《Fingi Ter Perdido A Memória Depois Do Acidente… Mas Meu Marido Me Apresentou Outro Homem Como Meu Esposo》Capítulo 2

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A manhã seguinte chegou silenciosa sobre a Mansão Montenegro, em Jardim Europa. O sol atravessava as enormes janelas de vidro, iluminando os móveis antigos, as obras de arte e os retratos de uma família que, por anos, parecia perfeita aos olhos de todos.

Mas Isabela já não enxergava aquela casa da mesma maneira.

Cada corredor carregava uma lembrança.

Cada fotografia parecia uma mentira.

Ela continuava deitada na cama, olhando para o teto, fingindo confusão. Ao lado dela, um copo de água, alguns remédios e um caderno onde Rafael havia escrito nomes e informações sobre a suposta vida que ela teria esquecido.

Ela segurou o caderno e folheou lentamente.

Ali estava uma história inventada.

Uma vida que nunca existiu.

Segundo aquelas páginas, Victor Henrique Almeida era seu marido há quatro anos. Segundo Rafael, ela e Victor haviam se apaixonado depois de uma crise no casamento que nunca aconteceu.

Era uma mentira bem construída.

Mas Isabela sabia que mentiras sempre deixam marcas.

E ela queria descobrir todas.

Não queria apenas saber que Rafael havia traído sua confiança.

Queria entender até onde ele seria capaz de ir.

Porque o homem que ela amava não havia cometido um simples erro.

Ele havia planejado uma nova realidade para ela.

Como se Isabela fosse uma peça em um tabuleiro.

Naquela manhã, Rafael entrou no quarto carregando uma bandeja de café.

Por alguns segundos, Isabela quase esqueceu tudo.

Ele parecia exatamente como antes.

O mesmo olhar.

O mesmo perfume.

A mesma maneira de ajeitar a manga da camisa quando estava nervoso.

Então ela lembrou da ligação da noite anterior.

Lembrou da voz dele dizendo que depois explicaria tudo.

Como se o coração dela fosse um contrato que ele pudesse renegociar quando quisesse.

Rafael colocou a bandeja sobre a mesa.

"Como você está se sentindo hoje?"

Isabela olhou para ele com uma expressão vazia.

"Eu não sei."

Ele sentou ao lado dela.

"Você está assustada. É normal. Sua memória pode voltar aos poucos."

Ela observou o rosto dele.

A preocupação parecia verdadeira.

E talvez fosse.

Esse era o pior.

Rafael ainda amava Isabela.

Mas amava mais a própria vontade.

Ele queria tudo ao mesmo tempo.

Queria Helena.

Queria manter Isabela segura.

Queria continuar sendo o homem perfeito.

Mas não percebeu que algumas escolhas destroem tudo.

"Quem é Victor para mim?"

Isabela perguntou.

Rafael respirou fundo.

Ele já esperava aquela pergunta.

"Ele é uma pessoa muito importante na sua vida."

"Meu marido?"

Rafael desviou o olhar por um instante.

"Sim."

A resposta saiu baixa.

Mas saiu.

Isabela sentiu uma dor no peito.

Mesmo sabendo a verdade, ouvir aquilo machucava.

Porque Rafael não estava apenas mentindo.

Ele estava entregando a mulher que dizia amar para outro homem.

"Ele vai cuidar de você enquanto sua memória não volta."

Rafael tentou sorrir.

"Não existe ninguém mais preparado."

Isabela ficou em silêncio.

Ele continuou:

"Victor tem dinheiro, tem estrutura, tem uma casa segura. Ele nunca faria nada para machucar você."

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Naquele momento, Isabela entendeu algo.

Rafael realmente acreditava nisso.

Ele confiava em Victor.

Confiava tanto que entregaria sua própria esposa para ele.

Mas não sabia da parte mais perigosa.

Victor não era apenas um homem confiável.

Victor era o homem que sempre a amou.

Naquela tarde, Rafael levou Isabela até a casa de Victor.

A mansão Almeida ficava em uma das áreas mais exclusivas de São Paulo, próxima ao Parque Ibirapuera. Diferente da Mansão Montenegro, que carregava uma aparência de poder e tradição, a casa de Victor tinha uma elegância mais tranquila.

Grandes jardins.

Fontes de água.

Janelas abertas.

Flores espalhadas por todos os lados.

Isabela desceu do carro lentamente.

Ela esperava encontrar um homem tentando aproveitar a situação.

Mas encontrou alguém nervoso.

Victor estava parado na entrada.

Ele vestia uma camisa branca simples, sem gravata.

Pela primeira vez, Isabela percebeu algo diferente nele.

Ele não parecia um bilionário.

Parecia apenas um homem preocupado.

"Bem-vinda."

A voz dele era baixa.

Cuidadosa.

Rafael se aproximou.

"Victor, obrigado por fazer isso."

Victor olhou para Rafael.

Havia uma tristeza naquele olhar.

Como se ele soubesse que estava entrando em algo errado.

Mas ainda assim não conseguisse abandonar Isabela.

"Eu vou cuidar dela."

Rafael assentiu.

"Eu sei."

E essa frase incomodou Isabela.

Porque Rafael confiava mais em Victor do que confiava nela.

Ele confiava que Victor cuidaria da mulher que ele mesmo estava enganando.

Quando Rafael foi embora, Isabela ficou sozinha com Victor.

O silêncio entre os dois era estranho.

Ela esperava desconforto.

Esperava falsidade.

Mas Victor apenas perguntou:

"Você está com fome?"

Ela ficou surpresa.

"Como você sabe?"

Ele apontou para a mesa.

Havia um café preparado.

Não era um café luxuoso.

Era simples.

Exatamente como Isabela gostava.

Pão de queijo.

Frutas.

Café sem açúcar.

Ela olhou para aquilo.

"Eu gosto disso."

Victor sorriu levemente.

"Eu sei."

Isabela levantou os olhos.

"Como você sabe?"

Ele pareceu perceber que tinha falado demais.

Desviou o olhar.

"Rafael comentou."

Mas Isabela percebeu.

Era mentira.

Não era algo que Rafael saberia.

Porque durante cinco anos de casamento, Rafael nunca percebeu pequenos detalhes.

Victor sabia.

E isso era estranho.

Muito estranho.

Durante os dias seguintes, Isabela continuou interpretando o papel da mulher sem memória.

Mas cada dia na casa de Victor revelava algo novo.

Ele sabia que ela não gostava de quartos totalmente escuros.

Então deixava uma pequena luz acesa durante a noite.

Sabia que ela odiava tempestades.

Quando começava a chover forte, ele aparecia com chá quente antes mesmo que ela pedisse.

Sabia que ela gostava de flores brancas.

Todas as manhãs havia lírios frescos no quarto.

Não rosas vermelhas.

Não flores caras escolhidas por aparência.

Lírios.

As flores que Isabela comprava na faculdade quando tinha vinte anos.

Um detalhe que quase ninguém lembrava.

Uma noite, enquanto a chuva batia nas janelas da mansão Almeida, Isabela ficou olhando para o jardim.

Victor apareceu com uma manta.

"Você sempre fica olhando a chuva."

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Ela virou o rosto.

"Eu faço isso?"

Victor percebeu a pergunta.

"Fazia."

Ela ficou parada.

"Antes?"

Ele assentiu.

"Na faculdade."

Isabela sentiu o coração acelerar.

"Você me conhecia na faculdade?"

Victor ficou em silêncio.

Por alguns segundos, parecia decidir se deveria responder.

Finalmente disse:

"Sim."

Ela virou completamente para ele.

"Por quê?"

Victor olhou para a janela.

"Porque eu estudava na mesma universidade."

"E você nunca me contou?"

Ele sorriu de forma triste.

"Você estava apaixonada por Rafael."

O nome dele saiu como uma lembrança antiga.

Isabela sentiu algo estranho.

"Você gostava de mim?"

Victor não respondeu imediatamente.

Ele não tentou se aproximar.

Não tentou usar aquele momento.

Apenas disse:

"Eu gostava."

O silêncio ficou pesado.

Então ele completou:

"Mas Rafael era meu amigo."

Isabela observava aquele homem.

Ele tinha tudo.

Dinheiro.

Poder.

Status.

Poderia ter disputado.

Poderia ter tentado conquistar.

Mas não fez.

"Por que você nunca falou?"

Victor respirou fundo.

"Porque eu não queria ganhar você porque alguém perdeu."

A resposta atingiu Isabela de uma maneira que ela não esperava.

Porque era exatamente o oposto de Rafael.

Rafael estava tentando reorganizar a vida dela para conseguir o que queria.

Victor estava disposto a perder para respeitar a escolha dela.

Naquela noite, Isabela percebeu algo que a assustou.

Ela não estava apenas descobrindo a mentira do marido.

Ela estava descobrindo a verdade sobre outro homem.

Um homem que lembrava pequenos detalhes que Rafael havia esquecido.

Um homem que cuidava dela sem pedir nada em troca.

Um homem que, mesmo tendo tudo no mundo, nunca tentou possuir seu coração.

Ela respirou fundo.

"Victor."

Ele olhou para ela.

"Você sabia que eu estava fingindo?"

O rosto dele mudou.

Por um segundo, o silêncio respondeu antes das palavras.

Então ele perguntou:

"Fingindo o quê?"

Isabela observou cuidadosamente cada reação.

Ela sabia que aquela resposta mudaria tudo.

Porque naquele momento ela precisava descobrir:

Victor fazia parte do plano de Rafael...

ou era a única pessoa naquela história que ainda estava dizendo a verdade.

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