《Pecado Absoluto: Herdeiros do Sangue》Capítulo 6

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Capítulo 6: O Santuário na Floresta Amazônica

O eco daquela promessa de caçada mútua na varanda do palacete carioca dissolveu-se rapidamente, substituído pelo silêncio sepulcral e sufocante da rota clandestina que os levou para o norte do país.

Isolados do mundo, a milhares de quilômetros de São Paulo e de qualquer jurisdição civilizada, o refúgio particular e fortificado de Enzo na floresta amazônica abrigava apenas o som ensurdecedor da chuva torrencial e o estalar crepitante do fogo na lareira de pedra rústica.

Victoria estava deitada sobre a grande cama de dossel de madeira nobre, com um curativo improvisado cobrindo o braço esquerdo onde o leve arranhão de uma faca havia sangrado durante a confusão no Rio de Janeiro.

Enzo estava ajoelhado bem ao lado dela sobre o tapete persa, desinfetando o ferimento com uma precisão e uma delicadeza cirúrgica que contrastavam brutalmente com a sua fama temida de carrasco corporativo.

"Você deveria ter deixado Gabriel cuidar disso em São Paulo, em vez de me arrastar para o meio desta selva úmida." Reclamou Victoria, franzindo levemente a testa enquanto o antisséptico ardia em sua pele branca.

"Gabriel não sabe cuidar de feridas abertas, Victoria, e muito menos tem paciência para lidar com a sua teimosia lendária." Retrucou Enzo sem desviar os olhos do curativo que ajustava com cuidado milimétrico.

O silêncio voltou a reinar por alguns instantes na penumbra do quarto, preenchido apenas pelo coaxar distante dos animais e pela fúria da tempestade tropical lá fora.

"Por que você voltou de verdade, Victoria? Por que arriscar tudo e cruzar o oceano para enfrentar os monstros da minha família?" Perguntou ele, quebrando o silêncio com a voz dolorosamente rouca.

"Você sabia perfeitamente que esta seria uma guerra sem volta e um verdadeiro banho de sangue."

Victoria ergueu a mão livre, vagarosamente, tocando com as pontas dos dedos a linha dura do maxilar dele, traçando o caminho até os lábios firmes e cortantes. "Porque eu não queria apenas uma vingança burocrática ou falimentar, Enzo." Sussurrou ela, com os olhos negros brilhando à luz trêmula da lareira.

"Queria descobrir se havia alguém neste mundo tão corrompido, tão frio e tão faminto quanto eu... para que eu pudesse destruir e amar ao mesmo tempo."

Enzo fechou os olhos abruptamente ao toque dela, como se estivesse recebendo o golpe de uma lâmina invisível que o desarmava por completo.

Ele soltou um suspiro trêmulo, pesado de uma carga emocional que reprimira durante anos, antes de cobrir a mão dela com a sua própria palma quente.

"Você encontrou exatamente o monstro certo para a sua destruição, minha rosa de ferro." Murmurou ele, levando os nós dos dedos dela aos lábios para beijá-los com uma devoção quase sacrílega.

Victoria sentiu o coração falhar uma batida diante daquela rendição silenciosa do homem mais perigoso do continente sul-americano.

"Então prove que você não é apenas mais uma miragem de poder, Enzo, e mostre-me até onde é capaz de ir por essa obsessão." Desafiou ela, com um sorriso de canto que misturava desafio e pura provocação.

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Em seguida, o homem que mandava em meio continente a deitou suavemente sob o seu corpo pesado, transformando a noite isolada na floresta em uma cerimônia febril de possessão e rendição mútua.

O peso dele sobre o colchão era absoluto, uma âncora de calor e testosterona que a prendia irremediavelmente ao centro daquele furacão de sentimentos contraditórios.

"Eu queimaria o mundo inteiro com as próprias mãos se isso significasse ter você olhando apenas para mim nos meus últimos segundos de vida." Afirmou Enzo contra a boca dela, antes de capturar seus lábios em um beijo profundo, desesperado e sem fôlego.

A respiração de ambos tornou-se um ritmo único e descompassado, abafada apenas pelo som da lenha que estalava na lareira e pela chuva implacável da Amazônia.

As mãos de Enzo deslizaram pelo corpo esguio dela com uma urgência incontida, despindo as camadas de armadura emocional que Victoria havia levado vinte anos para construir.

"Você não vai me destruir tão fácil assim, Enzo, porque eu aprendi a morder de volta." Sussurrou ela, cravando as unhas curtas nas costas largas dele através da camisa rasgada.

"Eu conto com isso todos os dias, Victoria, pois o tédio seria a única coisa capaz de me matar." Respondeu ele, sorrindo de forma predatória contra a curva do pescoço dela.

A fúria daquele encontro não guardava nada de romântico ou convencional, sendo antes o choque violento de duas forças destrutivas que finalmente encontravam um par à altura.

Cada toque era uma cobrança de contas pendentes, cada carícia um pacto tácito de que nenhum dos dois sairia vivo daquela guerra se não estivessem juntos.

"Se falharmos, se os nossos inimigos descobrirem este refúgio e nos cercarem, o que fará?" Perguntou Victoria em um intervalo raro de silêncio, fitando as íris âmbar dele de perto.

"Eu afundarei esta floresta inteira com todos eles dentro, mas farei questão de garantir que você reine sobre as cinzas ao meu lado." Prometeu Enzo, com uma convicção aterrorizante que fez o sangue dela correr mais rápido nas veias.

Satisfeita com a resposta que confirmava a insanidade compartilhada de ambos, Victoria puxou-o de volta para o seu abraço, selando o destino de suas vidas em um ciclo perpétuo de paixão e ruína.

O santuário na floresta deixou de ser um esconderijo para se transformar no altar onde o império dos Medeiros começou de fato a perder a sua alma para sempre.

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