localização atual: Novela Mágica Moderno Romance Obsessão e Rendição Capítulo 6

《Obsessão e Rendição》Capítulo 6

PUBLICIDADE

Capítulo 6: O Refúgio sob o Luar do Rio

O Rio de Janeiro fervilhava lá embaixo, uma tapeçaria de cores, sambas e fogos de artifício que contrastavam com o silêncio pesado da cobertura onde Leandro e Isabella se escondiam.

A luz alaranjada da cidade invadia a sala, banhando os móveis minimalistas e tornando a atmosfera quase irreal.

Mateo dormia profundamente no quarto principal, alheio à tempestade de segredos que seus pais carregavam no peito.

Leandro estava sentado na varanda, a camisa entreaberta revelando o curativo no ombro, observando o horizonte com um olhar distante.

Isabella aproximou-se lentamente, segurando duas taças de vinho, o som dos seus passos quase engolido pelo ritmo da cidade.

Ela estendeu a taça para ele, sentindo o ar entre eles vibrar com uma eletricidade que não era mais de ódio, mas de uma exaustão compartilhada.

"O Rio sempre pareceu um lugar para recomeçar, mas para nós, parece apenas um cenário para o fim," ela disse, sua voz perdendo a rigidez de ferro de costume.

Leandro pegou a taça, seus dedos roçando os dela por um instante, um contato simples que causou um curto-circuito em sua mente atormentada.

"Eu passei dois anos tentando convencer a mim mesmo que esquecer você era a única forma de sobreviver à minha própria consciência," ele admitiu, olhando para o líquido escuro na taça.

Isabella encostou-se no parapeito, o vento noturno brincando com seus cabelos, o olhar perdido nas luzes que piscavam como estrelas caídas.

"Nós dois fomos peças em um jogo de xadrez onde o tabuleiro não nos pertencia, Leandro, mas as feridas que carregamos são nossas."

"Eu deveria ter sido mais forte," ele sussurrou, a amargura em sua voz revelando a profundidade do seu remorso.

"Eu deveria ter queimado tudo antes que eles tivessem a chance de nos destruir pela primeira vez."

Isabella virou-se para ele, vendo, pela primeira vez em muito tempo, o homem por trás da máscara de tirano que ele insistia em usar.

"A dor que você sente é o preço que você paga por ter sido o cúmplice da minha ruína, mas essa mesma dor é o que ainda te mantém humano."

Leandro levantou-se, movendo-se com uma lentidão cautelosa, até parar diante dela, a distância entre os dois tornando-se insuportável.

"Às vezes, eu me pego desejando que a gente nunca tivesse se conhecido, para que você pudesse ter tido uma vida longe de toda essa sujeira."

"Se não tivéssemos nos conhecido, eu não teria Mateo, e você teria se tornado um homem completamente vazio," ela retrucou, o tom suave.

Ele estendeu a mão, hesitante, e tocou suavemente o contorno do rosto de Isabella, como se tivesse medo de que ela fosse apenas um fantasma.

"Eu ainda não consigo me perdoar pelo que eu permiti que acontecesse, Isabella."

"O perdão não é algo que você ganha, Leandro; é algo que você conquista, e você tem um caminho muito longo pela frente."

PUBLICIDADE

Eles ficaram ali, sob a luz do carnaval, dois náufragos em um oceano de arrependimentos, buscando algo que pudesse unir suas almas fraturadas.

"Você ainda sente algo por mim, ou é apenas o instinto de sobrevivência que nos mantém unidos?" ele perguntou, buscando uma verdade que ele temia ouvir.

Isabella suspirou, fechando os olhos enquanto sentia o calor da mão dele, sentindo as barreiras que construíra começarem a trincar.

"Eu não sei se o que sinto é amor, ou se é o luto por tudo o que nós poderíamos ter sido se tivéssemos tido a coragem de lutar um pelo outro."

Leandro aproximou-se um pouco mais, o rosto dela a centímetros do seu, a respiração de ambos sincronizada em um silêncio eloquente.

"Nós ainda podemos lutar, Isabella; nós temos o resto das nossas vidas para consertar o que foi quebrado."

"Não há garantia de que conseguiremos sair disso vivos, muito menos que terminaremos juntos," ela respondeu, embora sua voz revelasse a fraqueza de sua resistência.

Ele a puxou para um abraço, um gesto desprovido de qualquer agressividade, puramente focado no conforto de sentir outro ser humano ao seu lado.

Isabella soltou um suspiro profundo, permitindo-se, pela primeira vez, ser a pessoa que precisava ser segurada em vez de ser a que segurava tudo.

"Por esta noite, deixe o império, a vingança e o passado lá fora," ele sussurrou contra o seu cabelo, a voz vibrando em seu peito.

"Amanhã nós voltamos a ser inimigos se você quiser, mas, por agora, apenas esteja aqui."

Eles permaneceram abraçados, o peso de suas histórias preenchendo o espaço entre eles, mas a necessidade de proximidade vencendo o orgulho.

A fragilidade daquele momento era um território proibido, um campo minado onde cada palavra tinha o poder de curar ou matar.

Eles entraram lentamente no quarto, o ambiente escuro iluminado apenas pela cidade lá fora, e se deitaram na cama ampla, exaustos pela jornada.

A proximidade física era um lembrete constante de tudo o que fora roubado, mas também de uma faísca que, apesar de tudo, se recusava a apagar.

Isabella deitou a cabeça no peito de Leandro, ouvindo o ritmo constante do coração dele, um som que, estranhamente, parecia um porto seguro.

Ele envolveu o braço ao redor dela, protegendo-a como se ela fosse a coisa mais preciosa que ele já teve o privilégio de tocar.

Não houve palavras de desculpas, não houve declarações de amor; apenas a aceitação silenciosa de que, no meio do caos, eles eram o único refúgio um do outro.

Eles adormeceram envolvidos um pelo outro, o sono sendo a única trégua possível em uma guerra que não tinha hora para terminar.

Lá fora, os fogos de artifício iluminavam o céu do Rio, mas aqui dentro, o mundo era apenas o calor, o silêncio e o pulsar de um futuro incerto.

Naquele abraço, as linhas que delimitavam o amor e a vingança tornaram-se irremediavelmente borradas, misturando-se em algo novo.

Eles eram dois inimigos que tinham aprendido a arte da trégua, mesmo sabendo que o despertar traria as armas de volta às mãos.

Mas, enquanto a noite protegia seus sonhos, eles eram apenas um homem e uma mulher que, apesar de tudo, ainda pertenciam um ao outro.

O amanhã chegaria com a sua carga de perigos e decisões fatais, mas essa noite pertencia apenas a eles.

A fragilidade do momento era um contraste brutal com a crueldade do que estava por vir, e talvez fosse exatamente isso que tornava tudo tão visceral.

Eles dormiram profundamente, a sombra do passado pairando sobre a cama, mas incapaz de tocar na paz que, por algumas horas, eles finalmente alcançaram.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia