《A Herdeira Perdida do Império de Santa Aurora》Capítulo 11

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O

Palácio Imperial de Santa Aurora

estava completamente transformado.

Não era mais um espaço de conflito.

Nem de julgamento.

Nem de medo.

Agora era um espaço de expectativa.

De reconstrução.

De história sendo reescrita diante dos olhos de todos.

Nos jardins externos, centenas de pessoas haviam se reunido.

Nobres.

Cidadãos.

Representantes de províncias.

E até soldados.

Todos aguardavam o momento final.

A coroação.

Mas dentro do palácio…

o silêncio era mais profundo.

Lívia Soares

estava diante de um grande espelho dourado.

Vestia um traje simples.

Branco.

Sem pedras preciosas.

Sem bordados excessivos.

Apenas tecido leve.

E em suas mãos…

um pequeno ramo de rosas brancas.

As mesmas rosas que haviam marcado o início de tudo.

A Rainha-Mãe entrou lentamente no aposento.

E parou atrás dela.

—“Você não precisa fazer isso se não quiser.” — disse ela com calma.

Silêncio.

Lívia olhou seu próprio reflexo.

E respondeu:

—“Eu nunca quis nada disso.”

Pausa.

—“Mas também nunca quis que mentiras decidissem a vida de alguém.”

A Rainha-Mãe se aproximou.

—“O império está esperando por você.”

Lívia respirou fundo.

—“O império não me conhece.”

Silêncio.

—“Eu cresci no jardim, lembrando de cheiro de terra, não de coroas.”

A Rainha-Mãe ficou em silêncio por alguns segundos.

E então disse:

—“Talvez seja exatamente por isso que ele precise de você.”

Lívia fechou os olhos.

E por um instante…

tudo voltou.

O salão.

As humilhações.

A verdade.

As revelações.

E Evelina.

Ela abriu os olhos novamente.

E disse:

—“Se eu entrar lá… não quero ser acima de ninguém.”

Silêncio.

—“Quero ser igual a todos.”

A Rainha-Mãe assentiu lentamente.

—“Então entre assim.”

NO SALÃO PRINCIPAL

O espaço estava completamente cheio.

O rei Augusto no centro.

Bento Ribeiro ao lado.

Os ministros.

Os nobres divididos.

E Evelina.

Em pé.

Mas em silêncio.

As portas se abriram.

E todos prenderam a respiração.

Lívia entrou.

Sem música.

Sem cerimônia exagerada.

Sem joias.

Apenas ela.

E o ramo de rosas brancas.

Um murmúrio percorreu o salão.

—“É ela…”

—“A herdeira…”

—“A menina do jardim…”

O rei levantou a mão.

Silêncio absoluto.

Ele olhou para Lívia.

E disse:

—“Você foi reconhecida como herdeira legítima do Império de Santa Aurora.”

Pausa.

—“Mas a escolha final sempre pertence ao portador da coroa.”

Silêncio.

Ele apontou para a mesa diante dele.

Onde estava a coroa imperial.

Dourada.

Pesada.

Histórica.

—“Se aceitar… o império será seu.”

Todos olharam para Lívia.

Evelina também.

Mas agora sem rivalidade.

Apenas expectativa.

Lívia respirou fundo.

E deu um passo à frente.

Depois outro.

Ela parou diante da coroa.

Olhou.

Longamente.

E então fez algo inesperado.

Ela não tocou nela.

Em vez disso…

colocou as rosas sobre a mesa.

O salão ficou confuso.

Ela virou-se para todos.

E disse:

—“Eu não quero governar sobre pessoas como se fossem inferiores ou superiores.”

Silêncio.

—“Eu vivi entre flores.”

—“E elas não escolhem onde nascer.”

Ela olhou para os nobres.

—“Nem nós deveríamos escolher quem vale mais.”

Um silêncio profundo tomou conta do salão.

Ela respirou fundo.

E continuou:

—“Se eu aceitar esta coroa…”

Pausa.

—“Quero que ela signifique mudança.”

O rei estreitou os olhos.

—“Que tipo de mudança?”

Lívia respondeu:

—“Um império onde ninguém seja esquecido por não ter sangue nobre.”

Silêncio.

Ela olhou para Evelina.

E depois para todos.

—“Porque eu sei o que é ser invisível.”

Evelina abaixou a cabeça lentamente.

A Rainha-Mãe começou a chorar discretamente.

Bento Ribeiro fechou os olhos por um instante.

O rei respirou fundo.

E então disse:

—“Então você não quer ser uma rainha tradicional.”

Lívia respondeu:

—“Eu quero ser uma rainha humana.”

Silêncio absoluto.

O rei caminhou lentamente até ela.

E pegou a coroa.

Mas ao invés de colocá-la sobre sua cabeça…

ele segurou-a diante dela.

—“Então não será apenas uma coroação.”

Pausa.

—“Será uma renovação.”

E então ele colocou a coroa ao lado das rosas.

E disse:

—“Império de Santa Aurora… reconhece sua nova era.”

EPÍLOGO

Meses depois.

O palácio havia mudado.

As regras também.

E o império.

Não havia mais distinção rígida entre nobres e servos dentro de certos espaços.

As decisões eram discutidas publicamente.

E pela primeira vez…

o palácio não parecia uma prisão de ouro.

Mas um organismo vivo.

Evelina estava nos jardins.

Sozinha.

Mas em paz.

Lívia se aproximou.

Evelina olhou para ela.

E sorriu levemente.

—“Você ainda me assusta um pouco.”

Lívia respondeu:

—“Eu também me assusto às vezes.”

As duas ficaram em silêncio.

Depois Evelina disse:

—“Você realmente não quis a coroa.”

Lívia olhou para o jardim.

E respondeu:

—“Eu quis o que ela representa.”

Pausa.

E então ela disse a frase final.

A frase que mudaria o império para sempre.

—“Porque o verdadeiro rei… não nasce do sangue.”

—“Nasce do coração.”

FIM

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