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《O Choro do Bebê no Ventre》Parte 6

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A descoberta da assinatura de Rafael Augusto Vasconcelos nos documentos da movimentação financeira mudou completamente o rumo da investigação.

Durante semanas, todos acreditaram que Teresa Vasconcelos Ribeiro e Felipe Henrique Vasconcelos eram os responsáveis por trás da tentativa contra Clara Beatriz Almeida Monteiro.

Mas agora existia uma nova pergunta.

Por que o nome de Rafael aparecia no documento que autorizava o pagamento ao médico?

No Hospital Israelita Albert Einstein, Clara recebeu a notícia em silêncio.

Eduardo Henrique Martins havia levado os documentos pessoalmente.

Ele sabia que aquela informação poderia destruir o pouco de confiança que ainda existia entre o casal.

Rafael estava ao lado da cama quando o advogado colocou os papéis sobre a mesa.

"Clara, eu preciso que você veja isso."

Ela olhou para o documento.

No topo estava o nome da empresa.

Grupo Vasconcelos Engenharia.

Mais abaixo, uma autorização financeira.

E no final da página.

A assinatura.

Rafael ficou olhando para o próprio nome como se estivesse vendo pela primeira vez.

"Isso não é possível."

Eduardo permaneceu sério.

"Eu também queria acreditar que era um erro."

Clara pegou o documento com as mãos trêmulas.

Ela reconhecia aquela assinatura.

Era exatamente igual à de Rafael.

Durante alguns segundos, ninguém falou.

Porque aquela era a única pessoa que ela ainda acreditava estar ao seu lado.

Rafael percebeu o olhar dela.

Um olhar cheio de dúvida.

E aquilo doeu mais do que qualquer acusação.

"Clara..."

Ela levantou os olhos.

"Você assinou isso?"

A pergunta era simples.

Mas carregava uma dor enorme.

Rafael respirou fundo.

"Eu não lembro desse documento."

Eduardo respondeu:

"Mas a assinatura está aqui."

Rafael passou a mão pelo rosto.

Ele tentou encontrar uma explicação.

Talvez alguém tivesse falsificado.

Talvez alguém tivesse usado seus documentos.

Mas a verdade era que tudo apontava para ele.

Naquele mesmo dia, a notícia chegou à imprensa.

E a família Vasconcelos enfrentou o maior escândalo de sua história.

Os jornais de São Paulo estampavam manchetes:

"Presidente do Grupo Vasconcelos pode estar envolvido em tentativa contra a própria esposa."

As câmeras cercavam a sede da empresa na Avenida Faria Lima.

Investidores exigiam respostas.

Funcionários começaram a questionar a liderança de Rafael.

A imagem do homem poderoso e respeitado começou a desaparecer.

Agora ele era visto como um possível criminoso.

Na televisão, comentaristas discutiam o caso.

"A pergunta principal é: Rafael Vasconcelos sabia do plano?"

Outro jornalista respondeu:

"Os documentos mostram que a autorização financeira saiu em nome dele."

Dentro da mansão, Teresa assistia às notícias.

Mas diferente dos dias anteriores, ela não parecia preocupada.

Pela primeira vez, um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.

Porque a suspeita havia mudado de direção.

Agora Rafael estava no centro da tempestade.

Felipe, que ainda tentava escapar do país, ligou para a mãe.

"Você viu as notícias?"

Teresa respondeu calmamente:

"Sim."

Ele parecia nervoso.

"Estão colocando Rafael como responsável."

Ela olhou pela janela.

"Às vezes, a verdade precisa ser apresentada da maneira certa."

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Felipe ficou em silêncio.

Ele conhecia a mãe.

Sabia que ela nunca deixava uma oportunidade passar.

Mas naquele momento, até ele começou a sentir medo.

Enquanto isso, no hospital, Clara enfrentava uma batalha interna.

Ela queria acreditar em Rafael.

O homem que ficou ao lado dela durante todos aqueles dias.

O homem que segurou sua mão quando todos acreditavam que ela estava morta.

O homem que prometeu proteger ela e a filha.

Mas as provas estavam diante dela.

E Clara sabia que o amor não poderia substituir a verdade.

Naquela noite, ela ficou olhando para Rafael enquanto ele dormia sentado na cadeira ao lado da cama.

Ele parecia destruído.

Cansado.

Perdido.

Por alguns segundos, ela lembrou do dia em que se conheceram.

Rafael era diferente naquela época.

Ele não se importava com dinheiro.

Não se importava com o sobrenome.

Ele apenas queria construir uma vida com ela.

Mas agora havia uma dúvida.

Será que aquele homem ainda existia?

Na manhã seguinte, Delegada Mariana Carvalho foi até o hospital.

Ela precisava conversar com Clara.

"Encontramos novas informações."

Rafael levantou imediatamente.

"Sobre a assinatura?"

Mariana assentiu.

"Sim."

Ela abriu uma pasta.

"O documento foi criado dentro do sistema interno da empresa."

Clara ficou atenta.

"Então alguém da empresa fez isso?"

Mariana respondeu:

"Sim."

Rafael respirou aliviado por um instante.

Mas a delegada continuou:

"Porém, a autorização final precisa da assinatura do presidente."

O olhar dela voltou para Rafael.

Ele entendeu imediatamente.

Mesmo que não tivesse cometido o crime, alguém havia usado sua identidade.

Mas por quê?

Mariana continuou:

"Estamos investigando se houve falsificação."

Clara perguntou:

"E se não houve?"

A delegada ficou em silêncio.

Porque aquela era a pergunta que ninguém queria responder.

Se a assinatura fosse verdadeira, Rafael não seria apenas uma vítima.

Ele seria parte do plano.

Depois que Mariana saiu, o quarto ficou em silêncio.

Rafael aproximou-se de Clara.

"Eu sei o que você está pensando."

Ela não respondeu.

Ele continuou:

"Você está pensando se pode confiar em mim."

Clara desviou o olhar.

Porque era exatamente isso.

Ela amava Rafael.

Mas também havia aprendido que as pessoas mais próximas poderiam esconder os maiores segredos.

Rafael sentou-se ao lado dela.

"Clara, olha para mim."

Ela olhou.

Ele estava com lágrimas nos olhos.

"Eu não sei quem colocou minha assinatura nesse documento."

A voz dele falhou.

"Mas eu sei uma coisa."

Ele segurou a mão dela.

"Eu nunca tentaria tirar você da minha vida."

Clara ficou em silêncio.

Rafael respirou fundo.

"Se for necessário, eu mesmo vou provar minha inocência."

Ele olhou diretamente para ela.

"Se você precisar, pode ser você quem vai me entregar para a polícia."

Clara ficou surpresa.

"Rafael..."

Ele continuou:

"Se algum dia você descobrir que eu fiz isso, não me proteja."

Uma lágrima caiu do rosto dele.

"Você pode me mandar para a prisão."

Aquelas palavras mostravam que ele não estava tentando escapar.

Ele estava disposto a perder tudo para provar que não era o homem que parecia ser.

Mas Clara ainda estava dividida.

Porque uma parte dela queria acreditar.

E outra parte lembrava que quase morreu por confiar nas pessoas erradas.

Naquela tarde, Eduardo continuou investigando os documentos antigos.

Ele descobriu algo estranho.

A assinatura de Rafael não aparecia apenas naquela autorização.

Existiam outros documentos relacionados à transferência de dinheiro.

Todos assinados digitalmente.

Todos aprovados durante os últimos meses.

E todos ligados ao mesmo período em que Clara começou a investigar a empresa.

Enquanto isso, na Mansão Vasconcelos, Teresa recebeu uma visita inesperada.

Era um antigo funcionário do grupo.

Ele entregou uma caixa pequena.

"Isso estava guardado no arquivo antigo."

Teresa abriu.

Dentro havia cópias de contratos.

Documentos.

E uma fotografia antiga.

Ela segurou a foto por alguns segundos.

Porque nela apareciam três pessoas.

Teresa.

Rafael.

E uma quarta pessoa que ninguém havia mencionado até aquele momento.

O funcionário perguntou:

"A senhora quer que eu destrua isso?"

Teresa ficou olhando para o passado.

Depois respondeu:

"Não."

Ela guardou a fotografia.

"Agora isso pode ser útil."

Na mesma noite, Clara recebeu uma correspondência sem remetente no quarto do hospital.

Ela abriu lentamente.

Dentro havia apenas uma folha.

Sem assinatura.

Sem explicação.

Mas uma frase escrita à mão fez seu sangue gelar.

"Clara, a pessoa que realmente tentou destruir você dorme ao seu lado todas as noites."

Ela olhou para a porta do quarto.

Rafael estava ali.

Segurando a pequena bolsa da filha.

E pela primeira vez desde que acordou no caixão, Clara sentiu medo do homem que mais amava.

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