localização atual: Novela Mágica Moderno Almas trocadas, verdades não ditas Capítulo 6

《Almas trocadas, verdades não ditas》Capítulo 6

PUBLICIDADE

Ele tirou a corrente do pescoço, enfiou o anel nela e a pendurou no peito.

Ele se deitou novamente e fechou os olhos.

Zhou chegou às nove horas.

Quando ele empurrou a porta e entrou, Gabriel já tinha se lavado e estava sentado na cama do hospital comendo o café da manhã.

Mingau, ovo, conservas; comeu tudo até não sobrar nada.

Zhou estava na porta, com o celular na mão, ofegante.

“Sr. Gabriel, a patroa reservou um voo para Paris. Ainda dá tempo de chegar ao aeroporto; verifiquei a rota, não há engarrafamentos—”

Gabriel não o respondeu, apenas continuou comendo o café da manhã.

Zhou estava ansioso: “Sr. Gabriel!”

Gabriel apertou os hashis com força e disse suavemente: “Não vá perturbá-la.”

Zhou silenciou por um momento e virou-se para sair.

Gabriel virou a cabeça para olhar pela janela; o céu estava cinzento, como seu coração relutante em deixá-la partir.

“Elena,” disse ele baixinho, “você me pediu para te esperar, eu te espero, mas seja rápida.”

Ele acariciou o anel em seu peito e acrescentou:

“Não me deixe esperar por muito tempo.”

Capítulo 10

No dia em que Gabriel recebeu alta do hospital, Beatriz foi buscá-lo.

Ela vestia um sobretudo bege, com o cabelo solto sobre os ombros e um buquê de lírios brancos nas mãos, parada na entrada do hospital. O vento soprava seu cabelo, e os pacientes e familiares que passavam não conseguiam evitar olhar duas vezes.

Realmente bonita.

Mas não era Elena.

Elena nunca vestia bege, ela dizia que essa cor a deixava com aparência de gorda.

Elena também não carregava lírios, ela dizia que o perfume dos lírios era muito forte e causava dor de cabeça.

Quando Elena ia buscá-lo, estava sempre de rosto limpo, com o cabelo preso em um rabo de cavalo qualquer, carregando o saco daquela loja de mingau que ele mais gostava.

“Gabriel.” Beatriz veio ao encontro dele sorrindo. “A tia pediu para eu vir te buscar.”

Gabriel olhou para ela e não pegou o buquê.

“Vamos.”

O sorriso de Beatriz congelou por um instante, mas logo ela o colocou de volta e o seguiu até o carro.

O interior do carro estava muito silencioso. O motorista dirigia concentrado e Beatriz estava sentada ao lado dele, com o corpo levemente voltado para ele.

“Gabriel, a Elena foi para a França?”

“Sim.”

“Por quanto tempo?”

“Não sei.”

“Vocês... tiveram algum problema?” O tom dela era muito cauteloso, como se tivesse medo de pisar em minas terrestres. “Se precisar de ajuda em algo, pode falar.”

Gabriel virou a cabeça para olhá-la.

Seu olhar era muito calmo, tão calmo que fez a espinha de Beatriz gelar.

“Beatriz, o que você está celebrando?”

O sorriso de Beatriz congelou completamente.

“Eu não estou...”

“Minha esposa apenas foi espairecer, ela vai voltar.” Gabriel a interrompeu; sua voz não era alta, mas cada palavra parecia um prego batido.

“Até lá, é melhor mantermos distância. Não quero que haja qualquer mal-entendido quando ela voltar.”

PUBLICIDADE

Dito isso, ele virou a cabeça e olhou pela janela.

Beatriz sentou-se ali, com os dedos apertando a alça da bolsa, com os nós dos dedos ficando brancos.

Ela levou três segundos para ajustar a expressão e dizer sorrindo que “Gabriel, você está exagerando”, e depois não disse mais nada.

O carro chegou à entrada da antiga mansão da família.

Antes mesmo de descer, Gabriel viu aquela figura familiar na entrada.

Sua mãe.

A sogra estava na porta, vestida impecavelmente, com o cabelo penteado com precisão, como um general esperando uma inspeção.

Ao ver Beatriz saindo do carro, seus olhos brilharam; ao ver Gabriel sair do carro, o canto da boca se curvou.

“Voltou? Beatriz, entre logo, pedi para a empregada fazer sopa.”

Gabriel entrou e sentou-se no sofá.

A mãe puxou Beatriz para sentar ao seu lado e ela própria sentou-se em frente; os três pareciam um quadro cuidadosamente arranjado — apenas faltava uma pessoa que deveria estar lá e sobrava uma que não deveria.

“Beatriz, desta vez, graças à sua ajuda em contactar o enfermeiro, Gabriel pôde se recuperar tão rápido.” A mãe disse sorrindo: “Você, sim, é mais atenciosa que alguém da própria família.”

“Tia, não diga isso, os assuntos de Gabriel são meus assuntos.”

Gabriel pegou a xícara de chá, tomou um gole e não respondeu.

A mãe deu uma olhada nele e mudou o tom: “Elena foi embora? Que bom que foi.”

“Eu disse há muito tempo que ela não era digna de você. Olhe para a Beatriz: boa linhagem, formação acadêmica alta, e ainda é atenciosa com você. Ela não é cem vezes melhor que aquela Elena?”

O som da xícara de chá sendo colocada na mesa foi muito leve.

Gabriel levantou a cabeça e olhou para a própria mãe.

“Mãe, a senhora tem razão.”

“Elena realmente não é digna de mim.”

A mãe e Beatriz ficaram estupefatas ao mesmo tempo.

“Ela não é digna da minha indiferença, não é digna da minha ausência, não é digna das coisas que a senhora disse a ela.” Sua voz era muito calma, tão calma que parecia estar lendo um relatório financeiro.

“Existem coisas demais das quais ela não é digna, tantas que nem uma vida inteira seria suficiente para eu compensar.”

O ar na sala parecia ter sido sugado.

O rosto da mãe mudou: “O que você quer dizer com isso? Eu—”

“Mãe.” Gabriel a interrompeu, com voz muito leve: “Três anos atrás, quando Elena caiu da escada, a senhora estava lá?”

Os lábios da mãe começaram a tremer.

“A senhora não precisa responder, eu mesmo vou investigar.” Ele se levantou e olhou para Beatriz: “Srta. Beatriz, não vou tomar a sopa. Você pode tomar com a minha mãe.”

Ele subiu as escadas, com passos firmes, sem olhar para trás.

Atrás dele, ouvia-se a respiração ofegante da mãe e o consolo fingido de Beatriz.

Ele não ouviu uma palavra sequer, na cabeça havia apenas um pensamento —

PUBLICIDADE

Ele precisava saber o que aconteceu com aquela criança três anos atrás.

Capítulo 11

Rue du Sentier, 47, 16º arrondissement, Paris.

Estou parada diante daquela grande porta azul-escura, segurando a chave de latão; a chave já está aquecida pela palma da minha mão, mas ainda não abri a porta.

Não deveria morar na casa que Gabriel preparou para mim, mas tenho medo de que, se ele não tiver nenhuma notícia minha, fique muito preocupado.

Respiro fundo, insiro a chave na fechadura e giro.

A porta se abre.

Fico paralisada.

O apartamento não é grande; dois quartos e uma sala, a janela voltada para o sul dá para uma rua tranquila.

A luz do sol se esgueira pela fresta das cortinas, desenhando uma linha dourada no piso de madeira.

Sobre a bancada da cozinha, os temperos estão dispostos — molho de soja, vinagre, vinho de cozinha, sal, açúcar, até mesmo anis-estrelado e canela.

Na geladeira há ovos, leite, vegetais, frutas, e até uma caixa dos meus morangos favoritos.

Abaixo-me para ver a data de validade na geladeira; todas as coisas foram compradas ontem.

No guarda-roupa há roupas do meu tamanho.

Não foram compradas aleatoriamente; são da marca que costumo usar, da cor que gosto, do modelo que costumo comprar.

Viro a etiqueta e vejo que a data de fabricação é do mês passado — ele comprou quando eu ainda estava no país, quando eu ainda nem tinha decidido ir embora, ele já estava preparando tudo para mim.

No banheiro, os produtos de pele são daquela marca que costumo usar — limpador, tônico, loção, sérum, creme; não falta nada.

As escovas de dente são duas, uma rosa e uma azul, inseridas lado a lado no copo, como duas árvores muito próximas.

Vou até o quarto.

A disposição lá dentro é exatamente igual a um lugar nas minhas memórias; não é aquela villa fria onde moramos depois, mas o pequeno apartamento onde morávamos quando nos amávamos mais.

A reprodução de

Ninféias

de Monet pendurada na parede, aquele abajur amarelo-quente na mesa de cabeceira, até a cor das cortinas é aquele cinza-claro que eu escolhi na época.

Ele lembra de tudo.

Eu achava que ele tinha esquecido.

Eu achava que aqueles anos, para ele, eram apenas agendas cada vez mais ocupadas, compromissos cada vez mais tardios, “huns” cada vez mais superficiais.

Mas ele lembra de como era a primeira casa onde moramos, lembra da cor da cortina que eu gostava, lembra daquele quadro falso que comprei por vinte euros em uma feira de pulgas.

Sobre a mesa de cabeceira há um bilhete; pego-o e lá está a caligrafia de Gabriel:

【Lembre-se de comer bem. Se tiver preguiça de cozinhar, na gaveta há o número de telefone da empregada; pode pedir para ela vir fazer.】

Fico ali parada, com as lágrimas caindo gota a gota no piso de madeira.

Ele não me perseguiu.

Ele me deu o poder de escolha, me devolveu a liberdade.

Mas, secretamente, em algum canto desta cidade, ele arrumou uma casa para mim, uma casa arrumada de acordo com o meu desejo de quando eu tinha vinte anos, cheia de todos os detalhes de quando nos amamos pela primeira vez.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia