Capítulo 11
As palavras de Gu Yan foram como um trovão.
"Não só isso," Gu Yan pegou o celular e exibiu um relatório de investigação, "a herança do marido dela, o falecido, foi quase toda gasta por ela em apostas. Ela voltou para o país e te procurou não porque sentia falta de casa, mas porque estava cheia de dívidas de agiotas no exterior e não tinha como sobreviver."
As pupilas de Fernando tremeram violentamente; ele arrancou o celular e folheou as evidências com os dedos trêmulos.
A fragilidade, o desamparo e a piedade que ele tanto acreditava, escondiam, na verdade, cálculos e mentiras tão vis.
Até mesmo seu chamado "medo de sangue" e sua "transtorno de estresse" eram apenas peças teatrais feitas para ele!
Quando Fernando retornou ao apartamento temporário, envolto em um ar gélido e assassino, Bianca estava aplicando uma máscara facial, cantarolando e muito animada.
Ao vê-lo chegar com cheiro de álcool, ela imediatamente trocou a expressão por uma de preocupação e veio recebê-lo.
"Fernando, por que bebeu tanto? Ainda está preocupado com o assunto da Isabela?" Ela estendeu a mão para apoiá-lo. "Não se preocupe, a Isabela estava apenas falando da boca para fora. Quando ela passar um pouco de dificuldade lá fora e ficar sem dinheiro, naturalmente voltará."
"Saia."
Fernando empurrou sua mão com tanta força que Bianca caiu diretamente ao lado da mesa de centro.
Ela ergueu a cabeça, assustada, e encontrou os olhos escarlates e aterrorizantes de Fernando, onde fervilhavam fúria e nojo.
"Fernando... o que há com você?" Bianca sentiu pânico. "Eu fiz algo errado?"
"Que cheiro é esse em você?" Fernando se aproximou, encarando-a fixamente.
Bianca desviou o olhar: "Nada, é só... o perfume novo que comprei..."
"Eu perguntei: no dia do banquete, você fez de propósito?!" Fernando jogou um maço de capturas de tela do monitoramento em seu rosto.
Os papéis voaram, e cada um registrava claramente: no canto onde ninguém via, como Bianca movia secretamente o vaso para a borda da mesa, e como ela fingia tropeçar para empurrá-lo.
"E mais!" Fernando agarrou seu queixo, sua voz tremia de raiva extrema, "Você disse que tinha medo de sangue? Ha, Bianca, o relatório de investigação diz claramente: no exterior, para evitar o pagamento de dívidas de jogo, você teve coragem até de usar facas nos outros. Por que não teve medo de sangue naquela hora? Você só não suportava que eu fosse minimamente gentil com a Isabela, não suportava que eu desse minhas roupas para ela! Você fingiu desmaiar de propósito para me obrigar a expulsá-la na tempestade!"
A cada frase que ele dizia, a pressão de sua mão aumentava. Bianca chorava de dor, e sua maquiagem borrava.
"Fernando... eu não fiz... eu amo você... eu quero substituir a Isabela e ficar com você..."
"Você acha que merece?" Fernando a jogou de lado como se fosse lixo, olhando para ela de cima a baixo. "Bianca, agora eu vejo claramente. Veja bem este louco à sua frente, este canalha que empurrou sua pessoa mais amada para a prisão, tudo isso foi forçado por você, por mim, pouco a pouco!"
"Isabela perdeu um filho porque eu te salvei primeiro; Isabela foi presa porque eu apontei o dedo para ela por sua causa."
Fernando riu, de uma forma mais feia do que o choro. "Eu mereço morrer."
Ele respirou fundo e recuperou a frieza: "Arrume suas coisas e suma."
O rosto de Bianca ficou lívido: "Fernando, você não pode me expulsar! Eu tenho depressão, eu vou morrer..."
"Então morra," Fernando disse inexpressivamente. "Vou enviá-la para aquele hospital psiquiátrico de regime fechado nos subúrbios. Já que você está doente, trate-se bem lá dentro. Se não for curada, não pense em sair nesta vida. Quanto às dívidas de agiotagem, contarei aos credores onde você está. Boa sorte."
Bianca perdeu toda a cor e começou a gritar freneticamente: "Fernando, você não pode fazer isso comigo! O marido morreu para te ajudar! Você prometeu cuidar de mim—"
"Você não merece mencionar o nome dele," Fernando interrompeu friamente. "Levem-na."
Dois guarda-costas de preto, que esperavam do lado de fora, entraram e, ignorando os gritos e a luta de Bianca, arrastaram-na como se fosse um cão morto.
O mundo finalmente ficou em silêncio.
Fernando estava no meio da sala vazia, olhando para as evidências espalhadas pelo chão, quando de repente se curvou e começou a vomitar violentamente.
O que ele vomitava era apenas bile e um arrependimento infinito.
Capítulo 12
Após lidar com Bianca, Fernando voou durante a noite para a cidade litorânea.
Ele utilizou todos os seus contatos, chegando até a implorar a competidores comerciais que ele antes desprezava.
Três dias depois, finalmente obteve notícias.
"Sr. Fernando, descobrimos. A Sra. Isabela... está morando agora no Edifício Riverside One. É a residência privada de Ricardo."
O subordinado hesitou, com a voz tensa: "Além disso, amanhã à noite, a família Qin realizará um banquete de noivado no Hotel Peninsula. A protagonista... é a Sra. Isabela."
Noivado.
Essas duas palavras foram como duas balas, atingindo em cheio os joelhos de Fernando.
Ricardo.
O homem que salvou Isabela no deslizamento de terra. O detentor do poder absoluto da família Qin na cidade, um homem de métodos impiedosos, que não se aproximava de mulheres, mas que abria uma exceção apenas para Isabela.
Sua Isabela, como poderia ela estar prestes a se casar com outro tão rapidamente?
Não! Impossível! Ela o amava, ela o amou por dez anos inteiros!
Fernando saiu do clube como um louco, dirigindo o carro que pegara emprestado, com o pé cravado no acelerador, correndo em direção ao Riverside One.
Mas aquele era um condomínio de alto luxo com segurança rigorosa; ele não conseguia entrar.
Ele ficou de guarda no portão a noite toda, fumando três maços de cigarro.
Até o anoitecer do dia seguinte, um Rolls-Royce preto saiu lentamente do portão do condomínio.
Com o vidro entreaberto, Fernando viu instantaneamente a figura sentada no banco de trás.
Isabela.
Ela usava um vestido de alta-costura cor de champanhe, com o cabelo preso, revelando seu pescoço longo e alvo. Ela segurava um convite, inclinando a cabeça para dizer algo ao homem ao seu lado, com um leve sorriso nos lábios.
Era um sorriso relaxado, de quem se sente amado.
E o homem ao lado dela, vestindo um terno cinza-escuro perfeitamente cortado, de temperamento nobre e frio, baixava a cabeça para ajudá-la a arrumar a bainha do vestido, com um olhar tão gentil que parecia transbordar ternura.
Era exatamente Ricardo.
"Isabela!"
Fernando soltou um grito, jogou a ponta do cigarro fora e, ignorando tudo, correu para bloquear o carro.
Um som estridente de freios soou.
O Rolls-Royce parou a apenas alguns centímetros dos joelhos dele.
Fernando correu para a janela do banco de trás, agarrando-se ao vidro, com a voz trêmula: "Isabela! Desça! Venha comigo para casa! Eu sei que errei, eu realmente sei que errei... Eu não vou me divorciar, aquilo é falso, não tem valor legal!"
O vidro da janela desceu lentamente.
Isabela virou a cabeça e olhou para o homem com aspecto cadavérico do lado de fora.
Ele tinha emagrecido muito, com as olheiras profundas e o queixo coberto por uma barba rala; aqueles olhos outrora arrogantes agora estavam repletos de veias vermelhas e súplica.
Mas o olhar de Isabela era tão calmo quanto se estivesse olhando para um estranho.
Ricardo abraçou casualmente os ombros de Isabela, reafirmando sua posse. Seus olhos em formato de pêssego se estreitaram levemente, emitindo um brilho perigoso e frio: "Sr. Fernando, tentando forçar um acidente na frente do carro da família Qin? O quê, as estradas da capital não são suficientes para sua arrogância?"
Fernando o ignorou completamente, fixando o olhar apenas em Isabela: "Esposa, vamos para casa, sim? Eu expulsei a Bianca, nunca mais falarei com ela, darei a você todos os meus bens, voltarei para casa todos os dias para ficar com você..."
"Sr. Fernando." Isabela o interrompeu.
Essas três palavras soaram tão distantes que fizeram o coração de Fernando parar por um instante.
Isabela olhou para ele, com um tom frio: "Nós já estamos divorciados. Além disso, este é meu noivo, Ricardo."
Ela ergueu a mão, e aquele enorme anel de diamante rosa em seu dedo anelar brilhava sob o sol poente, ferindo os olhos de Fernando.
"Amanhã é nosso banquete de noivado. Se o Sr. Fernando estiver livre, sinta-se convidado para vir beber um brinde ao nosso casamento."
Um brinde.
Fernando viu tudo escurecer diante de seus olhos; seus dedos ficaram brancos pela força com que se agarravam ao vidro da janela.
"Eu não acredito... Você me ama... Você me amou por dez anos..."
Ricardo soltou um sorriso de desdém e pressionou o botão para subir o vidro.
"Dirija."
O vidro fechou-se impiedosamente, isolando o olhar desesperado de Fernando.
O Rolls-Royce partiu, deixando apenas uma nuvem de fumaça.
Fernando permaneceu no lugar, vendo as lanternas traseiras desaparecerem no fluxo de carros.
"Isabela!"
Ele gritou e correu alguns passos atrás, mas caiu pesadamente no chão.
Seus joelhos se abriram e o sangue começou a escorrer.