Ele olhou para Bianca, que chorava a ponto de desmaiar atrás dele, e depois para Isabela, que estava inexpressiva.
Por fim, ele fechou os olhos e, com a mão trêmula, apontou para Isabela.
"......foi ela."
"Foi minha esposa, ela quebrou sem querer."
Duas palavras, ditas levemente, mas que soaram como um martelo de uma tonelada, despedaçando o último resquício de luz no mundo de Isabela.
Isabela olhou para ele e, de repente, sorriu.
Naquele instante, as lágrimas escorreram por seu rosto, mas ela sorriu com um alívio imenso.
Ela não se defendeu, não chorou, não fez escândalo.
Ela estendeu as mãos voluntariamente, caminhando em direção aos policiais que seguravam as algemas.
Ao passar por Fernando, ela não parou, como se ele fosse apenas ar.
"Podem levar," disse ela calmamente.
Fernando tentou alcançá-la instintivamente, mas tocou apenas na barra fria de seu vestido.
Ele assistiu às costas eretas de Isabela entrarem na viatura e desaparecerem na escuridão da noite; seu coração, de repente, pareceu vazio, e uma dor violenta tomou conta dele.
Capítulo 7
As quarenta e oito horas na delegacia foram a escuridão mais longa que Isabela já viveu.
Por envolver "sabotagem de atividades diplomáticas" e "danos a presente de Estado", a natureza do caso era grave, e ela foi mantida em uma cela individual especial.
Não havia aquecimento; apenas uma lâmpada fluorescente branca pálida no teto, acesa vinte e quatro horas por dia, ferindo os olhos.
O ar-condicionado estava em uma temperatura baixíssima, congelando até os ossos.
Os interrogatórios eram sucessivos.
"Por que você quebrou o vaso?"
"Você tem algum ressentimento contra a família Fernando ou contra a cidade?"
"Você foi instigada por algum concorrente?"
Aquelas perguntas frias chicoteavam seu corpo. Com febre alta e queimaduras que ainda não haviam cicatrizado, cada vez que ela abria a boca para respirar, parecia que estava engolindo lâminas.
Ela cerrou os dentes e apenas repetiu mecanicamente uma frase: "Foi sem querer."
Sem súplicas, sem defesas.
Porque ela se lembrava da mão daquele homem apontando para ela no fim, e daquelas palavras levianas: "foi ela".
No segundo dia, o caso repercutiu na internet.
Alguém divulgou: "Esposa de magnata, arrogante e descontrolada, quebra presente de Estado em banquete".
Embora não houvesse nomes citados, todos no meio sabiam de quem se tratava.
O assunto ficou nos tópicos mais comentados durante todo o dia, e a área de comentários estava cheia de insultos:
"Esse tipo de esposa de rico precisa de um corretivo!"
"Vergonha para a cidade, sugiro que seja presa!"
"Disseram que foi de propósito, que malvada!"
Humilhação, dor e violência virtual... tudo entrelaçado.
Isabela encolheu-se no canto da cela, tremendo de frio, com sua consciência oscilando entre a lucidez e o desmaio.
Somente na manhã do terceiro dia, graças às conexões da família Fernando e à qualificação final do crime como "negligência", ela foi liberada sob fiança.
Ao sair pelos portões da delegacia, o vento frio do início do inverno cortava seu rosto como lâminas.
Seu vestido de gala, já fino, estava imundo, seu cabelo desgrenhado e sua pele branca como a de um fantasma.
Não havia carro esperando por ela.
Apenas alguns paparazzi escondidos, disparando flashes freneticamente.
"Sra. Fernando, a senhora quebrou de propósito?"
"A senhora está insatisfeita com seu marido?"
Isabela baixou a cabeça, cobrindo o rosto com os braços, afastando as lentes que quase tocavam seu rosto.
Quando ela estava prestes a desmaiar por exaustão, um táxi comum parou à sua frente.
O motorista era um senhor de aparência bondosa: "Moça, vai para onde?"
Isabela, como se tivesse agarrado um salva-vidas, abriu a porta e entrou.
No momento em que a porta se fechou, ela olhou através da janela e viu, do outro lado da rua da delegacia —
O Maybach familiar de Fernando parado ali.
O vidro estava entreaberto; Bianca estava encostada no banco do carona, e Fernando, com uma garrafa de água nas mãos, abria a tampa para entregá-la a ela, com uma expressão que poderia ser chamada até de ternura resignada.
Então, ele veio.
Mas ele não saiu do carro, não veio buscá-la.
Ele estava acompanhando a "culpada" que tinha levado um susto.
Isabela encostou-se no banco, fechou os olhos e lágrimas rolaram silenciosamente.
"Motorista, vamos."
Capítulo 8
Ao retornar à mansão, Isabela sentia como se seu corpo tivesse sido desmontado.
A babá, Dona Helena, ao vê-la naquele estado deplorável, deixou cair o pano de prato que segurava.
"Sra... Sra. Isabela? A senhora não foi ao banquete? Como chegou a esse ponto? Onde está o Sr. Fernando?"
Isabela balançou a cabeça, sem vontade de dizer uma única palavra.
Ao entrar no quarto, seu celular tocou. Era um SMS de transferência bancária.
【Sua conta de final 8888 recebeu um crédito de 5 milhões. Observação: Pelo esforço. Bianca ficou assustada, vou levá-la para um resort de águas termais nos arredores para relaxar, volto em dois dias. Cuide-se bem em casa. — Fernando】
Cinco milhões.
Comprando seus dois dias de cárcere, comprando sua reputação de toda uma vida.
Isabela olhou para aquele número e, de repente, sentiu um nojo profundo.
Ela jogou o celular de lado e, suportando a dor lancinante e a febre alta, puxou debaixo da cama a mala que já estava arrumada há tempos.
Dona Helena, com os olhos lacrimejando, tentou impedi-la: "Sra. Isabela! Aonde a senhora vai? Está queimada, mal saiu daquele lugar... pelo menos espere se recuperar!"
Isabela afastou a mão dela com a voz rouca, porém anormalmente firme: "Eu não posso mais esperar."
Um dia, um minuto, um segundo; ela não podia esperar mais.
Ela tirou o contrato de divórcio que já estava reconhecido em cartório.
Como havia a assinatura e a impressão digital de Fernando de três anos atrás, e ela já tinha solicitado a urgência através de seus advogados, hoje era o dia em que a validade jurídica entrava em vigor.
Ela colocou o original do contrato em um lugar visível da mesa de cabeceira e, ao lado, a aliança de prata que Fernando lhe dera e as chaves da casa.
Ela levou consigo apenas a pequena caixa que guardava o anel de Ricardo.
"Dona Helena," disse Isabela, olhando para a mulher que cuidou dela por três anos, "quando Fernando chegar, por favor, entregue isso a ele pessoalmente."
Dona Helena chorou e assentiu: "Sra. Isabela..."
"Não me chame mais de Sra.," Isabela sorriu, um sorriso pálido e resoluto. "A partir de hoje, Fernando e eu não temos mais nenhuma relação."
Arrastando a mala, passo a passo, ela saiu da mansão que a prendeu por cinco anos e que carregou todo o seu amor, ódio e desespero.
O segurança do portão acenou, mas ela não retribuiu.
Ela entrou em um carro de aplicativo com destino ao aeroporto.
Pela janela, a paisagem da cidade passava voando.
Ela deu uma última olhada na cidade.
Então, tirou o celular, removeu o cartão SIM, quebrou-o e jogou na lixeira do carro.
Inseriu um novo chip e discou um número.
A ligação foi atendida rapidamente, e a voz preguiçosa e grave de um homem ecoou: "Decidiu?"
Isabela encostou a cabeça no banco, observando o céu acinzentado lá fora, e disse suavemente:
"Ricardo, estou chegando em São Paulo."
Capítulo 9
Na estância termal, o aquecimento era sufocante.
Bianca, vestida com um roupão, aninhava-se ao lado de Fernando, sua voz doce e suave: "Fernando, desta vez foi graças a você que me protegeu. Caso contrário, eu realmente teria ido parar na prisão..."
Ela hesitou por um momento, observando cuidadosamente a expressão dele: "A Isabela... será que ela me odeia?"
Fernando estava distraído, girando o celular na mão, sentindo um pânico inexplicável no peito.
Ele franziu a testa: "Isabela é sensata, ela não faria isso. Além disso, dei a ela cinco milhões; isso é suficiente para acalmá-la. Quando voltarmos, comprarei um carro novo para ela."
Mal terminou de falar, ouviu-se uma batida urgente na porta.
O assistente, Xiao Zhang, entrou correndo sob a chuva, com uma expressão de pânico nunca antes vista, até a gravata estava torta.
O coração de Fernando deu um salto, e ele se levantou abruptamente: "O que houve? Será que a Isabela... a ferida infeccionou?"
Xiao Zhang balançou a cabeça, entregou um documento com as duas mãos, sua voz trêmula: "Sr. Fernando... Dona Helena entregou isso na empresa chorando agora pouco. A esposa... ela foi embora. Este é o acordo de divórcio que ela deixou."
"O quê?"
As pupilas de Fernando encolheram-se, e ele arrancou o documento das mãos do assistente.
O papel era fino, mas pesava como uma tonelada.
A linha no topo, [Acordo de Divórcio], ainda era dolorosamente clara, e no canto inferior direito estava a nova assinatura de Isabela, elegante, porém com uma força que atravessava o papel; a data era hoje.
Anexo a ele, estavam aquelas cláusulas impiedosas que ele mesmo redigira três anos atrás, em um momento de embriaguez.
Ele havia escrito aquilo casualmente e esquecido completamente, mas nunca imaginou que ela teria guardado aquilo, escondido por três anos inteiros, para se tornar agora a lâmina que cortava o último elo entre eles.