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《Quando a Flor Murcha》Capítulo 1

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Capítulo 1

No Dia das Crianças, fui almoçar na casa do meu amigo de infância.

Após algumas gentilezas, a mãe dele suspirou de repente: "Vocês eram tão próximos quando crianças, por que não rolou nada quando cresceram?"

Lucas sorriu: "Talvez o destino não tenha sido suficiente."

Eu também sorri: "É, o destino não me reservou para ele."

Assim que terminei de falar, a expressão de Lucas escureceu um pouco.

A porta do quarto se fechou.

Lucas me prensou contra a parede, semicerrando os olhos enquanto levantava meu queixo.

"Julia, me diga, o que quer dizer com 'o destino não me reservou para você'?"

...

A respiração de Lucas pairava perto do meu ouvido.

Mas não senti nenhum clima; apenas um aperto no peito, e meu tom de voz seguiu o mesmo caminho.

"Lucas, sua mãe está lá fora, não a deixe ter ideias erradas."

Lucas soltou uma risada fria, aproximando o rosto um pouco mais, seus olhos estreitos fixos em mim: "O que seria uma ideia errada?"

Meus dedos se contraíram, mas ainda assim o empurrei com força, recuando um passo.

"Não se esqueça, terminamos há um mês."

Ele parou, com aqueles olhos profundos fixos em mim, sem se mover por um longo tempo.

Aproveitei a chance para passar por baixo de seu braço.

O quarto ficou silencioso.

Pelo resto do tempo, nenhum de nós disse uma única palavra.

Depois de três anos de um relacionamento secreto com Lucas, esse era o nosso único entendimento.

No entanto, no dia em que usei o término para forçá-lo a assumir o relacionamento, ele não ficou em silêncio como de costume.

Naquela noite, esperei na esquina até as duas da manhã; ele voltou embriagado, com uma marca de batom na gola.

Entreguei meu celular a ele, com o post que eu havia editado na tela.

"Ou assumimos, ou terminamos."

Lucas me olhou e escolheu a última opção sem hesitar.

"Tanto faz, não é como se me faltassem pretendentes."

Ele se encostou na parede, com um tom de voz tão casual como se estivesse comentando sobre o tempo.

"Já você, depois de mim, quem mais vai olhar duas vezes para você?"

Até hoje, não consigo me lembrar da expressão de Lucas naquele dia.

Lembro-me apenas de que, depois de dizer isso, ele atendeu a uma ligação da veterana Sara, e sua voz ficou imediatamente mais baixa e suave.

Então ele foi embora, do início ao fim, sem olhar para trás nem uma vez.

Mas não fiquei surpresa.

Afinal, nos quatro anos de faculdade, escrevi 47 cartas de amor para ele, cada uma assinada com o nome de outra pessoa.

Sara era uma delas.

Os amigos dele riam de mim: "Julia, como você não consegue nem ganhar o olhar dele?"

Eu rasgava o pão e ria: "É, no máximo, sou uma escritora fantasma gratuita."

Mais tarde, no dia da formatura, criei coragem e escrevi uma carta de confissão para ele, enfiando-a em sua gaveta.

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Aquela foi escrita para mim mesma, para que eu pudesse desistir de vez.

Lucas deu uma olhada e jogou direto no lixo: "A letra é muito feia, não escreva mais."

E, por coincidência, naquele mesmo dia, ele perdeu em um jogo de verdade ou desafio na festa.

Como punição, ele deveria beijar alguém do sexo oposto no local.

Ele levantou a mão, varrendo o olhar no sentido horário como um juiz, e parou em mim.

Após o beijo, ele sussurrou no meu ouvido: "Julia, vamos tentar."

Assim, depois da faculdade, comecei um relacionamento secreto de três anos com ele, que terminou há um mês.

Reunindo meus pensamentos, meu olhar atravessou o ombro de Lucas e pousou na estante de livros.

Na prateleira de cima, havia uma pilha de envelopes, todos escritos por mim e que ele nunca enviou.

Estavam amarrados com uma fita rosa; o nó não estava muito bem feito, caído para o lado.

Naquela época, Lucas achava que o acúmulo atrapalhava e me pediu para organizar, para que não ficasse espalhado pela mesa dele.

Eu fui realmente obediente naquela época; agora, olhando para eles, não sinto mágoa, nem ironia.

Apenas lembrei que aquela papelaria perto da escola foi demolida.

A dona costumava me perguntar: "Menina, escrevendo cartas de novo?"

Eu costumava acenar com a cabeça, corando.

Pensando bem agora, não há nada pelo que corar; as pessoas sempre cometem algumas bobagens sem valor.

Desviei o olhar e me virei para sair.

Assim que cheguei à porta, Lucas me puxou por trás.

A palma de sua mão estava muito quente; quando ele segurou meu pulso, senti um formigamento na pele.

"Júlia." A mãe de Lucas chamou da sala: "Lucas, a Sara chegou!"

Os dedos de Lucas se apertaram, mas ele não soltou imediatamente.

Lá fora, ouviu-se o leve som de saltos altos, e a voz de Sara veio em seguida, doce.

"Tia, será que cheguei cedo demais?"

A mãe de Lucas sorriu: "Não, imagina, vamos almoçar juntos."

Lucas soltou meu braço, olhou para mim e seu tom ficou mais grave.

"Espere um pouco, não diga nada bobo."

Antigamente, quando ele me olhava assim, eu ficava triste, pensando em não colocá-lo em uma situação difícil.

Mas agora não mais; puxei minha mão de volta.

"Lucas." Chamei seu nome completo pela primeira vez com tanta calma.

"Pode ficar tranquilo, não tenho interesse em mencionar nós dois, nem o passado."

O olhar dele mudou ligeiramente.

Continuei: "Só vim para almoçar."

Capítulo 2

Lucas não conseguiu dizer nada.

Não parei por um segundo sequer, e muito menos esperei que ele se recuperasse; empurrei a porta e saí.

Na sala, Sara estava de pé no centro.

Ela usava um vestido claro, segurava uma caixa de doces, e o sorriso em seu rosto congelou ao me ver.

Mantive uma expressão serena e acenei para ela com naturalidade.

"Olá." Minha voz soou tão calma que até eu mesma me surpreendi.

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Caminhei diretamente em direção à cozinha.

Logo atrás de mim, ouvi o som da porta do quarto se abrindo levemente; Lucas vinha logo atrás.

Sara, com o olhar perspicaz, observava a cena, alternando o foco entre ele e eu.

Eu não me importei nem um pouco, puxei calmamente o armário, peguei a louça e comecei a arrumar a mesa com lentidão.

Sara falou com uma voz suave, num tom carregado de uma sondagem deliberada: "Jú, você conhece este lugar tão bem, né?"

Antes que eu pudesse responder, Lucas se adiantou.

"Antigamente ela vinha se enfiando aqui, teimava em não ir embora, com o tempo, como não conhecer?"

Sua voz era displicente e carregada de uma frieza cortante.

Assim que terminou de falar, a mãe dele lançou-lhe um olhar severo.

Lucas baixou levemente o olhar, calando-se contrariado.

Apertei os pauzinhos de madeira em minha mão, uma amargura suave transbordou no fundo do meu coração, mas não senti nenhuma raiva ou mágoa.

Apenas tratei aquele comentário sarcástico como um vento sem importância passando pelos ouvidos.

Na verdade, não foi a primeira vez que Lucas me deixou constrangida em público.

Não chega a ser um costume, é apenas que, com o coração completamente frio, eu já não me importo mais.

Sara aproveitou para sentar-se ao lado de Lucas.

Caminhei diretamente para a outra ponta da mesa e escolhi o lugar mais distante dele.

Assim que me sentei, a mãe de Lucas estava prestes a dizer algo para me consolar.

Mas foi interrompida pela voz fria de Lucas: "Mãe, deixa ela."

As palavras "deixa ela" foram ditas sem ênfase, mas o ar na mesa de jantar ficou silencioso por um instante.

Baixei os olhos e sorri levemente: "Tia, ele tem razão, vim aqui para almoçar, qualquer lugar serve."

Ao ouvir isso, as sobrancelhas de Lucas se franziram imperceptivelmente.

O clima ficou um pouco estranho; Sara então apresentou o presente que tinha trazido para aliviar a tensão.

Ela entregou os presentes, um por um, para a mãe de Lucas e para ele.

Virou-se para mim, com um pedido de desculpas na medida certa no rosto.

"Pensei que seria apenas uma reunião íntima da família, não sabia que você também viria, por isso não preparei nada para você, peço mil desculpas."

Eu não me importei nem um pouco: "Não tem problema."

Enquanto falávamos, a mãe de Lucas serviu um pouco de comida para Sara e aproveitou para dizer:

"Júlia sempre foi muito grudada no Lucas quando era pequena, não desgrudava nem na ida nem na volta da escola. Em um Dia das Crianças, insistiu até em tirar uma foto com ele, dizendo que era foto de casamento."

Sara sorriu junto com a mãe de Lucas, curiosa, virou a cabeça para olhar para a pessoa ao seu lado: "Lucas, você ainda tem essa foto?"

"Já joguei fora." Lucas não levantou a cabeça, com um tom de voz monótono e rígido.

Meus pauzinhos não pararam, peguei um pedaço de carne refogada e levei à boca; depois de mastigar lentamente, meu tom de voz permaneceu calmo como sempre.

"Tia, a carne de hoje está bem macia, muito gostosa."

Do início ao fim, mantive uma expressão serena, como se aquela foto antiga, cheia das alegrias da juventude, não fosse eu sendo descartada casualmente por ele.

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