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《Quando a Flor Murcha》Capítulo 2

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A mãe de Lucas percebeu, deu um risinho e brincou: "Júlia, a tia não te chamou hoje apenas para comer."

Ao ouvir isso, fiquei um pouco surpresa e levantei a cabeça.

A mãe de Lucas lançou um olhar significativo para Sara e depois para Lucas, inclinando-se um pouco para me perguntar:

"Sara é filha de um colega meu de trabalho, acabou de voltar de um intercâmbio no exterior. Lucas não é mais nenhuma criança, o que você acha deles dois juntos?"

Assim que as palavras foram ditas, os olhares de todos à mesa se concentraram em mim.

Apenas Lucas mantinha a cabeça baixa, seus dedos acariciando os pauzinhos inconscientemente.

Limpei o canto da boca com um guardanapo e forçei um sorriso: "Combinam bastante."

Só então Lucas levantou os olhos, com um ar rebelde e desleixado nas sobrancelhas, respondendo fingindo total desinteresse:

"Raro você dizer algo bom, já deveria ter sido tão sensata assim há muito tempo."

Capítulo 3

Após a fala de Lucas, Sara baixou a cabeça timidamente, suas bochechas tingidas por um leve rubor.

Minhas orelhas também queimavam levemente, mas de vergonha e indignação.

Lucas fez de propósito; ele estava me dizendo que uma mulher como Sara é a única que merece estar ao seu lado.

E que alguém como eu, que não conhece o seu lugar, só merece ser descartada por ele.

Não disse nada; estendi a mão para servir uma tigela de sopa de peixe.

A colher tremeu levemente, e algumas gotas de caldo fervente espirraram no meu pulso, formando instantaneamente uma marca vermelha e ardente.

Mas apenas recolhi a mão silenciosamente para baixo da mesa, sem deixar que ninguém visse.

A mãe de Lucas serviu um pouco de comida para Sara e, sorridente, comentou: "Lucas, você e Sara estão se dando tão bem, acho que deveríamos marcar um dia para as duas famílias definirem o casamento."

Lucas hesitou por um momento e então respondeu: "Certo, mãe, pode cuidar dos arranjos."

Assim que as palavras foram ditas, Sara segurou a mão dele, transbordando de felicidade. Lucas não se esquivou; seus dedos permaneceram quietos sobre a mesa, deixando-se levar pelo toque dela.

A sopa de peixe à minha frente acabara de sair do fogo, ainda soltando vapor. Esqueci-me de soprar e, pegando a tigela, tomei um gole grande.

O líquido escaldante desceu pela minha garganta, queimando todo o esôfago.

Ao passar pelo peito, senti como se algo estivesse sendo perfurado a fogo vivo.

Engasguei-me, tossindo violentamente, e meus olhos ficaram vermelhos na hora.

Três anos; eu implorei por um relacionamento público e nunca consegui.

Sara precisou de apenas um mês para garantir seu noivado.

Contive a amargura que transbordava no fundo dos olhos e recuperei a expressão calma.

A mãe de Lucas me cutucou com o cotovelo, rindo sem parar: "Júlia, parece que logo logo poderei segurar um neto no colo."

"Você também precisa se apressar, não espere o Lucas ser pai para você ainda estar solteira."

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Sorri: "Não, acho que comigo também não vai demorar."

Não era mentira; minha mãe tem marcado vários encontros às cegas ultimamente, e eu vinha recusando todos.

Mas agora, não havia mais motivo para recusar.

Afinal, Lucas não é mais a única opção no mundo.

O jantar terminou e me levantei para me despedir.

Ao sair do prédio, o vento noturno me atingiu, trazendo o calor úmido do início do verão.

Uma voz soou atrás de mim: "Júlia."

Olhei para trás.

Lucas, que acabara de colocar Sara no carro, correu em minha direção e parou diante de mim.

Com a luz do poste atrás dele, não consegui ver sua expressão.

Ele não falou nada, apenas estendeu a mão, na palma da qual repousava um elástico de cabelo preto.

Foi o que deixei no carro dele no dia do término.

As bordas já estavam gastas e velhas.

Lucas falou, com a voz muito calma: "Pegue de volta, não deixe a Sara ver e ter ideias erradas."

Dei um riso fraco, peguei das mãos dele; minhas pontas dos dedos tocaram sua palma, sentindo o calor por um instante.

Ele me olhou e disse: "Júlia, nós podemos, no futuro..."

No segundo seguinte, ergui o braço.

O elástico preto descreveu um arco curtíssimo no ar e caiu, sem ruído, dentro da lixeira ao lado.

As palavras de Lucas foram interrompidas bruscamente.

Ele fixou o olhar na lixeira, como se não pudesse acreditar que eu realmente o joguei fora.

"Você..." A voz dele travou na garganta; ele não conseguiu dizer mais nada por um longo tempo.

Olhei para sua expressão de choque e sorri levemente: "Nós não precisamos mais nos falar no futuro, para evitar que a Sara tenha ideias erradas."

Virei-me e caminhei em direção ao portão do condomínio. Atrás de mim, veio a voz de Lucas, contendo a raiva: "Júlia, pare aí."

Não parei.

Passos apressados me alcançaram, e Lucas agarrou meu pulso com uma força muito maior do que daquela vez no quarto.

"O que você quis dizer com aquilo agora há pouco?"

Fui forçada a parar; baixei os olhos para a mão dele, com os nós dos dedos bem definidos e as veias levemente saltadas.

Lentamente, puxei meu pulso de volta e levantei o rosto para encará-lo.

"Significa que... eu não quero mais."

Capítulo 4

A expressão de Lucas escureceu completamente, o maxilar tenso, seus olhos estreitos fixos no meu rosto.

"Júlia, o que exatamente você quer que eu faça?"

Não respondi, e ele insistiu: "Só por causa daquelas poucas palavras que te disse no dia em que terminamos?"

Um sorriso de escárnio surgiu no canto da minha boca.

Aquelas duas frases, que pesavam o suficiente para esmagar alguém, para ele soavam como uma brincadeira leve.

Lucas continuou, com um tom de impaciência.

"A Sara é mais fácil de agradar que você, ela nunca seria tão mesquinha."

A luz do poste iluminava o rosto de Lucas. Olhei para esse rosto por mais de vinte anos e, pela primeira vez, senti que era um estranho.

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"Então vá agradá-la."

A expressão dele se fechou de vez, e a voz, muito baixa, parecia sair entre dentes.

"Você acha mesmo que eu não vivo sem você?"

Olhei para ele, respondendo com o silêncio.

"Ótimo." Lucas forçou um sorriso.

Em seguida, deixou-me apenas com suas costas carregadas de raiva, virando-se e subindo as escadas em direção ao prédio.

A porta do prédio rangeu ao ser aberta e bateu pesadamente em seguida.

Também me virei e continuei andando para o portão.

Mal dei alguns passos, um estrondo ecoou atrás de mim.

Algo foi jogado da janela do segundo andar, quebrando-se no chão em vários pedaços.

Com a luz do poste, identifiquei um copo de cerâmica.

Foi feito por mim, meu primeiro presente de aniversário para ele.

No fundo do copo, ainda havia a etiqueta escrita à mão: "Para Lucas, feliz 23º aniversário."

Levei um mês queimando-o no forno, depois de desperdiçar mais de uma dúzia de tentativas, só consegui fazer esse que ficou minimamente apresentável.

Agora, estava quebrado.

Logo em seguida, o segundo objeto foi jogado.

Era o cachecol que tricotei, cinza, com pontos tortos, desmanchado e feito tantas vezes que meus dedos foram picados pelas agulhas inúmeras vezes.

Ele disse que era feio e não usava, mas todo inverno o deixava pendurado no fundo do armário.

Agora, foi jogado pela janela como uma bola, caindo perto do canteiro, coberto de terra.

O terceiro item, um relógio que ele dizia ter um estilo antiquado.

O quarto item, uma carteira que ele dizia estar fora de moda.

Ergui a cabeça, vendo apenas as coisas sendo arremessadas uma a uma, sem ver o rosto dele.

O som de cada coisa atingindo o chão soava como se alguém estivesse disparando contra o meu peito.

Não fiquei mais ali, apenas virei as costas e segui em frente.

No portão do condomínio, chamei um táxi. Ao entrar e fechar a porta, notei que minhas mãos estavam tremendo.

"Moça, para onde vamos?" perguntou o motorista.

Disse o endereço de casa, com a voz tão rouca que nem eu mesma me reconheci.

Assim que terminei, a tela do celular brilhou; uma notificação do feed de notícias.

Sara fez uma postagem oficializando o relacionamento.

Era uma foto dela com Lucas, com a legenda: "Finalmente esperei por você."

Na foto, seu sorriso era tão doce que chegava a doer. Ao fundo, via-se a sala de estar da casa de Lucas, com os pratos que usei há pouco ainda sobre a mesa.

O celular vibrou novamente. Uma mensagem de Lucas, cinco palavras quietas na tela:

"Júlia, você não disse que não queria mais?"

Em seguida, uma segunda mensagem:

"Então joguei tudo fora para você, de nada."

Eram onze da noite quando cheguei em casa.

Ao empurrar a porta, encontrei minha mãe sentada no sofá; a TV estava ligada, mas sem som.

Claramente, ela estava me esperando.

Ela virou o rosto para me ver: "Chegou?"

Seu olhar fixou-se em mim por um instante: "Ouvi dizer que a pessoa com quem o Lucas ia se encontrar também estava no jantar?"

Respondi com um "hum", larguei a bolsa no canto do sofá e fui até a cozinha buscar água.

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