ela nunca olhou para mim assim."

A frase saiu em voz baixa.

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

Depois apertou a fotografia.

"Ela antes olhava assim para mim."

Naquele momento, seu amigo Daniel Ferreira, que trabalhava com ele há anos, entrou no escritório.

Daniel percebeu imediatamente o estado de Rafael.

"O que aconteceu?"

Rafael não respondeu.

Apenas mostrou a foto.

"Ela me amava."

Daniel olhou para a imagem.

"Sim."

Rafael levantou os olhos.

"Então por que ela olha para ele desse jeito?"

Daniel ficou em silêncio.

Sabia que Rafael não queria ouvir a resposta.

Mas alguém precisava dizer.

"Porque você esqueceu de uma coisa."

Rafael franziu a testa.

"O quê?"

Daniel colocou a foto sobre a mesa.

"Ela não deixou de amar você de um dia para o outro."

Rafael ficou parado.

"Ela passou anos esperando você amar ela da mesma forma."

Aquelas palavras atingiram Rafael.

Daniel continuou:

"Você acha que perdeu Isabela porque Victor apareceu."

"Mas não foi isso."

"Victor só apareceu no momento em que ela cansou de esperar."

Rafael desviou o olhar.

Porque aquela era a verdade que ele não queria enfrentar.

Durante anos, Isabela estava ao lado dele.

Mas ele nunca percebeu que ela estava sozinha.

Enquanto isso, na mansão Almeida, Isabela também estava pensando.

Ela sabia que seus sentimentos por Victor estavam crescendo.

E isso assustava.

Porque parte dela ainda lembrava do casamento.

Ainda lembrava do homem que Rafael era quando eles se conheceram.

Mas agora ela conhecia outra versão dele.

Uma versão que escolheu mentir.

Uma versão que achou que poderia decidir seu destino.

Victor era diferente.

Ele nunca dizia:

"Você precisa ficar comigo."

Ele dizia:

"Escolha o que faz você feliz."

E essa diferença mudava tudo.

Naquela noite, Victor encontrou Isabela sentada no jardim.

"Você está bem?"

Ela sorriu.

"Estou pensando."

"Sobre o quê?"

Ela olhou para as flores.

"Sobre como algumas pessoas passam anos tentando encontrar alguém que cuide delas."

Victor sentou ao lado dela.

"E você?"

Ela respirou fundo.

"Eu acho que passei anos tentando convencer alguém a fazer isso."

Victor ficou em silêncio.

Ele não queria pressionar.

Nunca quis.

Então apenas segurou a mão dela.

No dia seguinte, Rafael tomou uma decisão.

Ele não aceitaria perder Isabela.

Não depois de tudo.

Não depois de tantos anos.

Ele cancelou reuniões.

Adiou compromissos.

Ignorou conselhos.

Pela primeira vez, colocou uma pessoa acima do próprio império.

Sua esposa.

Mas havia um problema.

Rafael ainda pensava como um homem acostumado a conquistar tudo.

Ele acreditava que bastava voltar.

Pedir desculpas.

Lembrar o passado.

E Isabela voltaria.

Ele ainda não entendia que a mulher que ele abandonou emocionalmente durante anos não era mais a mesma.

Antes de sair do escritório, Rafael olhou para o espelho.

E falou para si mesmo:

"Eu vou recuperar minha esposa."

Mas naquele mesmo momento, do outro lado da cidade, Isabela segurava a mão de Victor enquanto caminhavam pelo jardim.

E pela primeira vez em muito tempo...

ela não sentia falta de Rafael.

Rafael ainda não sabia.

Mas a mulher que ele queria reconquistar já estava aprendendo a amar outro homem.

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