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《Quando a Flor Murcha》Capítulo 4

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Ele parecia estar bebendo; sua voz ora se aproximava, ora se afastava.

"Antes se oferecia para mim, agora para ele. Júlia, você não consegue aprender a ser um pouco mais contida?"

Justo quando eu ia desligar, ouvi sua voz baixar no receptor: "Vá embora, de qualquer forma, para mim tanto faz."

Pressionei a tela para encerrar, sentindo as unhas cravarem quatro marcas de meia-lua na palma da mão.

Embora as marcas fossem profundas, não senti dor alguma.

Nem um minuto se passou e ele ligou de novo; não atendi.

Na próxima vez, desliguei o aparelho.

Na manhã seguinte, levantei para arrumar as malas.

Minha mãe se aproximou e colocou um envelope vermelho na minha mão.

Tentei devolver, mas ela insistiu, pressionando sua mão sobre a minha, sem soltar.

"Quando chegar a Xangai, não se sacrifique."

Seus olhos estavam vermelhos, mas ela não deixou as lágrimas caírem.

"Entendido." Abracei-a e puxei a mala: "Mãe, estou indo."

A estação de trem estava cheia.

Arrastei a mala pelo saguão de embarque.

Na plataforma, pessoas iam e vinham; encontrei meu vagão, guardei a bagagem e sentei-me.

Na plataforma oposta, havia outro trem parado, seguindo para o sul, na direção contrária à minha.

Abri o WeChat para avisar minha mãe, mas vi que Sara havia feito uma publicação no feed.

A imagem mostrava dois bilhetes de trem lado a lado; uma mão esguia aparecia na foto, com um relógio novo que eu nunca tinha visto.

A legenda dizia: [Viagem de teste de casamento, partindo agora.]

Antes que eu pudesse passar pela postagem, a segunda surgiu.

Era a foto de uma porta, cuja numeração eu reconhecia.

[O quarto de núpcias já está sendo decorado, ansiosa pelo nosso novo lar.]

Fiquei encarando as palavras "nosso novo lar" por alguns segundos e desliguei o celular.

As portas se fecharam e o trem começou a se mover lentamente.

Levantei a cabeça e olhei para fora; na janela do vagão oposto, Lucas estava sentado ali.

Sara estava encostada em seu ombro, dizendo algo.

Mas ele não olhava para ela.

Seu olhar, atravessando dois vidros e dois trilhos de trem, pousou precisamente sobre mim.

Capítulo 7

Naquele instante, os sons ao redor pareceram se distanciar.

Eu só conseguia enxergar aquele rosto, familiar ao ponto de não poder ser mais.

No ensino médio, ele sentava na minha frente.

Nas sestas de verão, o ventilador da sala girava devagar; ele dormia sobre a mesa, o colarinho do uniforme movendo-se suavemente com o vento.

Naquela época, eu o observava escondida, sem ousar respirar fundo.

Na faculdade, comecei a escrever cartas de amor por ele, uma após a outra, e em nenhuma delas o remetente era meu nome.

Até o dia da formatura, quando ele me beijou.

Pensei que finalmente tinha chegado a minha vez, mas agora percebo que não passou de um sonho de juventude do qual eu me recusava a acordar.

O trem partiu, um indo para o norte, o outro para o sul.

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Os lábios de Lucas se moveram; reconheci o formato da boca, era meu nome.

[Júlia.]

Então, ele se levantou de repente.

Sara foi balançada pelo movimento dele e segurou seu braço.

Ele não se desvencilhou da mão de Sara, mas também não sentou.

O trem acelerou.

Seu rosto começou a embaçar; só consegui ver que ele permanecia de pé, olhando para o meu lado.

Até que, fora da janela, só restaram os trilhos vazios.

O celular no bolso vibrou; uma mensagem de Lucas.

[Para onde você vai?]

Em seguida, a terceira, a quarta, a quinta.

[Quando você comprou a passagem de trem?]

[Você foi com o Thiago?]

[Júlia, fale comigo!]

Não respondi.

Olhei para as mensagens surgindo, uma a uma, sentindo uma paz profunda, tão estranha que até eu mesma me sentia deslocada.

Abri a caixa de texto e digitei uma frase.

[Disse no Dia das Crianças: o destino não me reservou para você.]

Após hesitar por alguns segundos, enviei a segunda sentença.

[Não é uma provocação, é um aviso.]

Após enviar, não esperei por sua resposta.

Cliquei no avatar dele, apaguei o contato e confirmei.

A tela do celular ficou em silêncio, como uma porta que finalmente se fechou.

Do outro lado.

Lucas estava sentado no trem para o sul, fixo naquelas linhas de texto.

Sara ainda estava ao seu lado, perguntando o que houve.

Ele não respondeu, o polegar parado sobre o nome "Júlia" por um longo tempo.

Então, ele iniciou uma chamada de voz; o sinal de ocupado soou: uma, duas, três vezes...

A mensagem automática do sistema veio fria e clara.

"O destinatário não é seu amigo, por favor, envie uma solicitação de amizade primeiro."

A mão de Lucas travou no ar, o celular quase escorregou da palma.

Sara finalmente percebeu algo errado, sentou-se ereta e seguiu o olhar dele para a tela.

Ao ler o nome, sua expressão mudou.

"Lucas, para quem você está ligando?"

Lucas não respondeu; ele apenas se levantou abruptamente e caminhou em direção à conexão dos vagões.

O trem entrou em um túnel, e o rosto dele mergulhou na sombra.

Nesse momento, o celular tocou; era a mãe de Lucas.

Ele atendeu com a voz baixa: "Mãe."

Houve um silêncio do outro lado antes da pergunta: "Lucas, a Júlia foi embora, você sabia?"

Lucas apertou o celular com força: "Para onde ela foi?"

A mãe suspirou: "Xangai."

Lucas engoliu em seco: "Foi a passeio? Sozinha? Quando ela volta? Eu vou buscá-la!"

"Não foi a passeio, ela foi transferida a trabalho."

"A mãe dela me ligou agora há pouco e disse que... talvez ela raramente volte daqui para frente."

"Muito provavelmente, ela vai se estabelecer e morar por lá."

A cor no rosto de Lucas foi desaparecendo aos poucos.

Ele olhou pela janela; o trem já tinha percorrido uma longa distância.

De repente, lembrou-se do que dissera na noite anterior.

"Vá embora, de qualquer forma, para mim tanto faz."

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Acontece que algumas coisas, quando ditas, acabam se tornando realidade.

Ele baixou a cabeça, clicando repetidamente no avatar de Júlia.

Mas, não importava o quanto tentasse, só restava uma nota cinza: ele já tinha sido deletado.

Ela não lhe deixou sequer uma margem para brigar.

Nesse exato momento, o celular vibrou de novo.

Não era Júlia, era uma notificação do feed de Thiago.

Lucas abriu; na foto, a saída da estação de Xangai estava lotada.

Thiago estava no meio da multidão, segurando um café quente, a câmera capturando apenas metade de seu perfil.

A legenda continha apenas uma frase: [Vim buscá-la.]

Lucas fixou os olhos nessas palavras, o polegar esfregando a tela repetidamente.

Ele parecia incapaz até de dizer do que ela gostava de comer.

Na recepção do hotel, dois cartões de acesso foram entregues.

Lucas os pegou e entrou direto no elevador.

Até chegar ao quarto, não trocou uma única palavra com Sara.

Ele sentou-se na beira da cama e abriu o aplicativo de passagens.

Seu dedo ficou pairando sobre o nome "Xangai" por muito tempo.

Depois, bloqueou a tela; o visor escuro refletiu seu próprio rosto.

O celular vibrou.

Uma mensagem de voz da mãe de Lucas.

Ele clicou e ouviu o tom hesitante da mãe.

"Lucas, você ainda quer aquelas cartas velhas no seu guarda-roupa? Olhei e vi que são cartas que você escreveu para outras pessoas e não enviou, por que a caligrafia não parece a sua?"

Ele estava prestes a fechar a caixa de diálogo quando a próxima mensagem da mãe surgiu.

"Mas encontrei uma diferente no meio. O remetente é você, e o destinatário é... Júlia?"

Lucas levantou-se num salto.

Capítulo 8

O trem continuava em movimento, seguindo para o sul.

Lucas estava na conexão entre os vagões, a tela do celular apagando e acendendo, apagando e acendendo.

Ele apertou o aparelho com força, os nós dos dedos brancos contra a borda de metal.

Sara se aproximou e colocou a mão no braço dele.

Ele se desviou meio passo, um movimento tão leve que quase não foi notado.

Mas a mão de Sara ficou no vazio; ela levantou o olhar para ele, a curvatura de seus lábios paralisou por um instante, antes de retirar a mão e falar em tom neutro.

"Lucas, a próxima estação é onde fica nosso hotel, você ainda vai?"

Lucas não respondeu.

Ele fitava a janela, os trilhos se estendendo na escuridão da noite.

Para o sul, estava sua viagem de teste de casamento com Sara.

Para o norte, estava o trem dela.

Já tinha partido há muito tempo; os destinos eram opostos.

De volta ao assento, Sara não se encostou mais nele.

Lucas abriu a conversa com Júlia, fechou-a novamente e deixou o celular virado para baixo sobre os joelhos.

Ele abriu a galeria de fotos.

A última foto de Júlia ainda era da véspera de Ano Novo do ano passado; ela tinha reservado o restaurante e o esperou, enquanto ele se atrasou duas horas.

Na foto, ela sorria para a câmera, e os pratos na mesa estavam intocados.

Ele não tinha salvado a imagem; foi ela mesma quem pegou o celular dele e a salvou.

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