《A Vingança da Perfumista Exilada》Capítulo 8

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Capítulo 8: O Preço do Perdão 

O ronco do motor do veículo blindado cessou de forma abrupta na entrada do Hotel Fasano, onde os pneus cantaram contra o piso de granito molhado pela tempestade.

O saguão de mármore do hotel cinco estrelas foi invadido por uma lufada de vento frio quando o bilionário cruzou as portas giratórias, com a camisa social branca encharcada, os cabelos negros grudados na testa e as faixas da mão direita manchadas de sangue fresco.

Os funcionários da recepção recuaram em um estado de choque absoluto, incapazes de reconhecer o homem mais temido do país naquela figura desfigurada pela dor e pelo desespero psicológico.

"Senhor Albuquerque, o senhor não pode subir aos aposentos presidenciais sem autorização prévia da gerência ou dos hóspedes do andar" tentou intervir o chefe de segurança do hotel, estendendo as mãos em um gesto de cautela.

"Saia da minha frente antes que eu compre este edifício inteiro e jogue a sua carreira no lixo antes do amanhecer" rosnou Balthazar, empurrando o segurança com o ombro esquerdo saudável e invadindo o elevador privativo com a fúria de um louco.

O painel digital indicou o trigésimo andar, e cada segundo da subida parecia arrancar um pedaço da carne do magnata, cuja mente operava no limite do colapso nervoso.

Quando as portas de bronze se abriram no corredor presidencial, o silêncio do ambiente foi quebrado pelos passos pesados e ensangüentados do CEO, que caminhava deixando um rastro vermelho sobre o tapete de alta gramatura.

Dois carregadores de malas e uma camareira que organizavam os serviços da madrugada paralisaram no corredor, trocando olhares horrorizados ao testemunharem o imperador de São Paulo cambalear até a porta de Fiora.

Balthazar não tocou a campainha eletrônica, preferindo desabar com o corpo contra a madeira maciça de jacarandá, soltando um gemido de pura agonia que ecoou pelo andar inteiro.

"Fiorella, por favor, eu sei que você está aí atrás, abra esta porta e me deixe ver o nosso filho antes que a minha mente se despedace por completo!" gritou o homem, batendo com a testa contra o portal enquanto as lágrimas se misturavam à água da chuva que escorria de seu rosto.

"O senhor Albuquerque deveria controlar os seus surtos de loucura na esfera pública, este corredor não é o pátio de reabilitação da sua holding" proferiu a voz de Fiora, surgindo quando a porta se abriu de forma lenta e majestosa.

A perfumista exilada ostentava um robe de seda negra pura que se arrastava pelo chão, com o corte de cabelo geométrico perfeitamente alinhado e uma expressão que misturava absoluto desdém e tédio aristocrático.

Seus olhos de âmbar miraram o ex-marido de cima para baixo, sem demonstrar a menor pátina de compaixão ou surpresa diante do estado deplorável em que o tirano se encontrava.

Balthazar Albuquerque perdeu o resto de sustentação que suas pernas possuíam, desabando de joelhos sobre o tapete do corredor presidencial, bem diante dos pés descalços da mulher que destruíra quatro anos atrás.

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Os funcionários do hotel prenderam a respiração nas sombras, assistindo ao vivo à maior humilhação da história da elite financeira da América Latina.

"Eu vi o laudo do laboratório, Fiorella, o Dante é o meu filho legítimo e a verdade sobre a armadilha daquela maldita me rasgou o peito como um tiro de canhão" chorou o bilionário, com as mãos trêmulas e enfaixadas espalmadas no chão, curvando a espinha até a lama invisível que cobria sua dignidade.

"O nome do meu filho é Dante Silva, e a única legitimidade que ele possui nesta vida vem do sangue que eu limpei sozinha enquanto você bebia uísque na sua cobertura" respondeu a soberana, cruzando os braços de seda com uma postura impassível.

"Me perdoe, pelo amor de Deus, me perdoe! Eu entrego a Albuquerque Holding na sua mão amanhã de manhã, eu assino a transferência de todos os meus imóveis, eu viro o seu cão de guarda, mas me deixe tocar no seu sapato!" implorou o magnata, o ego totalmente pulverizado enquanto ele avançava de joelhos até tocar a barra do robe dela.

O rei de São Paulo estava disposto a entregar o seu império e a sua própria pele em troca de um milímetro de atenção daquela mulher, consumido por um arrependimento canibal que ameaçava paralisar o seu coração.

Fiora observou o desespero dele de forma plácida, deliciando-se secretamente com a inversão perfeita dos papéis de poder que o destino operara naquele corredor de luxo.

Tomado por um impulso doentio de adoração, Balthazar inclinou o rosto para tentar beijar o tecido negro do robe de seda que tocava o tapete, buscando uma redenção que acalmasse o inferno em suas narinas. Fiora, porém, puxou o tecido com um movimento rápido e carregado de um nojo tão profundo que fez o magnata bater com a boca diretamente contra o chão frio.

"Seu joelho no chão é mais barato que a chuva que me expulsou da sua casa naquela madrugada, Balthazar, e as suas lágrimas não pagam um único minuto da humilhação que passei grávida" declarou a rainha, com os olhos de âmbar brilhando com um sadismo gélido e refinado.

"Eu estava cego pela paranoia que o meu tio plantou na minha cabeça, Fiorella, eu fui um monstro com você, mas eu nunca deixei de amar a sua essência nem por um segundo!" esbravejou o CEO, erguendo o rosto banhado em sangue e suor, implorando por um olhar que não fosse de puro desprezo.

"O amor de um paranoico é apenas uma essência sintética que sufoca quem está ao redor, senhor Albuquerque, e o seu arrependimento tardio me causa apenas um tédio profundo" rebateu ela, ajustando as mangas do robe com uma indiferença mortal.

Enquanto a sessão de tortura psicológica se arrastava sob as arandelas do hotel, a fresta da porta interna da suíte presidencial revelava a presença silenciosa do pequeno Dante.

O garoto de quatro anos mantinha o tablet corporativo em suas mãos, com a câmera de alta definição ativada e registrando cada segundo do rastejar e do choro desesperado de seu pai biológico.

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Dante operou a tela com uma rapidez cirúrgica, anexando o arquivo de vídeo confidencial a um e-mail criptografado direcionado diretamente para a mesa de votação do conselho de administração da Albuquerque Holding.

"Isso serve como um aviso prévio para os acionistas majoritários descobrirem quem manda na dinastia a partir de agora" sussurrou o pequeno prodígio para si mesmo, exibindo um sorriso felino antes de desligar o dispositivo.

"Por favor, Fiorella, não feche esta porta na minha cara, a minha mão está quebrada, a minha alma está morta e eu não tenho para onde ir se você não me der uma chance de consertar as coisas" suplicou o tirano, estendendo a mão esquerda saudável na direção do tornozelo da mulher.

"Você tem a sarjeta da cidade que você tanto domina para passar o resto da sua noite, Balthazar, divirta-se com os seus demônios" concluiu Fiora, recuando um passo para dentro do ambiente aquecido da suíte executiva.

A pesada porta de jacarandá foi batida com uma força violenta na cara do bilionário, e o estalo do trinco eletrônico selou o fim da audiência com a mesma crueza com que a cobertura dos Jardins fora fechada quatro anos atrás.

Balthazar Albuquerque permaneceu ali, estático, com os joelhos cravados no tapete e a testa apoiada na madeira fria, incapaz de emitir mais um único som.

A madrugada avançou de forma implacável, e o sistema de ar-condicionado central do corredor presidencial soprava uma corrente de ar gelado que congelava as roupas encharcadas do magnata.

Os funcionários do hotel se retiraram por ordens de Fiora, deixando o homem mais rico do país abandonado à própria sorte no meio da escuridão do corredor privativo.

Balthazar passou a noite inteira naquela posição de submissão, com os dentes batendo e o corpo sofrendo os espasmos de uma febre violenta que começou a tomar conta de seus músculos devido à exposição ao frio e ao trauma físico.

Suas mãos quebradas latejavam, mas sua mente continuava presa ao rastro do perfume gélido e proibido que a sua nova soberana exalava, sabendo que o preço do seu perdão seria pago com cada gota de seu orgulho.

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