《Pecado Absoluto: Herdeiros do Sangue》Capítulo 3

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Capítulo 3: O Banquete Amargo na Fazenda de Café

O eco das últimas palavras de Enzo ainda parecia vibrar no ar gélido daquela noite de tempestade em São Paulo, dissolvendo-se lentamente na umidade que subia do asfalto molhado.

Victoria permaneceu erguida, com o corpo tenso pela adrenalina da discussão, mas recusando-se a recuar um único passo diante daquela proposta de aliança tão perigosa quanto tentadora.

As colinas verde-escuras e onduladas daquela tradicional fazenda de café no interior paulista guardavam segredos seculares que agora começavam a vir à tona sob o peso implacável das revelações financeiras.

Sob os lustres de cristal antigo e o olhar reprovador da alta sociedade paulistana, a mesa principal do banquete arranjado pelos tios transbordava de opulência e falsas gentilezas.

Quando Ricardo Medeiros, o patriarca corrupto do clã, levantou a taça de cristal para proferir um brinde carregado de escárnio contra a "bastarda exilada", as portas duplas de carvalho maciço se abriram com um estrondo seco.

Um silêncio constrangedor despencou instantaneamente sobre o salão iluminado à luz de velas, fazendo com que dezenas de convidados virassem os rostos assustados em direção à entrada.

Victoria entrou no recinto flanqueada por uma tropa de advogados internacionais de terno impecável, desfilando com a altivez fria de uma verdadeira imperatriz coroada pela fúria.

Ao fundo, recostado casualmente em um pilar de pedra fria, Enzo observava toda a cena com um copo de uísque envelhecido na mão e um sorriso enigmático nos lábios.

O olhar dele era fixo, protetor e intensamente possessivo, pronto para aniquilar qualquer um ali que ousasse tocar em um único fio de cabelo daquela mulher indomável.

"Meus senhores," a voz cristalina e cortante de Victoria ecoou com perfeição por todo o salão ornamentado, quebrando a atmosfera sufocante de tédio.

"Antes de abrirem o bico para falar sobre herança e expulsão, sugiro que olhem para os extratos das contas congeladas que acabo de publicar na bolsa de valores." O silêncio mortal que se seguiu àquela frase foi a música mais doce e satisfatória que Victoria já ouvira em toda a sua vida de exílio.

Os rostos antes arrogantes dos inimigos de sua família empalideceram em frações de segundos, transformando-se rapidamente em máscaras de pavor absoluto diante da ruína iminente.

"O que significa essa insolência inaceitável, garota?" Ricardo rugiu, completamente descontrolado, com a taça tremendo visibilmente em sua mão suada.

"Significa que o reinado de vocês acabou, tio Ricardo, e o carrasco chegou para cobrar cada centavo roubado da nossa herança." Retrucou Victoria, dando passos firmes até parar bem diante dele com um olhar cortante.

Enzo continuava observando tudo de longe, saboreando a humilhação pública dos parentes traidores como quem assiste à derrocada de um império de cartas.

Nenhum dos convidados teve coragem de intervir, aterrorizados não apenas pelas revelações financeiras devastadoras, mas pela presença sufocante do próprio dono de São Paulo.

"Você não pode fazer isso com a nossa holding, Victoria, nós somos a sua família de sangue!" Ganiu outro tio, desesperado ao ver o celular vibrar com notícias de falência.

"Família é uma palavra que vocês esqueceram o significado no dia em que assassinaram a reputação e a vida da minha mãe." Disse ela, sem vacilar por um único segundo.

De braços cruzados, Victoria virou as costas para os parentes em pânico, caminhando com elegância fria em direção à saída privada do casarão histórico.

Enzo deixou o copo de uísque sobre uma bandeja de prata ao passar e seguiu os passos dela, saindo discretamente para a penumbra dos jardins externos da fazenda. Fora do salão principal, na carruagem moderna encoberta pelas sombras densas das mangueiras seculares, Enzo segurou o pulso de Victoria com firmeza absoluta.

Ele a puxou para perto de seu corpo, sentindo o perfume de jasmim misturado ao cheiro da terra molhada e da vitória recém-conquistada nos tribunais. "Você quase destruiu metade da economia do estado hoje, minha rosa de ferro." Murmurou ele, com um brilho intensamente perigoso e fascinado no olhar.

"E eu faria tudo de novo se significasse ver cada um deles de joelhos, implorando por misericórdia." Respondeu Victoria, sustentando o peso daquele abraço sem recuar um centímetro sequer. Enzo riu baixinho, um som rouco que vibrou contra o peito dela antes de descer os dedos suavemente pelo pulso que ele ainda mantinha preso.

"Da próxima vez, passarinho, deixe-me acender o fósforo para você assistir ao incêndio de camarote." Sussurrou ele, colando sua testa à dela na escuridão da noite.

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