《A Vingança da Perfumista Exilada》Capítulo 7

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Capítulo 7: Inferno de Cinzas

Horas mais tarde, o silêncio sepulcral da cobertura presidencial da Albuquerque Holding foi quebrado pelo clique seco de um envelope de alta segurança sendo depositado sobre a mesa de mogno. O doutor Bruno mantinha a cabeça baixa, com os olhos fixos nos próprios sapatos, incapaz de encarar o homem que considerava um irmão de alma.

"Os resultados da contraprova molecular e do mapeamento genético ficaram prontos antes do meio-dia, Balthazar" anunciou o médico da família, com a voz embargada por uma gravidade que fez o ar da sala desaparecer.

"Abra o envelope de uma vez, Bruno, eu não tenho mais sanidade para suportar esse suspense maldito" ordenou o bilionário, com as mãos trêmulas apoiadas na borda da mesa e os olhos azul-escuro injetados de puro pânico.

O médico rompeu o lacre de cera vermelha e estendeu o laudo oficial com o timbre do laboratório central, onde a última linha brilhava em letras garrafais pretas. A probabilidade de paternidade entre Balthazar Albuquerque e o menor Dante Silva Albuquerque constava como noventa e nove vírgula noventa e nove por cento.

O mundo ao redor do magnata simplesmente implodiu, transformando o teto triplo do escritório em um teto de cinzas sufocantes que desabou sobre sua cabeça. A verdade sobre a inocência de Fiorella e a existência de seu herdeiro legítimo o esmagaram como um soco de ferro no estômago, tirando-lhe todo o oxigênio.

"Aquele menino... o pequeno lobo que jogou café no meu terno... ele é o meu filho, Bruno, o meu próprio sangue que eu chamei de bastardo" balbuciou o tirano, com as pupilas dilatadas ao extremo e a voz falhando em um sussurro agonizante.

"Fiorella estava dizendo a verdade naquela noite de tempestade, Balthazar, ela nunca olhou para outro homem além de você" confirmou o doutor, recuando um passo ao notar a oscilação violenta que começou a tomar conta do corpo do CEO.

Memórias da noite de chuva de quatro anos atrás invadiram a mente de Balthazar como estilhaços de vidro quente, torturando cada célula de seu cérebro. Ele relembrou com precisão milimétrica o momento em que a arrastara pelos cabelos, ignorando os prantos da esposa e jogando-a descalça no asfalto quente da Alameda Lorena.

"Eu sou um monstro, um maldito animal paranoico que expulsou a própria esposa grávida para morrer na sarjeta!" rugiu o bilionário, o ego completamente destruído e dilacerado por uma culpa canibal que começou a devorar a sua alma.

Tomado por um surto de fúria autodestrutiva, ele desferiu um soco violento contra a parede de concreto revestida de mármore italiano, fazendo a estrutura rachar sob o impacto. O estalo dos ossos de sua mão direita quebrando ecoou pela sala, mas a dor física era absolutamente nula comparada ao tormento que queimava em seu peito.

"Balthazar, pare com isso agora mesmo, você vai acabar destruindo as suas mãos e não vai consertar o passado com essa violência!" gritou Bruno, tentando segurar os ombros rígidos do magnata sem sucesso.

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"Me solte, eu mereço sangrar até que não reste mais nenhuma gota deste sangue maldito dos Albuquerque nas minhas veias!" esbravejou o CEO, desferindo outro golpe cego contra o vidro fumê da janela até que a superfície ficasse manchada de vermelho.

O sangue escuro e espesso começou a gotejar de seus nós dos dedos fraturados, poçando sobre o tapete persa de valor inestimável que ele tanto prezava. Balthazar desabou de joelhos no centro do escritório luxuoso, encolhendo o corpo até adotar uma posição fetal no chão de sua própria holding.

"Fiorella, meu amor, por favor volte e me mate, arranque o meu coração com as suas próprias mãos, mas não me odeie desse jeito" chorou o homem mais temido do país, abraçando as próprias pernas enquanto soluçava como uma criança indefesa.

Enquanto o inferno psicológico consumia o que restava da sanidade do tirano, o ambiente na suíte presidencial do Hotel Fasano exalava uma paz quase divina. Fiora estava sentada na beira da cama king-size, vestindo um pijama de seda branca e segurando um livro de fábulas francesas clássicas em suas mãos limpas.

"A raposa olhou para o corvo e percebeu que a vaidade é a essência mais fácil de ser manipulada em uma floresta de tolos, Dante" leu a perfumista, com a voz suave e aveludada preenchendo o quarto iluminado pela luz do abajur.

"O corvo perdeu o queijo porque acreditou nos elogios de um predador comum, mamãe, um erro que nós jamais cometeremos" observou o pequeno prodígio, ajeitando o travesseiro com suas mãozinhas antes de fechar os olhos azul-escuro.

"Dorme bem, meu pequeno grande cavalheiro, o amanhã pertence inteiramente ao nosso laboratório e às nossas regras" sussurrou Fiora, beijando a testa do filho com um amor puro que jamais mostraria ao resto da alta sociedade paulistana.

Ela fechou o livro e caminhou até a sala de estar da suíte, onde Matías a aguardava com uma expressão sombria e um relatório confidencial da inteligência europeia aberto na tela do notebook. O conde francês levantou os olhos de forma séria, indicando que a investigação sobre a fraude médica de quatro anos atrás tomara um rumo inesperado.

"Os dados bancários que você exibiu na coletiva de imprensa revelaram uma segunda camada de criptografia que a Polícia Federal ainda não conseguiu acessar, Fiora" revelou o sócio, girando a tela na direção da perfumista.

"Antonella Ramos não tinha inteligência financeira suficiente para coordenar um apagão de dados desse porte na Suíça, quem estava por trás dela?" indagou ela, cruzando os braços com um interesse puramente calculista.

"As transferências de dinheiro para o perito que simulou o acidente saíram diretamente de uma conta fantasma de Tião Albuquerque, o tio sênior do conselho da holding" disparou Matías, desvelando o verdadeiro arquiteto das tragédias familiares.

"Aquele velho de sorriso fácil e abraços calorosos estava tentando destruir o casamento do sobrinho para assumir o controle total dos ativos da empresa" deduziu Fiora, com os olhos de âmbar brilhando com uma frieza mortal.

"Ele usou a paranoia doentia de Balthazar como uma arma cirúrgica para afastar você e garantir que a dinastia ficasse sem um herdeiro direto" acrescentou o francês, fechando o notebook com um estalo seco.

Enquanto a conspiração interna da holding era desmascarada na calada da noite, uma nova tempestade de proporções bíblicas começou a desabar sobre os arranha-céus da avenida Paulista. Os relâmpagos cortavam o céu cinzento de São Paulo, iluminando a silhueta de Balthazar que abandonava o edifício da holding com as mãos enfaixadas às pressas e as roupas desalinhadas.

Ele empurrou o motorista para fora do veículo blindado de alta potência, assumindo o volante com a mão esquerda saudável e pisando no acelerador com uma fúria suicida. O carro rugiu pelas avenidas alagadas, rasgando as poças de água da chuva enquanto os limpadores de parabrisa mal davam conta do dilúvio que caía.

"Eu preciso ver os olhos dela, eu preciso implorar para que ela me deixe tocar no nosso filho nem que seja pela última vez antes de eu morrer!" gritava o bilionário para o painel do automóvel, com o rosto desfigurado pela dor física e pelo sofrimento da culpa.

As lágrimas se misturavam ao suor frio que escorria por sua mandíbula rígida, enquanto o veículo derrapava no asfalto molhado em direção aos Jardins. 

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