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《A Rendição do Milionário Arrogante》Capítulo 10

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Ninguém o respondia.

A babá contratada só cuidava de entregar a comida e evitava chegar perto, achando-o um agouro.

Naquele dia em que caiu a primeira neve, ele não sabia o que aconteceu, mas de repente enlouqueceu e tentou sair com a cadeira de rodas.

A cadeira virou no batente da porta e ele caiu na neve, mas ainda protegia firmemente o casaco em seus braços, sem deixar que nem uma gota de neve o tocasse.

"Isabela... vim te buscar... veja, desta vez não me atrasei..."

Ele rastejava na neve, rindo sozinho para o nada, com as lágrimas congeladas no rosto.

A milhares de quilômetros dali, em Jiangnan, na cidade litorânea.

O iate particular da família Qin navegava sobre as águas azuis do rio.

Isabela estava sentada em uma espreguiçadeira no convés, segurando uma xícara de chocolate quente, observando as luzes prósperas das duas margens.

Ricardo saiu da cabine segurando um xale de lã grosso e a envolveu ternamente.

"O vento no rio é forte, cuidado para não pegar um resfriado."

Isabela virou-se e deu-lhe um sorriso radiante.

Neste ano, Ricardo a cuidou extremamente bem. A aura de morte e tristeza que a envolvia há muito tempo se dissipou, substituída pela serenidade e beleza de quem é tratado com ternura pelo tempo.

Ricardo não descumpriu sua promessa; ele a mimou como a Sra. Qin, a mulher que todos na cidade invejavam.

Ele não a deixava se preocupar com nada, apenas a levava para ver a beleza do mundo, repondo, pouco a pouco, a dignidade e a felicidade que ela havia perdido.

Capítulo 20

Naquela noite, Isabela estava procurando livros no escritório e, acidentalmente, derrubou uma caixa de metal da prateleira mais alta.

A caixa não estava trancada; caiu com um baque e espalhou desenhos de esboço por todo o chão.

Isabela os pegou e sua mão parou ligeiramente.

Os desenhos eram todos dela.

Havia seu perfil enquanto lia na biblioteca da faculdade;

Havia suas costas enquanto esperava por Fernando segurando uma cesta de vegetais na entrada da villa da família Fernando;

E até mesmo... o momento em que ela estava nos escombros do deslizamento de terra, coberta de lama e com um olhar de desespero.

No canto inferior direito de cada desenho, havia uma data anotada.

O mais antigo era de sete anos atrás.

Naquela época, ela tinha acabado de registrar o casamento com Fernando; na saída do cartório, ela segurava o livrinho vermelho e sorria docemente, enquanto a pessoa que desenhava aquele quadro parecia estar em um canto muito distante, com pinceladas que revelavam uma melancolia indescritível.

Isabela segurou aqueles desenhos e sentou-se no tapete por um longo tempo.

Ricardo entrou no escritório e, ao ver a cena, parou seus passos.

Ele caminhou até ela e agachou-se em sua frente, sem explicar nada, apenas estendendo a mão para ajeitar o cabelo ao redor de sua orelha.

"Ricardo", Isabela levantou a cabeça com os olhos levemente avermelhados, "por quanto tempo... você me observou?"

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Ricardo olhou para ela, seus olhos, geralmente cínicos, estavam agora cheios de amor profundo.

"Há muito tempo."

"Desde que você tocou aquela música na noite de boas-vindas da faculdade."

"Naquela época, eu achei que você era cega por gostar de Fernando, aquele pedaço de pau. Depois..." ele riu de si mesmo, "depois eu vi você sendo injustiçada, vi você se humilhar até o pó por causa dele; eu ficava bravo e sentia pena. Eu queria roubar você, mas você não me via."

Ele segurou a mão de Isabela e beijou-a.

"Até aquele dia do deslizamento, quando eu te cavei da terra. Você agarrava minha manga e, delirando de febre, dizia: 'Se houver uma próxima vida, nunca me casarei com um homem infiel'."

"Naquele momento, eu jurei que não precisava de outra vida. Nesta, eu assumirei o controle."

Isabela olhou para ele e as lágrimas finalmente caíram.

Ela estendeu a mão e abraçou firmemente o homem que a amou profundamente por sete anos e a observou na escuridão por sete anos.

"Obrigada, Ricardo."

"Obrigada por me encontrar."

Lá fora, fogos de artifício explodiram no céu noturno da cidade litorânea, iluminando toda a superfície do rio.

Isabela estava encostada no peito de Ricardo, olhando para o brilho no céu, e de repente lembrou-se daquela noite chuvosa, um ano atrás.

"Ainda o odeia?" Ricardo perguntou em voz baixa.

Isabela fechou os olhos e um sorriso de alívio surgiu nos cantos de seus lábios.

"Não odeio mais."

"O ódio requer energia, ele não merece."

No mesmo instante, na capital.

Naquele pátio decadente, a neve caía cada vez mais forte.

Fernando estava caído na neve, com o corpo já congelado, mas trazia um sorriso estranho e feliz no rosto.

Na alucinação da morte, ele parecia ter voltado dez anos atrás.

Naquela época, ele ainda não tinha se apaixonado pela ilusão de Bianca, e Isabela ainda não tinha tido seu coração despedaçado por ele.

A jovem Isabela, vestindo um vestido branco, estava sob o plátano no pátio e, timidamente, entregou-lhe uma garrafa de água: "Fernando, para você."

Desta vez, ele não saiu com impaciência.

Ele estendeu a mão, querendo pegar aquela garrafa de água, querendo segurar a mão daquela garota.

"Isabela... não vá..."

Ele murmurava, e aquela mão seca como um graveto arranhava o ar duas vezes, antes de finalmente cair sem forças sobre a neve.

O casaco velho em seus braços já estava encharcado pela neve, tornando-se frio e cortante.

Os flocos de neve caíram abundantemente, logo cobrindo seu corpo e transformando-o em uma sepultura branca e esquecida por todos.

Apenas a ponta daquele casaco velho permanecia visível fora da neve, tremendo suavemente com o vento frio.

Como um ponto final inconcluso que nunca mais poderia ser continuado.

(Fim do livro)

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