《Pecado Absoluto: Herdeiros do Sangue》Capítulo 7

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Capítulo 7: A Calmaria Antes do Tiro Final

O eco daquela noite febril e isolada na floresta amazônica dissolveu-se rapidamente, substituído pela realidade cortante e implacável da selva de pedra paulistana.

De volta a São Paulo, a trégua aparente nos corredores da holding escondia o verdadeiro campo de minas mortal em que a cidade inteira havia se transformado.

Victoria despachava ordens frias e implacáveis na imponente sala da presidência, enquanto Enzo assegurava, nas sombras dos bastidores políticos, que nenhum concorrente ousasse levantar a voz contra ela.

Na superfície, agiam perante os funcionários como frios e distantes aliados corporativos; nas entrelinhas de cada memorando interno, trocavam mensagens codificadas de uma intimidade devastadora.

"Os relatórios de auditoria final estão prontos para o protocolo de amanhã cedo, Victoria?" Perguntou Gabriel, entrando bruscamente na sala com uma pilha de pastas confidenciais sob o braço.

"Estão perfeitamente ajustados para destruir o pouco que sobrou da reputação do meu tio Ricardo, Gabriel." Respondeu Victoria, sem desviar os olhos das telas de monitoramento financeiro que piscavam na parede.

O estrategista assentiu discretamente com a cabeça e retirou-se do escritório executivo, deixando-a sozinha com o peso de suas decisões e a expectativa pelo confronto final.

A calmaria aparente que antecedia a tempestade definitiva pesava sobre os ombros de Victoria como uma armadura pesada de chumbo puro.

"Você não deveria passar tanto tempo sozinha revisando esses números frios, passarinho, o estresse pode acabar com a sua paciência antes do tiro de misericórdia." A voz grave de Enzo ecoou de repente pela porta aberta do escritório privativo.

Victoria ergueu o rosto de súbito, vendo-o encostado no batente da porta com os braços cruzados no peito e um meio-sorriso enigmático nos lábios cortantes.

"A minha paciência acabou há vinte anos, Enzo, e o que sobrou agora para eles é apenas pura e incontrolável precisão cirúrgica."

Enzo caminhou lentamente pelo carpete grosso da sala até parar bem diante da mesa dela, apoiando as palmas das mãos fortes na madeira escura.

"Eles estão preparando uma última e desesperada cartada para a assembleia de acionistas de amanhã, tentando salvar os próprios pescoços podres."

Avisou ele, com a voz carregada de um aviso perigoso e promessa de sangue.

"Deixe-os tentar cavar a própria cova em praça pública, porque eu farei questão de jogar pessoalmente a última pá de terra seca sobre eles." Retrucou Victoria, sustentando o olhar âmbar dele sem pestanejar por um único segundo.

A tensão palpável entre os dois cortava o ar da sala como uma lâmina afiada, misturando o cheiro forte de café fresco ao perfume amadeirado que acompanhava o magnata.

"Eu gosto dessa sua sede implacável de sangue, Victoria, é exatamente o que me faz querer manter você viva e acorrentada ao meu lado para sempre." Murmurou ele, inclinando-se levemente sobre a mesa.

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"Guarde suas correntes obsoletas para outro século, Enzo, porque eu sou a única dona absoluta do meu destino e do meu novo império." Respondeu ela, desafiadora, empurrando a pasta de documentos para a frente.

Enzo riu baixinho, um som rouco e fascinado que preencheu o silêncio da sala executiva antes de ele se afastar em direção à saída privativa.

"Prepare-se bem para amanhã, minha rainha, porque o espetáculo da derrocada deles na bolsa vai ser histórico e imperdível." Disse ele antes de desaparecer pelos corredores da cobertura.

A noite avançou sobre a metrópole chuvosa e sombria, transformando as avenidas iluminadas em rios de luzes vermelhas e amarelas refletidas no asfalto molhado.

Naquela mesma madrugada fria, a tela do celular de Victoria acendeu bruscamente na escuridão do quarto com uma única linha de texto enviada por Enzo.

"Ricardo reuniu os últimos aliados corrompidos para a votação de amanhã cedo. Vista sua armadura vermelha de guerra. Vamos acabar com eles de vez."

Victoria leu a mensagem duas vezes com atenção, sentindo a adrenalina correr fervendo por suas veias como um tônico revigorante e letal.

Ela sorriu de leve na penumbra, olhando para o reflexo de seus próprios olhos negros brilhando ferozmente no vidro escuro da janela do quarto.

O xeque-mate final estava prestes a acontecer na manhã seguinte, e nenhum dos dois pretendia sair daquele tabuleiro sangrento sem a vitória absoluta.

A tensão nos andares superiores da holding atingiu o ápice quando os primeiros raios de sol romperam a neblina densa de São Paulo.

Victoria abriu o closet pessoal na suíte executiva, passando os dedos longos e pálidos pelas vestes alinhadas até tocar o tecido de seu longo vestido de seda vermelho-sangue.

Vestir aquela cor era mais do que uma escolha estética; era o estandarte de guerra de uma mulher que voltara do inferno para cobrar o preço de sangue de seus carrascos.

Enquanto ajustava o zíper lateral com movimentos firmes, o telefone fixo da suíte irrompeu em um toque seco que cortou o silêncio da alvorada.

"Senhorita Salvador, os conselheiros do clã já estão acomodados na sala principal de reuniões exigindo a sua presença imediata." Anunciou Mateus do outro lado da linha, com a voz tensa e trêmula pelo nervosismo.

"Diga a eles que a verdadeira imperatriz nunca chega atrasada, Mateus, ela apenas aguarda o momento exato em que o desespero deles atinge o nível máximo." Retrucou ela, com a voz gélida e perfeitamente controlada.

Victoria desligou o aparelho sem esperar resposta, ajeitou o colar de diamantes frios contra a pele do pescoço e calçou seus sapatos de salto agulha que batiam contra o piso como tiros cadenciados.

Ao abrir as portas duplas do elevador privativo, ela encontrou Enzo escorado na parede de mármore, vestindo um terno preto impecável que realçava ainda mais a perigosa intensidade de seu olhar âmbar.

"Você está deslumbrante, minha rainha do caos, perfeitamente vestida para a execução que vai sacudir o mercado financeiro inteiro."

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Sussurrou Enzo, aproximando-se para ajeitar com lentidão criminosa a gola do casaco dela.

"Guarde seus elogios fúnebres para quando o meu tio Ricardo assinar a carta de renúncia e perder até a última migalha da herança da minha mãe." Respondeu Victoria, erguendo o queixo com uma soberbia intocável.

Enzo soltou uma risada grave e gutural que vibrou contra o peito dela, envolvendo sua cintura por breves segundos antes de abrirem juntos a imensa porta da sala do conselho.

O silêncio que caiu sobre os diretores e tios corruptos reunidos ao redor da mesa de mogno foi imediato, pesado e carregado do mais puro pavor antecipado.

Ricardo Medeiros levantou-se da cadeira principal com o rosto desfigurado pelo ódio e pelo medo, erguendo um dedo trêmulo na direção da sobrinha que ele julgava ter enterrado há vinte anos no exílio.

"Você não tem o direito de estar aqui, sua bastarda insolente, esta holding pertence por direito de sangue aos legítimos herdeiros do sobrenome!" rugiu o patriarca corrompido, perdendo totalmente a compostura diante de todos os acionistas presentes.

Victoria deu passos firmes e rítmicos até a ponta oposta da mesa, apoiando as palmas das mãos enluvadas sobre a madeira polida enquanto encarava o tio com um sorriso devastador.

"O único sangue derramado nesta história foi o da minha mãe, tio Ricardo, e hoje eu vim cobrar cada gota com juros de mercado e o selo da falência."

Bradou ela, jogando sobre a mesa a pasta preta contendo as confissões assinadas e as ordens de prisão preventiva expedidas pela justiça federal.

Enzo permaneceu recostado na soleira da porta, cruzando os braços largos enquanto assistia, fascinado, à destruição sistemática de um império familiar construído sobre a mentira e a crueldade.

A votação dos acionistas minoritários, antes dada como garantida pelos traidores, desmoronou em segundos à medida que os celulares na mesa começavam a vibrar com as notificações de congelamento definitivo de contas.

"A sessão está encerrada, senhores, e o trono de vocês acabou de virar cinzas." Concluiu Victoria, ajustando os ombros com uma postura imperial que fez o patriarca desabar de joelhos em total desespero sobre o carpete.

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