"Fernando", disse Isabela olhando para a água, com voz suave, "você é como este grampo: barato, de má qualidade e ainda perde a cor."
Dito isso, ela soltou a mão.
Com um leve "ploft", o grampo caiu na água, gerando um pequeno respingo, e foi instantaneamente engolido por uma carpa faminta, desaparecendo sem deixar vestígios.
"Perdido, está perdido." Isabela virou-se com um olhar indiferente, "Não venha mais me enojar."
Fernando olhou para o lugar onde o grampo desapareceu, parecendo ter perdido a alma.
Ele ficou atordoado por muito tempo e, de repente, começou a rir baixinho.
A risada tornou-se cada vez mais alta, cada vez mais frenética, até ele tremer todo, com lágrimas e catarro cobrindo seu rosto.
"Hahaha... hahahaha..."
Enquanto ria, ele se curvou bruscamente e vomitou um grande bocado de sangue, manchando as pedras diante de si.
Ricardo protegeu Isabela, dando um passo para trás, e franziu a testa: "Louco."
Isabela olhou para ele uma última vez.
Em seu olhar não havia amor nem ódio, apenas um vazio infinito.
Era como se ele fosse apenas uma pedra incômoda na beira da estrada.
"Vamos." Ela puxou a mão de Ricardo.
Ricardo assentiu e a apoiou enquanto caminhavam em direção ao estacionamento, perto da plataforma de observação.
Fernando levantou-se cambaleando, seguindo-os como um fantasma.
Os guarda-costas tentaram impedir, mas Ricardo fez um gesto: "Deixe-o seguir. Algumas coisas precisam ser feitas para que ele perca completamente a esperança."
A plataforma de observação era uma estrutura de vidro suspensa sobre um vale profundo e sem fundo, envolto em neblina.
Isabela parou perto da grade, observando a paisagem à distância.
Fernando parou a poucos metros dela, apoiando-se na grade, respirando pesadamente.
"Isabela..." sua voz era quebrada, dilacerada pelo vento da montanha, "Você se lembra? Naquele deslizamento, eu estava lá em cima dos escombros... e salvei a Bianca primeiro."
Isabela estava de costas para ele, sem responder.
Fernando olhou para o abismo, com um olhar vazio e desesperado.
"Eu era tão estúpido naquela época... Achei que era responsabilidade, mas na verdade cortei minha própria tábua de salvação", disse ele com um sorriso trágico, "Isabela, eu te devo uma vida, devo uma vida ao nosso filho."
De repente, ele pulou a grade e ficou na borda, com apenas alguns centímetros de largura.
O olhar de Ricardo tornou-se afiado, e ele inconscientemente se colocou à frente de Isabela.
Fernando olhou para trás, para as costas de Isabela, com um sorriso de alívio e até um toque de súplica no rosto.
"Isabela, eu estou devolvendo a você, tudo bem?"
"Se eu morrer, você vai me perdoar?"
Antes que a frase terminasse, sob os gritos de espanto de todos, ele fechou os olhos, abriu os braços e caiu direto em direção ao abismo profundo!
Capítulo 18
"Fernando!"
Ricardo soltou um grito cortante e, instintivamente, estendeu a mão para agarrá-lo, mas só apanhou o ar.
O som do vento assobiava.
Aquela figura desapareceu instantaneamente na névoa.
O corpo de Isabela enrijeceu, seu rosto empalideceu levemente e seus dedos agarraram a grade com força.
Ricardo imediatamente a puxou para os braços, cobrindo seus olhos: "Não olhe."
Em seguida, virou-se e rugiu: "Chamem a equipe de resgate! Rápido!"
O tempo de espera foi sufocante.
O vento da montanha era cortante e desgrenhava os cabelos de Isabela.
Ela estava encostada no peito de Ricardo, com o corpo tremendo; não por sentir pena, mas devido a um tremor fisiológico instintivo.
Ricardo acariciava suas costas continuamente, sussurrando para acalmá-la: "Está tudo bem, eu estou aqui."
Uma hora depois, a notícia da equipe de resgate chegou: "Encontramos! Ele está preso entre um pinheiro e uma fenda de rocha na encosta, não morreu completamente, mas..."
Muito tempo depois, vários socorristas, carregando uma maca, subiram com dificuldade.
O Fernando na maca já não parecia um ser humano.
Ele teve sorte, ficou preso pela árvore, mas sua perna esquerda apresentava uma torção bizarra, seu corpo estava coberto de sangue, seu rosto estava dilacerado pelos galhos, seu peito subia e descia violentamente e sangue jorrava continuamente de sua boca.
Ao ver Isabela, suas pupilas dilatadas focaram milagrosamente.
Ele reuniu sua última gota de energia, levantou a mão coberta de sangue e carne, tentando alcançar a bainha do vestido de Isabela.
"Isa... bel... a..."
A voz era um fio, e ele vomitava sangue a cada palavra.
"Per... per... doe-me..."
Todos olhavam para Isabela.
Isabela afastou-se dos braços de Ricardo e ajeitou o cabelo bagunçado pelo vento.
Ela caminhou passo a passo até a maca, olhando de cima para baixo para o homem que saltou para "se redimir".
A esperança em seus olhos era tão evidente; parecia que, se ela apenas assentisse, ele morreria sorrindo.
Isabela o observou por um longo tempo.
Tanto tempo que Fernando pensou que ela havia se compadecido.
Então, ela se agachou lentamente.
Um brilho de êxtase explodiu nos olhos de Fernando, e ele estendeu os dedos trêmulos em sua direção.
No entanto, Isabela apenas estendeu um dedo e, com nojo, afastou a mão dele, suja de lama e sangue.
O gesto foi suave, mas cruel ao extremo.
"Fernando", ela olhou em seus olhos, palavra por palavra, com total clareza, "eu não te perdoo."
"Nem morto eu te perdoo."
A luz nos olhos de Fernando se apagou completamente naquele momento, transformando-se em um desespero cinzento.
Um som estranho saiu de sua garganta, como o suspiro final de um fole rasgado.
Isabela levantou-se, sem olhá-lo mais, e virou-se para Ricardo.
Ao chegar diante de Ricardo, ela parou e levantou o rosto para olhar para o homem que, a qualquer momento, estava atrás dela.
"Marido, vamos para casa."
Ricardo olhou para a determinação nos olhos dela, sentiu um movimento no coração e baixou a cabeça para beijar seus lábios.
Diante de Fernando, que estava morrendo.
O beijo era terno, persistente, carregado com a alegria de ter sobrevivido ao desastre e com promessas para o futuro.
Na maca, Fernando encarava fixamente a cena.
Vendo-a florescer nos braços de outro homem, vendo-a dar toda a sua ternura a outra pessoa.
A dor e o ciúme imensos fizeram seu corpo convulsionar, e seus globos oculares quase explodiram.
"Puf—"
Um jato de sangue escuro foi expelido; sua cabeça tombou para o lado e ele desmaiou completamente.
Uma lágrima de sangue que escorreu pelo canto do olho, misturada com terra, parecia particularmente desoladora.
Capítulo 19
Um ano depois.
Em um centro de saúde mental fechado nos subúrbios da capital.
Esta era a área dedicada a pacientes psiquiátricos graves, onde o ar cheirava a desinfetante e mofo devido à falta de luz solar.
Bianca estava encolhida em um canto atrás das grades de ferro, vestindo um grande uniforme hospitalar de listras azuis e brancas; seu cabelo estava cortado de forma desigual, e seu rosto tinha manchas de sujeira de procedência desconhecida.
Seu olhar era vago; ela segurava um resto de pão amanhecido e murmurava sem parar:
"Irmão Fernando... me salve... eles estão roubando minha comida... eu sou a Sra. Fernando... eu sou a jovem senhora da família Fernando..."
Um enfermeiro que passava bateu impacientemente nas grades de ferro: "Por que está gritando! Sra. Fernando, o quê? Seu amante já te jogou aqui e não quer saber de você! Até as despesas médicas foram pagas pelo tal Sr. Ricardo por 'caridade', dizendo que queria que você 'vivesse cem anos' aqui!"
Vários pacientes dementes ao lado correram, roubaram o pão de sua mão e a empurraram no chão, soltando risadas estridentes.
Bianca não resistiu mais, como uma boneca quebrada, encolheu-se e olhou com olhos vazios para o céu através daquela pequena janela de ferro.
Ao mesmo tempo, em um antigo pátio tradicional na capital.
A família Fernando já havia se mudado da área de villas. Devido ao escândalo de Fernando e aquele pulo surpreendente, a família Fernando perdeu toda a reputação; o velho patriarca faleceu de hemorragia cerebral de tanta raiva, e o pai de Fernando foi forçado a se aposentar precocemente, mudando-se com toda a família para esta propriedade ancestral.
Sob a velha acácia no pátio, Fernando sentava-se em uma cadeira de rodas.
A perna esquerda de sua calça estava vazia — após pular da plataforma de observação, embora tivesse sobrevivido, sua perna esquerda teve fraturas múltiplas complicadas por uma infecção grave, resultando em amputação.
Ele segurava firmemente um casaco de cashmere bege.
Era o casaco que Isabela havia deixado; aquele que, naquele dia no carro, ele tentou colocar sobre as pernas dela, mas ela rejeitou e acabou esquecendo no veículo.
Ele estava reduzido a pele e ossos, com olhos turvos, ora lúcido, ora louco.
Quando lúcido, ele abraçava o casaco e olhava fixamente para a entrada do pátio, como se, no segundo seguinte, aquela figura gentil entrasse segurando uma cesta de vegetais, chamando-o sorridentemente de "Marido".
Na maior parte do tempo, ele estava confuso.
Ele falava com o ar, perdia a paciência com o casaco e chorava dizendo que doía.
"Isabela... está frio, por que você ainda não voltou para tricotar um cachecol para mim..."
"Isabela, minha perna dói... está chovendo, quero beber a sopa de gengibre que você faz..."