Minhas mãos ainda estavam rígidas ao segurar a jarra; troquei de mão e servi um copo de água morna.
"Como ela é?" A voz da minha mãe veio da sala, num tom de sondagem cautelosa.
Saí com o copo na mão e sentei-me na outra extremidade do sofá: "Muito simpática, bonita, sabe conversar."
Minha mãe virou-se um pouco e perguntou: "E eles... deu certo?"
"Sim, deu certo."
Olhei para a superfície da água que oscilava levemente no copo; minha voz saiu mais calma do que eu esperava.
"Até oficializaram nas redes sociais."
Minha mãe pegou o copo e suspirou.
"Você e o Lucas cresceram juntos, são vinte anos. Eu pensei..."
Percebi o lamento nas entrelinhas; o que ela não disse ficou suspenso, pesado, no ar.
Sorri e interrompi: "Mãe, ele e eu... não somos compatíveis."
Minha mãe abriu a boca, querendo dizer algo mais.
Coloquei o copo na mesa e tomei a iniciativa: "Mãe, aquele encontro que você mencionou da última vez... pode marcar para mim?"
Ela ficou estática, a expressão mudando de tristeza para surpresa: "Você aceita ir?"
Assenti.
"Mas você não disse que não queria conhecer ninguém?" ela perguntou, hesitante, quase sem acreditar.
De repente, lembrei da cena de Lucas arremessando as coisas pela janela.
Recuperei o pensamento e respondi com voz leve: "Antes era antes, agora eu quero conhecer."
Capítulo 5
Na tarde seguinte, sentei-me em uma mesa perto da janela em um restaurante de comida ocidental.
Do outro lado estava um homem de óculos, Thiago, um engenheiro.
Ele era mais bonito do que na foto, falava de forma gentil e tinha duas covinhas leves nas bochechas quando sorria.
Por coincidência, ele era um veterano da minha universidade.
Ele serviu uma xícara de chocolate quente para mim e sorriu ao empurrá-la em minha direção.
"Acho que já vi você antes. Você não ficava sempre no terceiro andar da biblioteca? Mas parece que não estava sozinha."
O líquido no café oscilou suavemente.
Thiago estava prestes a continuar quando uma voz familiar se intrometeu: "Thiago, quanto tempo."
Levantei a cabeça e vi Lucas se aproximando, com uma expressão comum.
Thiago também se levantou e cumprimentou com um sorriso: "Quanto tempo, Lucas."
Descobri que eles eram do mesmo time de basquete.
Após algumas gentilezas, Lucas olhou para mim.
Cruzamos os olhares, e eu desviei o meu primeiro.
Foi então que Sara surgiu atrás de Lucas.
Hoje ela usava um vestido rosa claro, o mesmo da foto oficial das redes sociais.
Thiago olhou para a mão de Sara, que segurava o braço de Lucas, e perguntou de forma exploratória: "Lucas, esta é..."
No segundo de espera pela resposta, peguei minha xícara e tomei um gole, sem olhar para eles.
Sara sacudiu o braço de Lucas discretamente, com os lábios levemente franzidos em um gesto mimado.
Lucas desviou o olhar e respondeu com voz suave: "Minha namorada."
A parede da xícara estava muito quente, e o calor queimava a ponta dos meus dedos.
Sara inclinou a cabeça, olhando para mim e para Thiago com curiosidade.
"E vocês? Também são como nós?"
Thiago riu suavemente e balançou a cabeça: "Não."
Após um breve momento, ele virou a cabeça para mim, seus olhos se curvaram e as covinhas apareceram.
Sua voz era gentil, mas sem hesitação.
"Estou tentando conquistá-la."
O rosto de Lucas escureceu e ele foi embora sem dizer mais nada.
Thiago acompanhou a silhueta de Lucas, fazendo uma pausa.
Ele parecia ponderar algo antes de mudar de assunto.
"Falando nisso, esse meu veterano era uma figura popular na faculdade. Inúmeras meninas o perseguiam, e ele não economizava em escrever cartas de amor para todas elas."
Meus dedos que seguravam a xícara se contraíram; forcei um sorriso.
Thiago, sem notar meu desconforto, continuou.
"Mas, pelo que sei, ele parece ter sido sincero com apenas uma pessoa."
O café que eu segurava esfriou aos poucos; a frieza da cerâmica contra a palma da minha mão penetrava até os ossos.
De quem ele falava? Da Sara, certamente.
Na faculdade, escrevi tantas cartas para ela em nome dele; quem mais ele poderia ter sido sincero senão com ela?
Baixei os olhos e sorri, sem responder.
Thiago colocou a xícara na mesa e olhou para mim, mudando para um tom de voz sério: "Júlia, acho que nos damos muito bem."
Levantei a cabeça e encontrei seu olhar.
"Podemos tentar continuar assim?" ele perguntou.
Não respondi imediatamente.
Ele não teve pressa; ficou ali, apenas me olhando em silêncio, esperando a minha resposta.
Alguns segundos depois, ele sorriu e acrescentou: "Se der certo, acho que serei o primeiro a postar nas redes sociais para oficializar."
Meus dedos se contraíram levemente.
Oficializar nas redes sociais no primeiro instante... essa frase foi algo que esperei por três anos, algo que implorei por três anos e nunca consegui.
Sendo dita pela boca de outra pessoa, soava tão casual e natural.
Não respondi, baixei a cabeça e mexi no café que já estava frio.
Thiago, sendo muito sensato, não insistiu.
Ao chegar em casa, minha mãe veio logo ao meu encontro, com expectativa nos olhos: "E então, como foi o Thiago que você conheceu hoje?"
Coloquei a bolsa no sofá e pensei um pouco: "Muito bom."
Minha mãe ficou surpresa: "O que quer dizer com 'muito bom'?"
Refleti um pouco e respondi honestamente: "Pelo menos ele disse que, se estivéssemos namorando, ele certamente faria questão de postar e oficializar para todo mundo ver."
Minha mãe sorriu sem entender: "Isso não é o básico? Isso conta como ser bom?"
É verdade, é apenas o básico.
Mas algumas pessoas, simplesmente, não conseguem fazer.
Não disse mais nada, apenas murmurei que estava cansada e entrei no quarto.
Ao fechar a porta, o mundo ficou em silêncio.
Deitei-me na cama e abri o e-mail que estava parado na minha caixa de entrada há um bom tempo.
Era uma oferta de emprego como gerente de projetos em uma filial em Xangai.
Desta vez, sem pensar duas vezes, cliquei em confirmar.
Capítulo 6
Quando a campainha tocou, eu tinha acabado de largar o celular.
Olhei pelo olho mágico e era Lucas.
Respirei fundo e abri a porta.
Ele estava parado no batente, a luz do corredor incidindo sobre seus ombros, e não consegui identificar bem a expressão em seu rosto.
"Onde está a chave do meu apartamento?", ele perguntou, com a voz mais grave que o habitual.
"O quê?", franzi a testa levemente. "Você veio até aqui só para recuperar essa chave?"
Ele não negou.
Virei-me, peguei a bolsa que estava no aparador e puxei o zíper.
Quando meus dedos tocaram a chave, uma frieza percorreu minha mão e chegou ao coração.
Apertei-a bruscamente e entreguei-a a ele.
Lucas a pegou, fechou a mão sobre ela e não foi embora.
Apoiei-me no batente da porta e esperei alguns segundos: "Mais alguma coisa?"
Após um momento de silêncio, Lucas franziu a testa: "Você não vai perguntar por quê?"
Balancei a cabeça: "Não precisa."
Levantei o olhar e encarei seus olhos: "Lucas, o que você descarta, você nunca mantém."
Ele engoliu em seco, seus lábios se moveram como se quisesse dizer algo.
Mas não lhe dei a chance.
"Devolvi a chave. Vá embora."
Dei um passo atrás e segurei a maçaneta.
Ele ficou parado à porta sem se mover; a luz do corredor se apagou, e na escuridão não consegui ver sua expressão.
"Júlia..."
"Hum."
Depois de uma longa pausa, ele disse: "Nada."
Ele se virou e foi embora sem olhar para trás. Fechei a porta e encostei-me nela.
Coloquei a mão no bolso e toquei o pingente de chaveiro vazio que restou.
Agora, sobrou apenas um aro solitário, parecendo um anel, mas também um laço de enforcamento.
A tela do celular iluminou-se de repente; uma mensagem de Lucas com sua habitual maldade e desejo de sondagem.
"Você e Thiago... é sério?"
Fixei o olhar na linha de texto, mas não respondi.
Saí da caixa de diálogo, silenciei as notificações de Lucas e desliguei o celular.
A tela escureceu e o quarto ficou em silêncio.
Assim que guardei o telefone, a tela acendeu de novo; Lucas estava ligando.
Olhei para o nome que saltava na tela e não atendi.
A chamada caiu sozinha, e após alguns segundos, tocou novamente.
Segunda, terceira vez... ele parecia determinado a continuar ligando até que eu atendesse.
Por fim, atendi, mas não disse nada.
"Júlia."
A voz de Lucas soava abafada: "Faz poucos dias que você conhece o Thiago e já se envolve com ele. Você sabe que tipo de pessoa ele é?"
"Isso é da sua conta?"
Houve uma pausa do outro lado, como se ele não esperasse essa resposta.
Em seguida, Lucas soltou um riso sarcástico, com aquele tom de escárnio desinteressado que me era tão familiar.
"Estou preocupado que você seja enganada e ainda ajude a contar o dinheiro. Afinal, você se rastejou por mim durante vinte anos e não parece ter aprendido nenhuma lição."
Apertei os dedos em silêncio.
"Mas é verdade, gente como você tem o destino de se oferecer a qualquer um."