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《Obsessão e Rendição》Capítulo 4

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Capítulo 4: As Sombras do Passado

O silêncio do escritório de Isabella era interrompido apenas pelo zumbido suave do servidor onde Thiago armazenava os segredos mais podres da elite paulistana.

Ela passou horas analisando prontuários médicos digitalizados, mas uma pasta específica, com o selo de uma clínica particular em Genebra, chamou sua atenção.

Os dedos de Isabella tremiam ligeiramente ao abrir o arquivo que explicava o incidente que mudou sua vida dois anos atrás.

Enquanto lia os detalhes técnicos, a imagem de uma noite chuvosa em São Paulo inundou sua mente, forçando-a a reviver o momento em que Leandro a abandonara.

Naquela noite, Leandro estava trancado em seu escritório particular, com a cabeça enterrada entre as mãos, chorando como um homem que perdeu a própria alma.

A porta se abriu, e Helena, sua noiva de conveniência, entrou com uma taça de vinho e um sorriso que não chegava aos olhos.

"Pare com esse drama, Leandro, a família Vicente exige um herdeiro, e você sabe que aquela bastarda nunca seria a escolha certa."

"Eu a amava, Helena! Eu não queria esse casamento arranjado, eu não queria o seu contrato," ele retrucou, com a voz embargada por soluços sinceros.

Helena caminhou até ele, colocando a mão sobre seu ombro com uma possessividade que o fez recuar, sentindo um asco profundo.

"Você não teve escolha, o seu pai garantiu que ela fosse removida do seu caminho de forma definitiva."

"O que você quer dizer com removida?" Leandro perguntou, levantando a cabeça, os olhos cheios de um terror súbito.

Helena apenas sorriu, bebendo o vinho lentamente antes de sussurrar: "Digamos que o destino cuidou do seu futuro, e aquele feto nunca teria o sobrenome Vicente."

Leandro sentiu o mundo girar ao entender que a sua noiva, a mulher que deveria ser sua aliada, orquestrara a destruição de sua vida.

De volta ao presente, Isabella sentiu o ar escapar de seus pulmões enquanto as peças do quebra-cabeça se encaixavam com uma precisão cirúrgica.

O "acidente" que causou seu aborto, a hemorragia, a expulsão da família — tudo fora uma encenação milimetricamente calculada por Helena e o patriarca Vicente.

Ela não perdera o bebê por um acaso do destino; ela fora envenenada com um medicamento que causava contrações uterinas severas.

A dor física de dois anos atrás foi substituída por uma queimação interna muito mais perigosa: a raiva pura.

Isabella pegou uma fotografia antiga que guardava dentro de um caderno, onde ela e Leandro apareciam sorrindo em um parque, antes de toda a ilusão desmoronar.

Ela observou o rosto de Leandro naquela foto, o brilho de esperança nos olhos dele, e sentiu uma vontade incontrolável de rasgar cada centímetro da imagem.

Com as mãos firmes, ela começou a picotar a fotografia, observando o rosto dele se desintegrar entre seus dedos.

A compaixão que ela ainda mantinha, aquele resto de humanidade que a impedia de destruir Leandro completamente, evaporou no ar gelado da sala.

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"Eles não apenas tiraram o meu filho," ela murmurou para si mesma, com a voz estranhamente calma e letal.

"Eles tiraram a minha humanidade, e agora vão pagar com a única coisa que lhes resta: o império e o sangue."

Ela abriu uma gaveta secreta e retirou o dossiê que Thiago conseguira hackear na rede interna da clínica em Genebra.

O documento provava que Helena subornara o médico responsável pelo seu atendimento de emergência naquela noite.

A vingança, que antes era uma estratégia fria de negócios, tinha se transformado em uma caçada implacável e sanguinária.

Isabella não queria mais apenas a falência dos Vicente; ela queria ver Helena e o patriarca desmoronando sob o peso de suas próprias atrocidades.

Ela se levantou, caminhou até a janela e olhou para as luzes da cidade, sentindo-se como uma divindade vingativa pronta para descer sobre a metrópole.

Se Leandro a traíra por covardia, Helena a traíra por ambição, e ambos teriam que colher o que plantaram.

Ela pegou o celular e discou o número de Thiago, a voz firme como aço temperado.

"Thiago, mude o plano; não vamos mais apenas liquidar os ativos deles."

"O que você quer dizer, Isabella? O plano era o congelamento de contas," a voz de Thiago soou confusa do outro lado da linha.

"Esqueça o congelamento, eu quero destruição total; quero que cada segredo, cada crime e cada podridão da família Vicente seja exposta."

"Você sabe que isso vai gerar repercussões legais que podem até te atingir?"

"Não me importa o custo, eu quero que Helena e todos os envolvidos no que aconteceu comigo sejam levados algemados para a cadeia."

Ela desligou o telefone, sentindo o peso da decisão repousar sobre seus ombros como uma armadura pronta para a guerra.

Leandro, apesar de sua dor, fora um peão nas mãos de Helena, e Isabella sentiu um prazer sádico em imaginar o rosto dele ao descobrir a verdade.

O equívoco que os separou fora construído sobre um túmulo vazio, um túmulo que continha os sonhos de dois amantes que não foram fortes o suficiente.

Isabella sabia que o caminho da vingança seria solitário e cheio de perigos, mas não havia mais volta.

Ela olhou para os pedaços da foto espalhados pela mesa e os varreu para dentro da lixeira com desdém.

Aquele passado tinha morrido, e dela só restara a vontade de ver o mundo dos Vicente arder.

A noite avançava, mas para Isabella, o sol acabara de nascer sobre um novo propósito, banhado em sombras e promessas de morte.

Cada segundo de dor que ela enfrentara no passado seria convertido em uma agonia dobrada para seus inimigos.

Ela sentou-se novamente, com os olhos fixos na tela do computador, pronta para começar a digitar o fim da família Vicente.

Não haveria perdão, não haveria piedade, e, acima de tudo, não haveria segundas chances.

A vingança era um prato que se servia com sangue, e Isabella acabara de temperar a refeição.

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