Capítulo 5: O Baile de Máscaras em Copacabana
O rastro de destruição financeira deixado na Avenida Paulista ainda reverberava ruidosamente nas manchetes dos principais jornais de circulação nacional, mas a verdadeira guerra pelo controle absoluto do império havia migrado implacavelmente para o litoral carioca, sob o manto pesado e sufocante de uma noite tropical.
A alta sociedade do Rio de Janeiro, sempre ávida por espetáculos de futilidade e demonstrações vazias de poder, escondia suas feições avarentas sob máscaras venezianas douradas e requintadas no baile anual de gala à beira-mar de Copacabana.
Sob o disfarce luxuoso de plumas importadas, lantejoulas reluzentes e taças de cristal transbordando champagne que circulavam sem parar pelos salões suntuosos do palacete histórico, o perigo real e tangível rondava cada canto escuro daquela arquitetura imponente.
Victoria, usando uma máscara prateada incrustada de cristais Swarovski que destacava ainda mais seus olhos amendoados e lábios pintados em um tom carmesim profundo, caminhava sozinha pelo terraço isolado e distante da música estridente.
O som abafado das ondas que batiam impiedosamente na areia da praia de Copacabana servia de trilha sonora perfeita para a solidão calculada que ela buscava naquele momento de trégua tática com seus inimigos.
De repente, o ar pareceu congelar instantaneamente e se tornar denso quando uma lâmina fria, afiada e ameaçadora encostou-se de leve e de raspão ao tecido caro de seu vestido de seda escarlate.
"Fim da linha para você, menininha metida a imperatriz do mercado financeiro." Sibilou um mercenário brutal contratado às pressas pelo clã rival, com o hálito fétido colado perigosamente à orelha dela, enquanto a imobilizava pelo braço com força desmedida.
Victoria não demonstrou um pingo de pânico ou fraqueza diante daquela morte anunciada, mantendo os punhos firmes e o olhar gélido fixo na escuridão revolta do oceano à frente.
"Você deveria ter escolhido um alvo que soubesse revidar à altura, antes de assinar a sua própria certidão de óbito nesta mesma noite." Sussurrou ela com total desdém e soberbia, desafiando o assassino profissional com uma frieza assustadora.
Mas o golpe letal do mercenário nunca chegou ao fim da trajetória mortal que ele havia planejado com tanto esmero para a herdeira dos Medeiros. Um borrão escuro, rápido e letal surgiu repentinamente das sombras espessas da balaustrada de mármore branco que cercava o terraço.
Com um único movimento brutal, implacável e cirúrgico, Enzo desarmou o mercenário em frações de segundo, mostrando toda a sua letalidade oculta que poucos tinham o privilégio de testemunhar e sobreviver.
Ele quebrou-lhe o pulso com um estalo seco e doloroso que se pecorreu por completo no som estrondoso das ondas batendo na costa.
O sangue quente do agressor espirrou violentamente contra o piso de mármore branco imaculado do terraço isolado, manchando a pedra nobre com a cor da violência pura.
O homem soltou um uivo abafado de dor lancinante antes de desabar desfalecido e inútil sobre os vasos de plantas ornamentais do palacete à beira-mar.
Enzo, com o smoking impecável salpicado por alguns pingos de sangue alheio, nem sequer piscou diante da carnificina rápida que acabara de executar com as próprias mãos para defendê-la.
Ele puxou Victoria imediatamente para o seu peito, respirando fundo e descompassado, com o peito arfando descontroladamente devido ao susto do perigo iminente.
"Você tem o hábito irritante e suicida de caminhar direto para o meio da cova dos leões sem olhar para trás, Victoria." Rosnou ele, com a voz carregada de uma fúria primal e possessiva.
"E você tem o péssimo hábito de aparecer sempre nos momentos mais inconvenientes da minha vingança pessoal, Enzo." Retrucou ela, sem se afastar do abraço apertado dele.
"Se alguém te tocar de novo, ou tentar o mínimo que seja contra a sua preciosa vida..." Sibilou ele, com a voz irreconhecível de tanta fúria e desespero contido. "...eu juro que queimo este país inteiro até virar cinzas e poeira."
Victoria ergueu o rosto, encontrando aquelas íris âmbar brilhando na penumbra da varanda marítima com uma intensidade aterrorizante e magnética.
"Guarde as suas ameaças pirotécnicas para os assassinos que ainda faltam eliminar, Enzo." Murmurou ela, tocando a lapela manchada de sangue dele com frieza.
Enzo permaneceu segurando-a firme contra o seu corpo, sentindo o calor da respiração dela misturar-se ao perfume de jasmim que parecia desafiar a morte que rondava o ambiente.
"Eles nunca vão parar enquanto você respirar, Victoria, o que significa que teremos que caçar cada um deles até o fim dos dias." Afirmou ele, com a certeza absoluta de um monstro que conhecia os monstros ao seu redor.
Victoria afastou-se apenas o suficiente para encará-lo nos olhos, com um sorriso de canto que exibia tanto desafio quanto uma estranha cumplicidade.
"Que comece a caçada então, Enzo, porque eu não tenho a menor intenção de morrer antes de ver o último deles implorando por misericórdia aos meus pés."