"Dê-me um ano." Levantei a cabeça e olhei em seus olhos. "Daqui a um ano, não importa se eu tiver me entendido ou não, eu te darei uma resposta."
"Tudo bem." Ele estendeu a mão. "Prometido."
Olhei para sua mão, com as articulações bem definidas; a marca do anel no dedo anelar ainda estava lá.
Eu a segurei.
Sua mão estava muito quente, muito mais que a minha.
A chuva continuava caindo lá fora; os relâmpagos se sucediam, e o trovão estrondava no céu.
Mas, naquele momento, senti uma imensa paz.
"Gabriel."
"Sim."
"Sobre sua mãe... o que você pretende fazer?"
Sua mão apertou um pouco mais a minha: "As evidências já foram entregues à polícia. Amanhã, eles agirão no país."
"Você realmente não se arrepende?"
"Meu maior arrependimento é não ter descoberto isso há três anos", disse ele, olhando nos meus olhos. "Deixando você sofrer tanto sozinha."
Não respondi; apenas encostei a testa em seu peito.
Ele ficou rígido por um instante e, então, lentamente levantou a mão, pousando-a sobre o meu cabelo.
"Durma", disse ele. "Vou esperar você adormecer antes de ir."
Acenei com a cabeça.
Naquela noite, dormi profundamente.
No sonho, não havia Beatriz, nem a mãe de Gabriel, nem o bebê perdido.
Apenas o Gabriel de dezoito anos, segurando margaridas, perguntando-me com as orelhas vermelhas:
"Elena, você poderia gostar um pouquinho de mim?"
E no sonho, eu respondi exatamente o que disse na época: "Eu gosto de você, gosto desde sempre."
Capítulo 20
Na manhã seguinte, fui acordada pelo toque do celular.
Era Chen Qing.
"Elena, veja as notícias! Sua sogra foi presa no país! E Beatriz desapareceu do hotel na madrugada de hoje! O quarto dela está vazio e as malas também!"
"O Sr. Gabriel pediu para eu te avisar para ficar no quarto e não sair; ele já enviou pessoas para procurá-la—"
Sentei-me bruscamente e corri para o quarto de Gabriel, ao lado.
Vazio.
No criado-mudo, havia um bilhete com sua letra:
"Beatriz pode ir atrás de você. Não abra a porta; eu vou procurá-la. Espere por mim."
Apertei o bilhete, com os dedos tremendo.
A chuva tinha parado, mas o céu ainda estava cinza.
Beatriz desapareceu.
Gabriel foi atrás dela.
E eu, sozinha em um quarto de hotel vazio, sem saber o que aconteceria a seguir.
Voltei para o meu quarto, tranquei a porta e usei uma cadeira para travar a maçaneta.
Dois guarda-costas vigiavam o andar de baixo, mas se Beatriz tivesse realmente enlouquecido, quem saberia de onde ela apareceria?
Sentei-me no sofá, abraçando os joelhos, minha mente repetindo as palavras anteriores: a mãe de Gabriel presa, Beatriz desaparecida, Gabriel foi atrás dela.
O bebê de três anos atrás finalmente teria justiça.
Mas não me sentia nem um pouco feliz.
Apenas me sentia cansada, uma exaustão que parecia vir de dentro dos ossos e que eu não conseguia afastar.
O celular vibrou; era uma mensagem de Gabriel: "Ela apareceu perto do apartamento onde você morava antes; vou dar uma olhada. Fique no hotel, não vá a lugar nenhum."
Respondi: "Está bem."
Então, comecei a esperar.
O tempo passava devagar, como se cada minuto fosse esticado.
Caminhei até a janela e levantei um canto da cortina para olhar — na estrada em frente ao hotel, havia um carro branco parado.
Meu coração contraiu-se violentamente.
Eu já tinha visto aquele carro.
Na porta da Rue du Sentier, 47, Beatriz tinha descido daquele veículo.
Fechei a cortina rapidamente, recuei alguns passos e liguei para Gabriel.
"Ela está em frente ao meu hotel", minha voz tremia. "Aquele carro branco, parado na beira da estrada."
Do outro lado da linha, houve um silêncio de um segundo: "Chego em um minuto; não se aproxime da janela."
Agachei-me, escondida atrás do sofá, com a mão que segurava o celular coberta de suor.
Não sei quanto tempo passou; quando levantei a cabeça novamente, o carro tinha desaparecido. De repente, ouvi batidas na porta. "Pum, pum, pum", cada batida parecia atingir meu coração.
"Cunhada, eu sei que você está aí." A voz de Beatriz veio de fora, com uma calma que arrepiava a pele. "Abra a porta, vamos conversar."
Não respondi.
Ela bateu mais três vezes: "Cunhada, você acha que essa porta pode me parar?"
"Ou você está esperando que Gabriel venha te salvar? Você está enganada; ele não pode vir, já contratei alguém para impedi-lo."
Assim que terminou a frase, ouviu-se um passo apressado no corredor.
Não eram saltos altos, eram sapatos de couro.
"Beatriz." A voz de Gabriel era fria como gelo. "Vire-se."
Houve um momento de silêncio do lado de fora.
Então, ouvi Beatriz rir, uma risada que fazia o couro cabeludo formigar: "Irmão Gabriel, você chegou rápido."
"Foi minha gente que não tem competência, ou Elena é importante demais para você? Importante a ponto de você arriscar a própria vida para salvá-la?"
"Olhando para todos esses ferimentos em você, deve ser a segunda opção, não é?"
Ferimentos?
Tremei da cabeça aos pés e estava prestes a abrir a porta para verificar.
Gabriel falou antes de mim: "Estou bem. Não abra a porta."
Capítulo 21
Recuei a mão que estava na maçaneta.
Do lado de fora, a voz de Beatriz soou novamente, carregada de um ódio cortante: "Irmão Gabriel, fiz tanto por você, mas seus olhos só veem ela! O que ela tem de tão bom? Ela merece?"
Ouvi os passos de Gabriel se aproximarem e, em seguida, um baque surdo, como se alguém tivesse sido empurrado contra a parede.
"Se ela merece ou não, não é você quem decide." Sua voz era baixa, quase como se fosse expelida do fundo do peito: "Se você se aproximar dela mais um passo, não sairá viva de Paris."
A risada de Beatriz cessou subitamente.
O corredor ficou em silêncio por um longo tempo.
Então, ouvi Beatriz dizer, com um tom quase de resignação: "Você acha que, ao me prender, tudo acabou? Gabriel, as coisas que sua mãe fez são muito piores do que as minhas; eu fui apenas a faca em suas mãos."
"Eu sei." A voz de Gabriel não oscilou: "Por isso ela também não escapará."
Do lado de fora, ouviu-se o som de algemas; ele trouxera a polícia.
Recostei-me no sofá, sentindo minhas forças drenadas, como se tivessem sido arrancadas de mim.
Os passos lá fora foram se afastando.
Ouvi Gabriel trocar algumas palavras com os policiais e, então, o corredor ficou completamente silencioso.
Após alguns minutos, meu celular tocou.
"Ela foi presa." A voz de Gabriel estava um pouco rouca: "Pode abrir a porta."
Levantei-me, com as pernas um pouco fracas.
Caminhei até a entrada, afastei a cadeira e destranquei a porta.
Gabriel estava parado do lado de fora, pálido e com manchas de sangue por toda a roupa.
"Você está ferido?" Minha voz tremia.
"Não é nada." Ele levantou a mão e sacudiu levemente: "É sangue dos outros."
Não acreditei; puxei-o e o examinei minuciosamente de cima a baixo até ter certeza de que ele dizia a verdade, e só então me acalmei.
Ele me olhou; as luzes do corredor eram tão fortes que era possível ver os vasos sanguíneos rompidos em seus olhos.
Ele falou de repente.
"Elena, se hoje eu realmente..."
Antes que terminasse a frase, estendi a mão e cobri sua boca: "Isso não vai acontecer."
Ele ficou atordoado por um instante e, então, abriu um sorriso, puxando-me para um abraço tão apertado que senti como se ele quisesse me fundir aos seus próprios ossos e sangue.
As coisas finalmente chegaram a um desfecho.
Três dias após a prisão de Beatriz, voamos de volta para o país.
Não porque eu o tivesse perdoado, mas porque a polícia precisava do meu depoimento.
O caso do bebê, ocorrido há três anos, foi finalmente aberto; como vítima, eu precisava comparecer ao tribunal para depor.
Quando o avião pousou, chovia em Xangai.
O mesmo clima de três meses atrás, quando parti.
Desta vez, porém, Gabriel estava sentado ao meu lado, segurando minha mão, sem soltá-la um momento sequer, do início ao fim.
Não retirei minha mão.
Fora do aeroporto, havia muitos repórteres — a notícia de que a esposa do presidente do Grupo Gu era suspeita de lesão corporal seguida de aborto estava no topo dos assuntos mais comentados há três dias.
Xiao Zhou organizou uma saída alternativa, e conseguimos evitar a todos.
Fiquei em silêncio durante todo o trajeto até o centro da cidade.
Gabriel também não disse nada.
Até que o carro parou em frente a um edifício desconhecido.
"Onde é isso?" perguntei.
"Uma casa que comprei." Ele disse: "Não é a antiga mansão, nem onde morávamos antes. É nova, só eu sei deste lugar."
"Por que me trouxe aqui?"
Ele virou-se para me olhar, com um olhar profundo: "Porque você precisa de um lugar seguro, porque não quero que ninguém te perturbe novamente, e porque..." Ele hesitou: "Esta é a única promessa que posso te fazer."
Desci do carro e o segui para dentro do prédio.
O elevador parou no vigésimo oitavo andar, e ele abriu a porta.