"Acredite em mim, por favor, acredite..."
Beatriz olhava para ele com lágrimas que brotavam instantaneamente, em um simulacro de fragilidade.
Thiago, ao ver a rapidez com que ela mudava de expressão, sentiu apenas o quão absurdo e ridículo tudo era.
A atuação dela era tão tosca, e ainda assim, ele acreditara, chegando a ferir Clara repetidas vezes por causa de uma mulher como aquela.
Ele estivera louco!
Ao lado, a Sra. Fu, apreciando a dor e o arrependimento do filho, disse calmamente:
"Não tenha pressa em se explicar, ainda temos um monte de coisas boas aqui esperando por sua explicação."
Dito isso, ela retirou um maço de documentos e fotos e os jogou no rosto de Beatriz.
As bordas dos papéis cortaram a pele de Beatriz, fazendo o sangue verter.
Ela, sem ligar para a dor, abaixou a cabeça para olhar as fotos e soltou um grito.
"Não, não é isso! Tudo isso é falso! É tudo mentira! É tudo montagem!"
Ela avançou como uma louca para pegar as fotos, mas eram tantas que ela não dava conta, e o conteúdo estava exposto para todos.
Thiago baixou os olhos, encarando as fotos no chão.
Eram todas fotos de Beatriz sendo sustentada anteriormente, bebendo e jogando com homens mais velhos, e até algumas fotos íntimas.
Nelas, ela estava com maquiagem pesada, com uma expressão de êxtase e entrega, sem qualquer sinal de relutância.
Aquela aparência gananciosa e decadente era completamente diferente da imagem pura e frágil que ela exibia ao lado de Thiago.
Beatriz chorava desesperadamente: "Acredite em mim, Sr. Thiago, são todas falsas, alguém me incriminou com montagens, eu nunca fiz essas coisas..."
Thiago sentiu as veias da testa latejarem de ódio enquanto recolhia os documentos.
Capítulo 14
O arquivo detalhava minuciosamente todas as ações obscuras de Beatriz.
Havia evidências de como ela planejou incriminar Clara repetidas vezes desde que se tornou secretária de Thiago.
Naquela vez em que ela incriminou Clara por tê-la agredido em casa, a câmera de vigilância mostrava claramente que ela provocou Clara primeiro e que foi ela mesma quem segurou a mão de Clara para bater nela mesma.
Sobre a acusação de que Clara a forçara a deixar a cidade, na verdade, ela mesma contratou alguém para bater nela, e depois maquiou o rosto para parecer mais grave.
Antes de Thiago ir procurá-la, ela passava o tempo todo se divertindo com outros homens, só assumindo a aparência lamentável quando Thiago chegou.
Aproveitando-se da culpa dele, propôs que, se pudesse dar o troco em Clara, ela ficaria.
E sobre o seu suicídio, na verdade, o corte na pele era raso e pouco sangue fora perdido.
A tal emergência por perda de sangue era apenas uma encenação com bolsas de sangue compradas, e ela havia subornado os médicos e enfermeiras.
Thiago segurava os documentos; quanto mais lia, mais seu rosto escurecia.
Seus dedos tremiam, ele apertava os papéis com tanta força que seus olhos ficaram vermelhos.
No instante seguinte, incapaz de conter sua fúria, ele desferiu um chute violento no abdômen de Beatriz, arremessando-a longe.
"Sua vadia!"
Beatriz soltou um grito e caiu no chão, contorcendo-se de dor.
O chute de Thiago fora extremamente potente; Beatriz tremia violentamente, apertando o abdômen.
"Minha... minha barriga... dói muito..."
Quase no mesmo momento em que ela falou, uma poça de sangue começou a se formar debaixo dela.
O filho que ela queria usar para incriminar Thiago tinha sumido!
Beatriz chorava de dor, mas não se importava mais com isso, apenas olhava para Thiago de forma patética.
"Sr. Thiago, eu estava errada, fiz tudo isso porque te amava demais e queria me casar com você."
"Fui forçada, por favor, me perdoe..."
Suas súplicas soaram como óleo fervente na fúria de Thiago.
Thiago avançou descontrolado e desferiu outro chute violento no abdômen de Beatriz.
Um atrás do outro, sem qualquer misericórdia.
"Sua vadia! Como você ousa! Como ousa planejar e ferir Clara desse jeito! Você merece morrer! Vá para o inferno! Morra!"
Thiago estava fora de si, sua fúria não tinha limites, e ele batia como se realmente quisesse matá-la.
Beatriz tremia de pavor, implorando desesperadamente:
"Ah! Sr. Thiago, por favor, me perdoe... eu estava errada... por favor..."
Thiago, porém, não parava; não importava o quanto ela implorasse, ele já havia desferido dezenas de chutes.
Beatriz tremia por completo e acabou perdendo a consciência, respirando com muita dificuldade.
A Sra. Fu acenou para os seguranças: "Parem-no."
Os seguranças avançaram e agarraram Thiago em sua fúria.
A Sra. Fu disse friamente: "Mesmo que você a mate agora, de nada adiantará."
Thiago recuperou um pouco da calma e correu para fora, atordoado:
"Tenho que procurar Clara, preciso encontrá-la..."
A Sra. Fu não o impediu, deixando-o partir como um louco.
Ao olhar para as costas do filho, ela suspirou silenciosamente.
"Filho, meu filho, você despertou tarde demais."
Clara tinha uma personalidade forte e, mesmo sofrendo tantos abusos, nunca reclamou com ela, sua sogra.
Agora, ao enviar essas provas para ela, sua atitude já estava implícita.
Ela havia... desistido completamente de Thiago.
Thiago correu para o estacionamento e pegou o celular, ligando desesperadamente para o número de Clara.
No entanto, a ligação chamava e ninguém atendia.
O coração de Thiago apertou e, por acaso, ele notou uma mensagem não lida.
Movido por um pressentimento, ele a abriu e descobriu que era do cartório, lembrando que o período de reflexão havia acabado e que ele poderia retirar a certidão de divórcio.
Se fosse antes, ele com certeza riria e ignoraria.
Mas naquele momento, Thiago sentiu que mal conseguia respirar, seu coração estava em pânico absoluto.
Capítulo 15
Mas ele se consolava desesperadamente.
Não, isso não era possível. Clara o amava tanto que certamente não teria coragem de se divorciar de verdade.
O divórcio que ele aceitou não passava de um teatro para assustar Clara; era um código implícito entre eles, pois ambos sabiam há muito tempo que estavam destinados a se enredar por toda a vida.
Thiago repetia isso para si mesmo, fazendo uma lavagem cerebral, até conseguir se acalmar um pouco.
Ele entrou no carro, pisou fundo no acelerador e disparou.
Cada palavra contida naqueles documentos não parava de surgir em sua mente.
Ao pensar que ele ajudara Beatriz a intimidar e ferir Clara tanto assim, ele sentia um ódio profundo de si mesmo.
Ele se tornara o algoz da pessoa que mais amava neste mundo!
Se Clara tivesse recebido alta, ela certamente teria voltado para casa; ela devia estar lá, esperando suas desculpas, esperando que ele finalmente enxergasse a verdade.
Exatamente como em inúmeras outras vezes no passado.
Cheio de culpa e arrependimento, Thiago correu direto para casa.
Enquanto abria a porta, ele gritava em pânico:
“Clara! Clara! Eu sei que errei, Clara! Desculpe... me desculpe... eu...”
Mas, no exato instante em que abriu a porta, seus olhos foram atraídos pelo pequeno livreto vermelho sobre a sapateira.
O movimento de Thiago congelou instantaneamente; ele olhou fixamente para aquele arquivo vermelho.
Parecia que ele tinha sido paralisado por um feitiço.
Depois de um bom tempo, ele finalmente reagiu, estendendo a mão de forma rígida para pegar aquele livreto fino, que parecia pesar toneladas em sua mão.
“Certidão de divórcio... impossível... isso é falso... isso tem que ser falso!”
Com as mãos trêmulas, Thiago abriu o documento.
Nele, constava o seu nome.
O selo metálico na certidão de divórcio quebrou sua última ilusão.
Ele e Clara estavam, de fato, divorciados.
Os olhos de Thiago foram atingidos por uma dor súbita, tão intensa que se encheram de lágrimas.
Nesse momento, a folha de papel que estava sob a certidão de divórcio flutuou e caiu no chão.
Thiago se curvou mecanicamente para pegá-la, mas, ao ver as palavras escritas ali, suas pupilas se contraíram e ele perdeu todas as forças.
Termo de consentimento para cirurgia de aborto.
O filho dele e de Clara... não existia mais.
Não existia mais...
Thiago desabou no chão. Ele levantou a cabeça, seus olhos vazios encarando a villa onde ele e Clara viveram por três anos.
As coisas lá dentro, que ele achava que conhecia tão bem, já tinham sido descartadas por Clara da última vez que brigaram.
Agora, a villa estava vazia, parecendo uma prisão, e ele, abandonado por Clara, estava preso ali dentro.
Thiago levantou as mãos em colapso, agarrando os próprios cabelos com força, curvando as costas e gritando de dor e agonia.
“Ah! Clara! Eu estava errado! Eu estava errado!!!”
......
Nesse momento, Clara já tinha retornado à casa da família Jiang.
Vestindo um vestido branco e empurrando uma mala simples, ela entrou direto em casa.
Seu pai, sua mãe e seu irmão, Jiang Ziyan, estavam conversando na sala.
Ao ouvirem o barulho, viraram-se e, ao vê-la, seus rostos se iluminaram com surpresa.
Jiang Ziyan brincou:
“Ora, ora, uma visita rara. Por que de repente resolveu voltar para casa para ver o papai, a mamãe e este seu irmão deixado para trás?”
A mãe de Clara também olhou surpresa para a mala que ela carregava:
“Clara, por que trouxe uma mala? Brigou com Thiago?”