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《O Choro do Bebê no Ventre》Parte 2

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As luzes brancas do Hospital Israelita Albert Einstein iluminavam o quarto silencioso onde Clara Beatriz Almeida Monteiro permanecia deitada.

Durante horas, os médicos acompanharam cada mudança em seu estado. O coração dela ainda estava fraco, mas estável. O corpo de uma mulher que deveria estar em um funeral agora lutava para continuar vivendo.

A notícia já havia tomado conta de São Paulo.

A mulher que todos acreditavam estar morta tinha acordado.

Nas redes sociais, jornalistas cercavam a entrada do hospital tentando descobrir o que realmente havia acontecido na Mansão Vasconcelos.

Alguns diziam que tinha sido um milagre.

Outros falavam em um erro médico.

Mas poucas pessoas imaginavam que por trás daquela história existia uma verdade muito mais perigosa.

No quarto, Rafael Augusto Vasconcelos permanecia sentado ao lado da cama.

Ele não havia saído dali desde que Clara chegou.

Segurava a mão dela como se tivesse medo de perdê-la novamente.

Cada vez que fechava os olhos, lembrava do momento em que tocou o pulso dela dentro do caixão.

O momento em que percebeu que quase havia enterrado a mulher que amava.

A porta abriu lentamente.

A médica responsável entrou acompanhada de uma enfermeira.

"Senhor Rafael, ela está reagindo bem aos medicamentos."

Rafael levantou imediatamente.

"Ela vai ficar bem?"

A médica respirou fundo antes de responder.

"Ela passou por uma situação extremamente grave. O corpo dela recebeu uma dose muito alta de sedativos. Precisamos observar as próximas horas."

Rafael olhou para Clara.

"E o bebê?"

A médica suavizou a expressão.

"A bebê resistiu. Mas sua esposa precisa evitar qualquer tipo de estresse."

Rafael fechou os olhos aliviado.

A filha deles ainda estava viva.

Depois que as médicas saíram, o quarto voltou ao silêncio.

Alguns minutos depois, Clara começou a se mexer.

Seus dedos apertaram levemente a mão de Rafael.

Ele percebeu imediatamente.

"Clara?"

Ela abriu os olhos devagar.

Durante alguns segundos, parecia não reconhecer onde estava.

Depois olhou para Rafael.

E lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela.

"Eu achei que nunca mais veria você."

Rafael aproximou-se.

"Eu achei que tinha perdido você."

Clara tentou falar, mas sentiu dificuldade.

Rafael chamou a enfermeira.

Porém Clara segurou seu braço.

"Não."

Ele parou.

"Clara, você precisa descansar."

Ela balançou a cabeça.

"Eu preciso contar."

O olhar dela mudou.

Não era apenas tristeza.

Era medo.

Um medo verdadeiro.

Rafael sentiu um arrepio.

"O que aconteceu naquela noite?"

Clara respirou lentamente.

Olhou para a porta fechada.

Como se tivesse medo de que alguém pudesse ouvir.

"Rafael... alguém tentou me matar."

Ele ficou imóvel.

"Quem?"

Clara fechou os olhos por alguns segundos.

As lembranças começaram a voltar.

Na manhã anterior ao funeral, Clara estava no escritório particular do Grupo Vasconcelos Engenharia.

Ela havia ido até lá para organizar alguns documentos antes de uma reunião importante.

Como uma das principais acionistas, ela tinha acesso aos relatórios financeiros da empresa.

No começo, tudo parecia normal.

Até que um número chamou sua atenção.

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Uma transferência milionária feita para uma empresa desconhecida.

Depois outra.

E outra.

Clara passou horas analisando os documentos.

Quanto mais procurava, mais descobria.

O dinheiro da empresa estava sendo retirado aos poucos.

Milhões de reais desapareciam através de contratos falsos.

E o responsável por aprovar aquelas movimentações tinha um nome.

Felipe Henrique Vasconcelos.

O próprio irmão de Rafael.

Clara não conseguia acreditar.

Ela conhecia Felipe desde que ele era jovem.

Sempre havia tratado o cunhado como um irmão.

Mas naquele momento percebeu que a pessoa sorrindo nos almoços de família poderia estar destruindo tudo pelas costas.

Ela decidiu conversar com Rafael naquela noite.

Precisava contar toda a verdade.

Mas antes disso, recebeu uma visita inesperada.

Teresa Vasconcelos Ribeiro apareceu no escritório.

Elegante como sempre.

Com um olhar frio.

"Clara, você está mexendo em coisas que não entende."

Clara lembra daquela frase como se tivesse acabado de ouvir.

Ela respondeu:

"Eu entendo muito bem os números da empresa. E também entendo quando alguém está roubando."

Teresa não demonstrou surpresa.

Apenas se aproximou lentamente.

"Você acha que pode chegar nessa família e mudar tudo?"

Clara ficou olhando para ela.

"Eu não quero mudar sua família, Teresa. Eu quero impedir que ela destrua o próprio nome."

Naquele momento, Clara percebeu.

Teresa sabia.

Ela sabia de tudo.

Sabia das transferências.

Sabia das mentiras.

Sabia do plano.

Quando Clara contou essa parte, Rafael ficou sem reação.

"Minha mãe sabia?"

Clara segurou a mão dele.

"Sim."

A voz dela tremia.

"Ela sabia que Felipe estava roubando a empresa."

Rafael levantou.

Começou a andar pelo quarto.

Ele tentava negar.

Tentava encontrar alguma explicação.

Mas todas as peças começavam a se encaixar.

O comportamento da mãe.

A pressa do médico.

A calma de Felipe.

Tudo.

"Por que você não me contou antes?"

Clara baixou os olhos.

"Eu tentei."

Ela respirou fundo.

"Mas naquela noite eles chegaram antes."

Rafael voltou para perto dela.

"O que eles fizeram?"

Clara começou a chorar.

"Eu estava em casa. Teresa apareceu dizendo que queria conversar comigo."

Ela parou.

A lembrança era dolorosa.

"Ela levou um chá."

Rafael ficou imóvel.

"Depois disso, meu corpo começou a ficar pesado."

Ela olhou para as próprias mãos.

"Eu tentei levantar. Tentei chamar ajuda. Mas não conseguia me mexer."

O quarto ficou em silêncio.

"Eu ainda conseguia ouvir."

A voz dela ficou mais baixa.

"Ouvi Felipe dizendo que ninguém acreditaria em mim depois que eu estivesse morta."

Rafael sentiu a raiva crescer.

"E minha mãe?"

Clara fechou os olhos.

"Ela disse que era a única maneira de proteger a família."

Rafael virou o rosto.

As lágrimas apareceram.

Não pela morte.

Mas pela traição.

A mulher que deveria proteger seu filho tinha tentado destruir a mulher que ele amava.

Naquele momento, a porta do quarto abriu.

Delegada Mariana Carvalho entrou acompanhada de dois investigadores.

Ela observou Clara por alguns segundos.

"Senhora Clara, desculpe incomodar. Precisamos conversar enquanto sua memória está fresca."

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Rafael ficou ao lado da esposa.

"Ela acabou de acordar."

Mariana assentiu.

"Eu sei. Mas cada minuto pode ser importante."

Clara concordou.

Ela sabia que precisava falar.

Durante o depoimento, a delegada ouviu cada detalhe.

As transferências.

A conversa com Teresa.

O chá.

A tentativa de esconder sua morte.

Quando Clara terminou, Mariana permaneceu alguns segundos em silêncio.

Então perguntou:

"Senhora Clara, a senhora acredita que sua família tentou apenas tirar seu patrimônio?"

Clara olhou para Rafael.

Depois para a delegada.

Sua resposta saiu firme.

"Eles não queriam apenas me matar."

Todos ficaram em silêncio.

Clara continuou:

"Eles queriam que eu desaparecesse para sempre."

A frase ficou no ar.

Mariana trocou um olhar com os investigadores.

Aquilo mudava completamente o caso.

Não era apenas uma tentativa de fraude.

Era uma tentativa de apagar uma pessoa.

Uma mulher.

Uma mãe.

Uma herdeira.

Depois do depoimento, a polícia iniciou uma busca pelos objetos pessoais de Clara.

Principalmente seu celular.

O aparelho havia desaparecido na noite em que ela foi encontrada desacordada.

Durante horas, investigadores analisaram imagens das câmeras da Mansão Vasconcelos.

Até que uma gravação chamou atenção.

Felipe aparecia entrando no quarto de Clara minutos depois que ela havia perdido os sentidos.

Ele carregava uma pequena bolsa.

A mesma bolsa onde Clara costumava guardar seus documentos.

A polícia conseguiu rastrear o último sinal do aparelho.

Ele não estava longe.

Estava escondido dentro da própria mansão.

Naquela noite, investigadores retornaram ao Jardim Europa.

Teresa recebeu a equipe tentando manter a calma.

"Vocês não podem invadir minha casa sem uma ordem."

A delegada mostrou o documento.

"Temos autorização para procurar provas relacionadas a uma tentativa de homicídio."

O rosto de Teresa mudou.

Pouco depois, um investigador encontrou uma caixa escondida atrás de um painel de madeira no escritório principal.

Dentro dela estava o celular de Clara.

Rafael, que acompanhava tudo, sentiu o coração acelerar.

"Esse é o celular dela."

Mariana pegou o aparelho com cuidado.

Mas quando os técnicos conseguiram desbloquear o conteúdo, encontraram algo inesperado.

Havia um arquivo de vídeo oculto.

Criado poucas horas antes da tentativa de assassinato.

O nome do arquivo era simples.

"Se algo acontecer comigo."

Todos ficaram em silêncio.

Mariana apertou o botão para abrir.

A tela começou a carregar.

E antes que o vídeo mostrasse a primeira imagem, apareceu uma mensagem:

"Gravação iniciada automaticamente."

Rafael segurou a respiração.

Porque naquele momento todos perceberam que Clara havia deixado uma prova.

Uma prova capaz de destruir completamente a família Vasconcelos.

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