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《A Vingança da Perfumista Exilada》Capítulo 10

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Capítulo 10: O Sangue do Lobo

Balthazar permaneceu ali, estático na penumbra do escritório, passando o resto da madrugada abraçado ao travesseiro vazio que guardava apenas o aroma gélido e metálico da mulher que o usara como objeto de seu próprio prazer.

Mas o calor daquela noite de combustão proibida foi abruptamente dissipado nas primeiras horas da tarde por um telefonema que congelou o resto de sanidade que o magnata possuía.

O celular de Balthazar vibrou sobre a mesa de mogno da holding, exibindo uma chamada restrita que trazia uma voz distorcida pelo modulador digital.

"Se você quiser ver o pequeno prodígio de olhos azuis respirar novamente, Albuquerque, sugiro que transfira o controle acionário da empresa para a conta das Ilhas Caimã nas próximas duas horas" proferiu a voz anônima, antes que o som do choro abafado de Dante ecoasse ao fundo por um breve segundo.

O tio Tião Albuquerque orquestrara o sequestro de Dante na saída da escola internacional dos Jardins, aproveitando a brecha na segurança para desferir o golpe de misericórdia contra a linhagem do sobrinho.

Ao saber do perigo iminente que rondava o filho, Balthazar entrou em um modo berserker avassalador, sentindo o instinto de proteção do sangue falar mais alto do que qualquer cálculo financeiro ou orgulho ferido.

"Se você tocar em um único fio de cabelo do meu filho, Tião, eu juro que vou caçar você até o último círculo do inferno e arrancar a sua cabeça com as minhas próprias mãos!" rugiu o bilionário, quebrando o aparelho contra a mesa enquanto pegava a arma guardada no fundo do cofre privado.

Sem esperar pelo esquadrão tático ou pelas formalidades da Polícia Federal, o magnata rastreou o sinal do tablet de Dante através do sistema de satélite da holding, localizando o cativeiro em um galpão abandonado na zona industrial de Cubatão.

O veículo blindado de Balthazar rasgou a rodovia sob a neblina pesada, derrapando contra os portões de ferro do complexo com a violência de um míssil desgovernado.

Ele invadiu o cativeiro sozinho antes da chegada das autoridades, com a pistola em punho e os olhos azul-escuro injetados de uma fúria assassina que assustou os capangas armados.

Três disparos ecoaram no ambiente escuro e úmido, e Balthazar abateu os dois primeiros criminosos com uma precisão cirúrgica que nascera de seus anos de treinamento militar na juventude.

"Abaixe a arma, Albuquerque, ou eu estouro os miolos desse pirralho agora mesmo!" gritou o último sequestrador, segurando Dante pelo colarinho enquanto apontava o cano do revólver para a têmpora da criança.

Dante mantinha os olhos arregalados, mas sua mente calculista permanecia intacta, notando o rastro de sangue que já escorria das mãos enfaixadas do pai biológico. Com um movimento ágil, o menino mordeu o pulso do captor, fazendo o homem vacilar e desviar a mira por uma fração de segundo.

O sequestrador recuperou o equilíbrio e puxou o gatilho na direção do peito do garoto, mas Balthazar usou o próprio corpo como escudo humano, jogando-se à frente da bala com um salto desesperado.

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O projétil de calibre trinta e oito perfurou o peito do bilionário com um impacto surdo, rasgando o tecido de seu terno caro e destruindo a musculatura de seu tórax.

Balthazar desabou sangrando pesadamente sobre o corpo de Dante, amortecendo a queda do menino com o próprio peso enquanto o último criminoso caía morto ao fundo, alvejado pelo disparo de resposta do magnata. O silêncio retornou ao galpão, quebrado apenas pelo som da respiração falha e borbulhante do imperador de São Paulo.

"Eu... protegi você, meu pequeno lobo... diga à sua mãe que eu... que eu cumpri a minha promessa" sussurrou o bilionário para o menino, forçando um sorriso fraco antes que suas pupilas se dilatassem e ele apagasse completamente sobre a poça vermelha.

"Papai? Acorde, papai, o seu coração está batendo de forma irregular e o fluxo de sangue está comprometendo as suas funções vitais!" clamou Dante, usando a palavra pela primeira vez enquanto tentava estancar o ferimento com suas mãozinhas trêmulas.

O celular do sequestrador morto jogado no chão começou a tocar, exibindo na tela iluminada o número exato da conta internacional que financiara a fraude médica e a morte do pai biológico de Fiora.

O gancho daquela conspiração corporativa estava escancarado, mas não havia tempo para analisar os dados enquanto a vida do patriarca se esvaía no cimento frio.

A muralha de gelo de Fiora rachou violentamente quando as portas do galpão foram arrombadas pela equipe de resgate, revelando a cena dilacerante que mudaria o destino da dinastia para sempre.

"Perímetro limpo, senhora Silva, o alvo principal está neutralizado, mas o senhor Albuquerque está em choque hipovolêmico grave!" anunciou o Capitão Marcos, comandante do esquadrão tático, abrindo caminho com sua submetralhadora em punho.

Fiora correu desesperada pelo galpão, esquecendo-se da postura aristocrática de Paris e de sua nova identidade corporativa ao ver o homem que tanto odiava morrendo para salvar a vida do filho deles.

Ela desabou de joelhos na poça de sangue que se expandia pelo chão, pressionando o peito rasgado de Balthazar com as duas mãos enquanto as lágrimas lavavam a sua maquiagem.

"Não ouse morrer agora, Balthazar, eu passei quatro anos planejando a sua ruína e eu não dou permissão para você me deixar neste inferno sem pagar o resto da sua dívida!" chorou a perfumista em pânico pela primeira vez, sentindo o calor do sangue dele escapar por entre os seus dedos.

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