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《Quando a Flor Murcha》Capítulo 13

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Parecia saber que eu ia partir hoje.

Não perguntei porque estava ali, pois ele teria sempre uma razão.

Aproveitei a boleia e entrei no carro.

Ao aterrar em Pequim e sair da zona de desembarque, vi-o imediatamente.

Ele estava entre a multidão, de sobretudo escuro, sem nada nas mãos.

Aproximei-me e parei.

"Porque estás aqui?"

"Vim no voo a seguir ao teu."

"Porque vieste para Pequim?"

"Já não estás em Xangai, por isso vim."

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

"Até quando pretendes continuar com esta insistência?"

Ele olhou nos meus olhos.

"Não é insistência. Só quero estar na mesma cidade que tu."

"Faz diferença?"

"Faz," respondeu com firmeza.

"Insistência é quando não queres ver-me e eu forço. Estar na mesma cidade é, quando não queres ver-me, eu fico um pouco mais perto."

"Não te cansas?"

"Canso, mas é muito mais fácil do que os três anos em que esperaste por mim."

Passei por ele com a mala.

O táxi parou em minha casa e, ao sair, vi que ele tinha saído do carro que nos seguia, mantendo-se a alguns passos.

A minha mãe apareceu: "Julia, chegaste! Fiz comida boa, entra e prova."

Ela notou a presença dele atrás de mim e ficou paralisada.

Após um momento, disse: "Ah, tu também estás aqui... fiz alguns pratos, se calhar..."

A falta de convite era evidente.

Ele não podia não ter percebido, mas aproximou-se.

"Não faz mal, tia, não preciso de jantar, beber água chega."

Dada a relação entre as famílias, para não embaraçar a minha mãe, deixei-o entrar.

À mesa, os meus pais sentaram-se em silêncio.

Ele bebia água, olhando ocasionalmente para mim.

O meu pai perguntou de repente: "O que se passa entre vocês?"

O ar ficou pesado. Ele pousou o copo e endireitou-se.

"Tio, a culpa é minha."

"Ela é maravilhosa... mas eu não soube valorizá-la."

"Arrependi-me. Só quero que a minha vida tenha apenas a Julia."

Apertei os pauzinhos. A minha mãe ficou com os olhos húmidos.

O meu pai silenciou-se e perguntou-me:

"E tu, o que pensas?"

Capítulo 23

O ambiente na mesa congelou.

Todos olharam para mim.

Pousei os pauzinhos e bebi um pouco de água. "O passado ficou para trás. Nunca olho para trás."

A voz não era alta, mas clara.

A pele dele ficou branca, as mãos cerraram-se sobre os joelhos.

A minha mãe tentou falar, mas o meu pai travou-a com um olhar.

Ele não respondeu, apenas olhou para o copo de água.

Após muito tempo, levantou-se.

"Obrigado pelo jantar, vou-me embora."

Ao calçar os sapatos, demorou-se, como se esperasse que alguém dissesse algo.

Ninguém falou. A porta fechou-se.

A minha mãe suspirou: "É mesmo impossível?"

"Já não dá, mãe. Impossível voltar atrás."

Ela foi para a cozinha. O meu pai levantou-se e retirou-se.

Fiquei sentada com a comida já fria.

No dia seguinte, campainha. Ele estava lá com um saco.

"A minha mãe pediu para entregar isto, conservas feitas por ela."

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"Mais alguma coisa?"

"Quero fazer-te uma pergunta."

Ele continuou: "Ontem foste tão categórica... é porque já não gostas de mim ou porque aqueles três anos foram demasiado dolorosos?"

"Faz diferença?"

"Faz. Se não gostas, eu vou-me embora. Se é por causa daqueles três anos, posso passar a vida a compensar-te."

"Uma vida é muito tempo, como vais compensar?"

"Com a minha vida."

O tom era neutro, sem parecer bluff. Apertei o puxador da porta.

"Não preciso da tua compensação nem da tua vida. Vai-te embora."

Fechei a porta. Não ouvi passos, ele continuava lá.

Passado muito tempo, ouvi o elevador.

No terceiro dia, no supermercado, ele estava à porta com um saco de medicamentos.

Vi a etiqueta: "Tomar antes das refeições, por três meses."

Ele tinha dito que a recuperação era de uma semana.

Não perguntei. Já não tínhamos relação.

Ao caminhar, ele chamou-me.

"Não te disse a verdade."

"A úlcera é mais grave do que o esperado. Se não for bem cuidada, pode tornar-se maligna."

"Porque me dizes isto?"

"Tenho medo... medo de não ter mais tempo para te ver."

Ele aproximou-se. "Volta para casa, está calor."

À noite, o telemóvel iluminou-se.

【Julia, o que disse hoje não é para te enternecer.】

【Só queria dizer que, no tempo que me resta, quero que cada segundo seja sobre ti.】

【Que doença tens exatamente?】

【Úlcera gástrica com hemorragia, risco de malignidade, tenho de fazer exames regulares.】

【Quando soubeste?】

【Depois de partires.】

Não respondi. A lua lá fora parecia geada no chão.

A última mensagem chegou.

【Não tenhas pena de mim. Naqueles três anos em que te fiz esperar, ninguém teve pena de ti.】

Virei-me e escondi o rosto na almofada.

Capítulo 24

Fiquei a olhar para aquela mensagem, a luz do ecrã do telemóvel a fazer-me arder os olhos.

Ele tinha razão.

Naqueles três anos, ninguém teve pena de mim, nem eu própria me permiti ter.

Na manhã seguinte, a minha mãe bateu à porta do meu quarto.

"Julia, o pai do rapaz ligou ontem à noite."

Sentei-me: "O que aconteceu?"

"Ele teve uma febre alta ontem à noite, estava sozinho no apartamento e só esta manhã é que o pessoal da administração o encontrou e o levou para o hospital."

Agarrei o lençol com força.

A minha mãe olhou para mim, querendo dizer algo, mas hesitou, acabando por falar: "Não queres ir vê-lo? Afinal, cresceram juntos..."

"Não vou."

Interrompi-a, a voz mais rígida do que esperava.

A minha mãe suspirou, não disse mais nada e virou-se.

Depois de fechar a porta, fiquei sentada na beira da cama, a olhar fixamente para aquele pequeno raio de sol no chão.

O telemóvel vibrou. Uma mensagem da mãe dele.

【Julia, sei que não queres vê-lo. Mas ele não para de chamar pelo teu nome, desde a ambulância até agora. O meu coração dói tanto, podes vir vê-lo? Só um minuto.】

Olhei para a frase, escrevi algumas palavras e apaguei, repetidamente.

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Finalmente, enviei: 【Em que hospital ele está?】

Assim que enviei, mudei de roupa e saí.

Quando cheguei, a mãe dele estava à espera no corredor, com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.

Ela agarrou-me a mão: "Julia, ainda bem que vieste, ainda bem."

Caminhei até à porta do quarto e espreitei pelo vidro.

Ele estava deitado na cama, a pele branca como papel, com um cateter na mão e o monitor cardíaco a emitir sinais regulares.

Estava com os olhos fechados, os lábios a moverem-se, como se dissesse algo.

Não conseguia ouvir, mas, pela leitura labial, era o meu nome.

A mãe dele sussurrou ao meu lado: "Desde de manhã, nunca parou."

Fiquei à porta, a mão no puxador, mas sem conseguir abri-la.

De repente, ele abriu os olhos e olhou diretamente para a porta.

No momento em que os nossos olhares se cruzaram, os olhos dele brilharam, como os de alguém que se afoga e encontra um apoio.

"Julia..."

A voz estava tão rouca que quase não se ouvia, mas eu sabia que me chamava.

Abri a porta, entrei e fiquei junto à cama.

"Vieste," disse ele, a voz muito leve, forçando um sorriso nos cantos dos lábios. "Eu sabia que virias."

"Foi a tua mãe que me ligou," disse eu. "Não vim por vontade própria."

O sorriso dele vacilou, mas logo voltou.

"Não importa, o que conta é que estás aqui."

Olhei para ele. Aquela cara que vi durante vinte anos estava magra demais, as maçãs do rosto salientes, as órbitas fundas.

Tinha tantas críticas guardadas.

Mas, naquele momento, tudo estava preso na garganta, sem conseguir sair.

Ele estendeu a mão lentamente e agarrou o meu pulso.

Desta vez, não a afastei.

Porque a mão dele estava fria, fria como um carril de comboio no inverno.

"Julia," ele olhou nos meus olhos, com a voz muito suave. "Se desta vez for mesmo o meu fim, podes perdoar-me?"

A garganta ficou apertada, sem conseguir falar.

Os dedos dele, que seguravam o meu pulso, apertaram um pouco mais.

"Não precisas de me perdoar tudo, basta um pouco."

"Não me venhas com essas conversas."

Coloquei a mão dele de volta na cama e virei-me para sair.

"Julia."

Parei.

"Vens cá amanhã?"

Não respondi e saí do quarto.

Ao chegar ao fim do corredor, parei, encostei-me à parede e olhei para a luz da lâmpada no teto.

A luz era demasiado forte, fazendo-me arder os olhos.

Quando saí do hospital, o sol estava muito forte, fazendo-me semicerrar os olhos.

De repente, ele enviou uma mensagem.

【Julia, ainda há pouco agarraste a minha mão.】

【Estou tão feliz, foi a melhor coisa que me aconteceu ultimamente.】

Fiquei ali, debaixo do sol, a olhar para aquelas palavras.

Guardei o telemóvel no bolso, sem responder.

Mas os cantos dos meus lábios moveram-se sem controlo.

Tapei a boca com a mão e fiquei ali, sob o sol, durante muito tempo.

Capítulo 25

No dia seguinte, não fui ao hospital.

No terceiro dia, também não.

Ele enviava mensagens todos os dias, mas eu não respondia.

As chamadas, não atendi nenhuma.

Ao entardecer do quarto dia, a mãe dele ligou, a voz a tremer.

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