localização atual: Novela Mágica Moderno Almas trocadas, verdades não ditas Capítulo 11

《Almas trocadas, verdades não ditas》Capítulo 11

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"Quando você me deu a passagem—".

"Dei-te a passagem para que você escolhesse. Você escolheu partir, eu não te impedi" ele me interrompeu: "Mas nunca disse que concordava com o divórcio; aquele acordo, eu rasguei há muito tempo".

Fiquei paralisada.

"Quando você rasgou?".

"No dia em que você partiu" ele disse: "Você escolheu a passagem, eu te respeitei. Mas não desisti do casamento".

Minhas lágrimas caíram.

"Gabriel, afinal, o que você quer?".

"Quero que você esteja segura" ele levantou a mão para limpar minhas lágrimas.

"Quero que você volte para o meu lado. Mas não agora, não de forma forçada, então— você ficará na suíte do hotel, eu ficarei ao lado, dois quartos, sem interferência. É apenas para facilitar que os guarda-costas te protejam".

Mordi o lábio, lutando comigo mesma por muito tempo.

No final, balancei a cabeça.

Enquanto arrumava a mala, fiz de propósito com lentidão. Dobrava as roupas, tirava-as e as dobrava novamente.

Gabriel ficou encostado no batente da porta observando, sem me apressar.

"O que você teme?" ele perguntou de repente.

Minha mão parou.

"O que temo?" perguntei de volta.

"Medo de ficar no mesmo hotel, medo de estar perto demais de mim, medo de—" ele fez uma pausa: "Medo de amolecer o coração".

Não respondi, porque tudo o que ele disse era verdade.

Eu tinha medo de que, por estar perto demais dele, eu esquecesse as mágoas.

Tinha medo de que, ao ver a luz acesa no quarto dele até tarde, eu sentisse pena, e medo de que, ao ouvi-lo dizer "não desisti", eu não conseguisse resistir e me jogasse nos braços dele.

Tinha medo de que toda a força que demorei tanto para reunir se despedaçasse diante dele.

Mas agora, eu não tinha escolha.

Capítulo 18

O carro parou na entrada do hotel, e ao descer, vi o nome do estabelecimento: Le Meurice, um dos hotéis-palácio mais antigos de Paris.

Hospedar-se aqui é bem o estilo dele.

Quando o recepcionista o viu, seu olhar pousou brevemente sobre mim antes de entregar dois cartões-chave.

"Sr. Gabriel, sua suíte fica no sétimo andar, e o quarto ao lado já está preparado."

Ao lado.

Estávamos realmente separados por apenas uma parede.

Uma parede muito fina.

Tão fina que, às vezes, eu conseguia ouvir sons fracos vindos do outro lado — o ruído abafado de sapatos de couro no carpete, o leve tilintar de uma xícara pousada sobre a mesa, e ocasionalmente uma tosse curta.

Já estivemos muito mais próximos do que isso, e já fizemos coisas muito mais íntimas do que apenas morar um ao lado do outro.

Mas não sei se foi o fato de estarmos separados por tanto tempo, o que me deixava temer sair e vê-lo, ou ter que conviver no mesmo ambiente.

Passamos três dias assim, sem interferir na vida um do outro.

No terceiro dia, Gabriel descobriu a verdade sobre o que aconteceu há três anos.

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Naquela tarde, quando cheguei da rua e abri a porta do quarto do hotel, vi-o sentado no sofá da sala.

Sobre a mesa de centro, havia uma pilha de documentos e um notebook.

Ele levantou a cabeça e seus olhos estavam avermelhados.

"Elena." Sua voz estava rouca, irreconhecível. "Aquele bebê—"

Meu coração contraiu-se violentamente.

"Não foi um acidente." Seus dedos apertavam os documentos, as articulações esbranquiçadas. "Foi minha mãe. Ela empurrou você."

Fiquei parada onde estava, sentindo todo o meu sangue gelar.

Na verdade, eu já suspeitava.

No momento em que caí da escada, olhei para trás e vi aquela mão, e a pulseira de jade que ela usava.

Mas nunca cheguei a confirmar.

Porque, e daí se eu confirmasse? Ela era a mãe dele.

Ela não me aceitava, achava que eu não era digna, e por isso não queria que eu desse à luz um herdeiro da família. O que eu poderia fazer? E o que Gabriel poderia fazer?

Eu deveria pedir que ele denunciasse a própria mãe por minha causa?

Por isso, escolhi não dizer nada.

Escolhi guardar aquela imagem na parte mais profunda da minha memória e fingir que tinha sido apenas um acidente.

"Você sabia?" Gabriel, ao ver minha expressão, sentiu a voz falhar ainda mais. "Você sempre soube?"

Não respondi, mas as lágrimas fizeram o trabalho por mim.

Ele levantou-se bruscamente e puxou-me para um abraço.

Um abraço apertado, tão forte que eu conseguia sentir seu tremor.

"Por que não me contou?" Sua voz estava abafada no meu cabelo. "Por que carregou isso sozinha por três anos?"

"Se eu te contasse, você teria acreditado?" Minha voz era leve. "Ela era sua mãe. Se eu dissesse que foi ela quem me empurrou, você teria acreditado?"

Seu corpo ficou rígido.

"E mesmo que acreditasse, o que você poderia fazer? Mandá-la para a prisão?" Empurrei-o e olhei diretamente em seus olhos. "Gabriel, eu não queria te colocar em uma situação difícil. Por isso escolhi carregar sozinha."

Suas lágrimas finalmente caíram.

Foi a primeira vez que vi Gabriel chorar.

Não foi por emoção, nem por culpa.

Foi por dor.

Dor por saber que eu carreguei tudo sozinha por três anos, por engolir todas as humilhações, e por ter que chamar de "mãe" a pessoa que causou a morte do meu filho depois de perdê-lo.

"Desculpe." Sua voz quebrou em mil pedaços. "Desculpe, eu não sabia, eu não sabia de nada..."

"Pare." Levantei a mão para cobrir sua boca. "Não diga mais nada."

Ele segurou minha mão e a pressionou contra o próprio rosto.

"Vou fazê-la pagar." Seu olhar mudou, tornando-se frio e impiedoso. "Não importa se ela é minha mãe."

"Você—"

"Já pedi aos advogados que cuidem disso." Ele disse. "Com provas concretas, lesão corporal seguida de aborto, é o suficiente para deixá-la alguns anos atrás das grades."

Abri a boca, querendo dizer "não precisa", mas as palavras não saíram.

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Porque eu pensava naquele bebê há três anos.

Em todas as madrugadas, em todos os sonhos, em cada vez que eu via o carrinho de bebê de alguém.

Eu senti ódio.

Mas o que mais sentia era impotência.

Agora, alguém dizia que faria justiça por aquele bebê.

Eu não podia dizer que "não precisava".

"Gabriel." Disse suavemente. "Você tem certeza? É sua mãe."

"Ela não é minha mãe." Sua voz era fria como gelo. "Desde o momento em que ela empurrou você, ela perdeu o direito a esse título."

Lá fora, o céu de Paris escureceu de repente; uma tempestade estava a caminho.

Capítulo 19

O temporal veio durante a noite.

Deitada na cama, ouvindo o som da chuva, revirava-me sem conseguir dormir, com a mente ocupada pela imagem de Gabriel, de olhos vermelhos, dizendo "ela vai pagar".

O celular vibrou de repente.

Era uma mensagem de Gabriel: "Está acordada?"

Fiquei olhando para aquelas palavras por um longo tempo e respondi apenas duas: "Não estou."

Um minuto depois, a campainha tocou.

Coloquei um robe e fui abrir a porta. Gabriel estava do lado de fora, vestindo um pijama escuro, com o cabelo um pouco bagunçado, como se tivesse acabado de se levantar da cama.

"Não consigo dormir", disse ele.

Dei espaço para ele entrar.

Ele caminhou até a janela panorâmica, olhando para a paisagem noturna de Paris, agora borrada pela chuva. Fiquei atrás dele, a um metro de distância, e nenhum de nós falou nada.

"Elena." Ele começou de repente.

"Sim."

"Quando tudo isso acabar, podemos recomeçar, por favor?"

Olhei para suas costas; os ombros pareciam um pouco mais estreitos do que antes, e ele tinha emagrecido.

"Eu não sei", respondi honestamente. "Ainda preciso de tempo."

Ele virou-se e olhou para mim.

"Tudo bem." Ele não se aproximou, apenas ficou parado diante da janela. "Vou te dar tempo. Quanto tempo for necessário."

Um relâmpago iluminou o céu, iluminando seu rosto.

Naquele rosto, havia cansaço, expectativa e a tensão de quem teme ser rejeitado.

De repente, lembrei-me dele aos dezoito anos, segurando margaridas, parado na minha frente com as orelhas totalmente vermelhas.

Doze anos se passaram, e ele ainda era aquele mesmo garoto que ficava tenso, que sentia medo e que batia na minha porta em uma noite de tempestade.

Apenas nós dois havíamos mudado.

Tornamo-nos mais cautelosos, mais covardes, mais temerosos em dizer "eu te amo" com facilidade.

"Gabriel." Dei um passo à frente.

"Sim."

"Você disse no aeroporto que me esperou por quarenta e cinco dias."

"Sim."

"E se eu te pedisse para esperar mais um ano?"

Ele silenciou por três segundos.

"Eu espero." Sua voz era muito leve. "Esperarei três anos, ou dez."

"E se eu nunca conseguir me entender durante toda a vida?"

Ele sorriu de repente, uma curva muito pequena, mas eu vi.

"Então eu esperarei por você a vida inteira", disse ele. "De qualquer forma, no final seremos eu e você. Não sairei perdendo."

Mordi o lábio, querendo rir e chorar ao mesmo tempo.

"Gabriel, você é um idiota?"

"Sim." Ele veio até mim, parou à minha frente e levantou a mão para tocar meu rosto, mas desistiu. "O idiota de Elena."

Abaixei a cabeça, e minhas lágrimas caíram no carpete, silenciosas.

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