《A Rainha do Abismo: A Noiva Sombria do Magnata》Capítulo 5

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Capítulo 5: O Tapete Vermelho do Inferno (O Leilão Público)

O ar condicionado do salão de leilões nos Jardins mantinha a temperatura artificialmente gelada, mas o verdadeiro frio que dominava o ambiente vinha do olhar impiedoso de Helena.

Vestida com um tailleur impecável de grife internacional, ela observava cada movimento da alta sociedade paulistana acomodada nas primeiras fileiras estofadas de veludo vermelho.

Isabella ocupava uma poltrona de destaque ao lado de empresários decadentes, tentando disfarçar o pânico interno com um sorriso forçado e joias que mal podia pagar.

A falência iminente da holding familiar ainda não era manchete oficial, mas o desespero por manter as aparências forçara a rival a arriscar tudo naquele leilão beneficente de arte.

"Ela acha que um colar de diamantes falsos ou comprados com dinheiro roubado vai esconder o cheiro de falência que exala por todos os poros" sussurrou Camila, a jornalista de fofocas mais temida da alta sociedade, encostando-se discretamente ao lado de Helena.

Camila trabalhava como a peça principal no tabuleiro de informações da herdeira, garantindo que cada vexame público fosse amplificado para as redes sociais em tempo real.

Helena ajustou os botões de seu blazer com calma absoluta, mantendo os olhos fixos no martelo de marfim do leiloeiro que estava prestes a iniciar os lances.

"Garanta que cada palavra e cada lágrima de desespero dela sejam transmitidas ao vivo para os portais de celebridades, Camila" ordenou Helena, com a voz baixa e cortante.

"Pode deixar comigo, pois os meus leitores adoram ver uma alpinista social despencando do salto alto" respondeu a jornalista, abrindo o bloco de anotações com um sorriso felino.

O leiloeiro pigarreou ao microfone e apresentou a peça principal da noite, um colar de esmeraldas raras que Isabella cobiçava publicamente havia semanas para ostentar nas revistas.

Assim que o valor inicial foi anunciado, Isabella levantou a raquete de lances com entusiasmo, acreditando que finalmente reconquistaria um pingo de prestígio social.

"Duzentos mil reais na primeira oferta" anunciou o leiloeiro, apontando para a direção onde Isabella sorria vitoriosa para os fotógrafos presentes.

Antes que o martelo pudesse descer para sacramentar a venda, Helena ergueu sua própria raquete dourada com uma elegância desdenhosa e postura inabalável.

"Dois milhões de reais" disparou Helena, com um tom de voz cristalino que ecoou por todo o salão e fez o leiloeiro travar instantaneamente.

O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelos flashes frenéticos das câmeras que se voltaram imediatamente para a mulher que acabara de dar um lance absurdo. Isabella virou o rosto com violência, sentindo o sangue sumir do rosto ao reconhecer a silhueta da rival que todos julgavam estar morta no fundo do mar.

"Isso é um absurdo! Como ela ousa aparecer aqui depois de tudo..." balbuciou Isabella, agarrando o braço do empresário ao seu lado com unhas trêmulas.

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O leiloeiro recuperou o fôlego e confirmou o valor estratosférico, batendo o martelo sem dar chances para qualquer tréplica da concorrente falida.

Helena esboçou um sorriso sutil, saboreando o gosto agridoce da humilhação pública que recaía sobre os ombros daquela que tentara roubar sua vida.

"Parece que o orçamento da nossa querida Isabella acabou logo no primeiro item da noite" comentou Camila ao lado de Helena, contendo o riso com a ponta dos dedos.

A segunda peça da noite entrou no palco, um quadro valioso que Isabella havia prometido arrematar para garantir capa nos jornais de domingo.

Novamente, assim que Isabella tentou dar um lance modesto, Helena dobrou a aposta com uma frieza assustadora, vencendo a disputa sem pestanejar.

"Vendido para a senhora Helena Monteiro por cinco milhões de reais" proclamou o leiloeiro, curvando-se levemente em sinal de respeito ao poder financeiro avassalador daquela mulher.

Isabella já não conseguia esconder o ódio e a humilhação estampados em sua face, cujos traços se deformavam em uma careta de pura ira incontrolável. Ela levantou-se abruptamente da cadeira, jogando a raquete no chão de madeira com um baque seco que atraiu todas as lentes para o seu surto.

"Você é uma desgraçada cínica que deveria estar apodrecendo embaixo da terra!" gritou Isabella, perdendo totalmente a compostura diante da imprensa estarrecida.

Helena virou o rosto lentamente na direção da rival, mantendo a serenidade de uma rainha intocável diante de um ataque infantil e patético.

Ela caminhou com passos firmes até o centro do palco, onde o leiloeiro segurava o colar de esmeraldas recém-arrematado em uma bandeja de prata.

"Entregue esta peça diretamente à equipe de reciclagem de metais preciosos, pois não suporto o cheiro de imitação barata perto de mim" ordenou Helena em voz alta, fazendo questão de que cada convidado ouvisse o insulto.

O murmúrio no salão transformou-se em gargalhadas abafadas e comentários maldosos direcionados à herdeira falida, que tremia de raiva e vergonha. Isabella sentiu as lágrimas quentes de desespero queimarem seus olhos, percebendo que havia perdido absolutamente tudo o que tentara usurpar.

Helena aproveitou o momento de dispersão geral e caminhou calmamente em direção à saída lateral do salão, onde a esperava uma pequena mesa de apoio reservada. Ao pegar sua bolsa de couro de grife deixada sobre o móvel, seus dedos tocaram em um pequeno papel de textura grossa que não pertencia aos seus pertences originais.

Ela abriu o bilhete anonimamente deixado ali, lendo uma mensagem impressa com letras recortadas que trazia uma ameaça velada sobre o passado de seu falecido pai. Um calafrio rápido percorreu sua espinha, mas foi imediatamente soterrado pelo ódio implacável que alimentava sua sede de justiça.

"Parece que os velhos ratos do passado começaram a sair dos bueiros ao sentirem o cheiro de sangue" pensou Helena, guardando o papel misterioso no compartimento secreto da bolsa.

Isabella, completamente fora de si, correu pelo corredor lateral na tentativa de interceptar a rival antes que ela deixasse o recinto em segurança.

O segurança particular de Matheus bloqueou a passagem da mulher descontrolada com a rigidez intransponível de uma estátua de ferro.

Helena parou a centímetros da rival acuada, inclinando-se levemente para sussurrar em seu ouvido com uma doçura venenosa e cortante.

"Isso é apenas o primeiro pagamento dos juros da dívida impagável que vocês contraíram comigo, então preparem-se para o resto" sibilou Helena, antes de virar as costas com absoluta elegância.

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