Capítulo 8: O Banquete dos Tubarões (A Tomada da Empresa)
O abraço possessivo de Matheus no meio daquela estrada escura da serra selou não apenas a proteção de Helena, mas o início da fase mais sangrenta daquela retribuição.
Poucas horas após o esquadrão de elite apagar as pistas da emboscada, o cenário mudou para o salão de mármore do luxuoso hotel Fasano, onde a elite empresarial se reunia para um banquete a portas fechadas.
O ambiente exalava o cheiro de charutos caros e perfumes importados, servindo de palco para o que a família de Lucas acreditava ser o jantar de salvação de seus negócios.
Isabella e o pai adotivo de Helena, com sorrisos ensaiados e taças de cristal nas mãos, tentavam convencer os últimos investidores estrangeiros de que a crise da holding era apenas um boato passageiro.
"Os boatos sobre a nossa insolvência são completamente infundados, e o conselho já aprovou a nova emissão de debêntures" mentia o pai adotivo, rindo alto para esconder o suor frio que brotava em sua testa.
"A nossa gestão é impecável, e aqueles que tentaram nos derrubar nas sombras já foram devidamente eliminados do mercado" acrescentou Isabella, ajeitando o colar de pérolas com uma arrogância renovada.
De repente, as imensas portas duplas do salão nobre foram abertas simultaneamente pelos seguranças particulares de Matheus Monteiro, interrompendo o fluxo das conversas. Helena cruzou o umbral com a imponência de uma divindade nórdica, vestindo um terno de alfaiataria risca-de-giz que exalava uma autoridade inquestionável.
Matheus caminhava logo atrás, mantendo uma distância estratégica que permitia a Helena atrair todos os holofotes e flashes ocultos da imprensa corporativa para si. A engenharia financeira arquitetada pelo bilionário nas últimas setenta e duas horas havia sido silenciosa, letal e absolutamente incontestável.
"O que essa maldita está fazendo aqui dentro após o que aconteceu na serra?" sussurrou Isabella, empalidecendo instantaneamente enquanto a taça quase escorregava de seus dedos.
"Seguranças, retirem essa intrusa imediatamente antes que eu chame a polícia por invasão de propriedade privada!" ordenou o pai adotivo, batendo a mão na mesa de jantar.
Helena não se deu ao trabalho de responder ao insulto, caminhando com passos firmes e pausados até a cabeceira da imensa mesa retangular onde os principais acionistas estavam sentados.
Dr. Alencar surgiu das sombras logo em seguida, abrindo uma pasta de couro legítimo e distribuindo as notificações judiciais de última instância para cada membro do conselho.
"Sugiro que o senhor meça muito bem as suas palavras antes de gritar com a nova dona deste império, senhor Almeida" advertiu o Dr. Alencar, com um sorriso gélido que fez os investidores estrangeiros se entreolharem.
"Isso é uma piada de extremo mau gosto, os meus advogados controlam a maioria absoluta das ações votantes desta companhia!" esbravejou o patriarca da família traidora, desdobrando o papel com as mãos trêmulas.
"Os seus advogados controlavam o mercado até ontem, mas o fundo de investimentos sob o comando da senhorita Helena acaba de adquirir setenta por cento das ações em circulação" informou Matheus Monteiro, com uma voz grave que silenciou o salão inteiro.
O choque absoluto paralisou os músculos de Isabella, que sentiu o peso da realidade esmagar o restante de sua arrogância aristocrática perante os maiores bilionários do país.
Helena manteve-se de pé, controlando o espaço com uma frieza magnética que atraía o respeito imediato de uns e o temor absoluto de outros.
"A partir deste exato segundo, a holding da família Almeida não passa de uma casca vazia sob a minha administração direta" declarou Helena, fixando o olhar cortante nos olhos de seus ex-carrascos.
"Você não pode fazer isso conosco, Helena, nós somos a sua única família real e cuidamos de você desde a sua infância!" gritou Isabella, quebrando o protocolo social e avançando em direção à mesa.
"Você não passa de uma ladra de joias e de vidas, Isabella, e a sua diversão às custas do meu suor terminou definitivamente hoje" rebateu a nova CEO, sem alterar o tom de voz calmo.
Helena ergueu a mão direita e fez um sinal sutil para Vitor, o líder do esquadrão tático que aguardava a um canto estratégico do salão de gala. A humilhação da família traidora precisava ser pública, completa e sem qualquer direito a termos de conciliação amigável.
"Revogue imediatamente todas as mesadas, cartões corporativos, coberturas funcionais e direitos de imagem vinculados a esses dois parasitas" ordenou Helena, assinando a destituição com uma firmeza cirúrgica.
"Você vai me pagar por isso, sua órfã maldita, eu vou destruir a sua reputação antes de sair desta empresa!" berrou o pai adotivo, sendo erguido pelos braços fortes dos seguranças de elite.
O homem tentou resistir ao cerco dos guarda-costas de Matheus, debatendo-se contra o terno caro enquanto era arrastado em direção à saída de emergência sob os olhares de desdém da elite paulistana.
Antes de cruzar a soleira da porta, ele parou por um segundo e virou o rosto vermelho de fúria na direção de Helena, disparando uma última cartada desesperada.
"Você acha que venceu este jogo, mas mal sabe que o acidente que matou os seus pais e quase tirou a sua vida na infância foi planejado por quem está bem ao seu lado!" ameaçou o velho, rindo de forma insana antes de ter a boca amordaçada por Vitor.
As palavras cortantes do patriarca ecoaram pelas paredes de mármore do Fasano, deixando um rastro de dúvida e mistério que fez os olhos de Helena brilharem com uma desconfiança imediata. Ela lançou um olhar rápido de soslaio na direção de Matheus, tentando decifrar o enigma por trás daquele gancho sombrio lançado do passado.
Matheus permaneceu com a fisionomia perfeitamente impassível, embora um vinco quase imperceptível tenha surgido entre suas sobrancelhas ao ouvir a menção ao segredo de infância.
Ele caminhou até a cabeceira da mesa e puxou a imensa cadeira de couro presidencial, oferecendo-a à sua aliada com um gesto de pura deferência corporativa.
"O trono está vago e o mercado financeiro aguarda o seu primeiro pronunciamento oficial como a nova líder absoluta, Helena" sussurrou o magnata das sombras, ignorando deliberadamente as ameaças do homem expulso.
Helena absorveu o impacto da revelação ocultada por anos em seu peito, mas guardou a sede por respostas para o momento adequado da investigação. Ela caminhou até a cadeira de CEO com a postura de quem finalmente retomava o que lhe fora roubado com sangue.
A herdeira sentou-se na cadeira principal da diretoria, cruzou as pernas elegantemente sob o olhar atento dos maiores investidores do país e apoiou os cotovelos sobre a mesa de mogno.
Ela olhou para as telas que registravam os gráficos corporativos da empresa da sua família biológica antes de proferir a sentença definitiva.
"Senhores acionistas, declaro formalmente a falência irreversível de todos os ativos da antiga gestão e o início da nossa nova era" concluiu Helena, selando o destino da alta sociedade com um sorriso gélido.