Li Qingze hesitou por um momento e disse: "Falência de múltiplos órgãos, ele foi transferido para a UTI agora."
"O médico disse que ele ainda não saiu do risco de vida..."
Li Qingze olhou para ela, abriu a boca, querendo perguntar se Lana ainda tinha o Capitão no coração.
Mas não sabia como perguntar, e foi a colega atrás dele, Chen Yiting, que não aguentou.
Seus olhos estavam vermelhos, suprimindo o tremor em sua voz, ela disse apressadamente:
"Srta. Lana, naquele dia no bar, eu e o Capitão estávamos atrás de vocês, ouvimos que você não tinha perdido a memória."
"Naquele dia, o Capitão não disse uma palavra, ficou sentado no carro o dia todo. Eu perguntei a ele, sabendo que você lembrava de tudo, por que deixar passar até o fim?"
"Você sabe o que ele disse?"
Seus lábios tremiam enquanto ela olhava na direção da UTI.
"O Capitão disse que alguém que cometeu um erro não pode esperar ser perdoado."
"Mas Srta. Lana, sob a perspectiva do Capitão, seu irmão morreu, todos diziam que você fugiu abandonando o carro, mas ao saber que você abandonou a escola e foi embora, ele ainda enviou mensagens, ele te procurou por muito tempo, o que ele queria era apenas que você dissesse pessoalmente que não tinha feito aquilo."
"Mas essa resposta, ele esperou por dez anos."
"Srta. Lana, eu estou com medo..."
"Com medo de que algo aconteça com o Capitão e que, por não te ver uma última vez, ele tenha um arrependimento."
"Por isso, peço que, mesmo que finja se importar, peço que fique ao lado dele, só por esses dias..."
Li Qingze, um homem forte, não aguentou e cobriu o rosto, chorando.
"Srta. Lana..."
"O Capitão, esses dez anos também foram dolorosos, dolorosos ao ponto de ter que usar muitos calmantes toda noite para conseguir dormir..."
"Ele não te odeia de verdade; o motivo de ele ter te tratado assim foi para te forçar a explicar por que desapareceu por dez anos."
"Desta vez, o Capitão realmente... pode não aguentar..."
Lana finalmente falou: "Em qual quarto ele está?"
Capítulo 22
Quando Lana entrou para a visita.
A enfermeira tinha acabado de trocar seus curativos; seus ferimentos eram graves, os ferimentos nas pernas, nos braços, na cabeça, tudo era chocante de ver.
Lana não ousava olhar.
Ela apenas sentou-se ao lado da cama, observando-o silenciosamente.
A barba por fazer despontava em seu rosto, as sobrancelhas estavam franzidas, e seus lábios estavam um pouco rachados.
De vez em quando, ele soltava gemidos baixos devido à dor.
Lana estendeu os dedos, contando-os um por um.
Do 1 ao 3, do 3 ao 4, e quando finalmente chegou ao 5, suas mãos tremiam sem parar.
Suas lágrimas caíam silenciosamente sobre o dorso da mão de Beto.
Como, em apenas dez anos, ela perdeu seu melhor amigo, perdeu os pais, perdeu sua melhor confidente.
Agora, Beto também tinha se tornado assim.
Por que, por que ser tão cruel com ela?
Ela se segurava, tentando não soluçar alto.
Os olhos de Lana estavam nublados, e naquela névoa, ela viu um olhar sereno.
Beto abriu os olhos, observando-a em silêncio.
Os lábios de Beto tremeram de repente, ele queria dizer algo, mas no fim não conseguiu emitir som algum.
Lana: "Você..."
Ela hesitou por muito tempo: "Você..."
Ela queria dizer: você... está bem? Mas, ao abrir a boca, suas emoções romperam como uma represa.
Ela suprimiu o nó na garganta e virou-se de costas.
As lágrimas escorriam em silêncio.
Ela não ousava encarar os olhos dele.
Lana de repente lembrou-se do Beto aos dezesseis anos, cheio de vigor.
Ele pedalava uma bicicleta vestindo uma camisa branca, levando-a pelos caminhos do campus; seus braços longos tocavam os galhos das árvores, e pétalas de flores de cerejeira caíam sobre sua cabeça.
No caminho de casa, eles encontraram arruaceiros em motocicletas.
Eles a ameaçavam, revistavam sua mochila, procurando o dinheiro.
Ele lutou sozinho contra sete ou oito pessoas, com facilidade, até mesmo com a mochila atravessada, mascando um talo de capim na boca, trocando provocações com ela.
Ele estava cheio de rebeldia: "Lana, chame-me de irmão, e eu te protejo."
Aquele tipo de rapaz.
Não deveria ser assim.
Não deveria estar deitado em uma cama, com dificuldade até para mover um dedo.
Lana finalmente se virou, olhou para Beto e disse com uma voz muito, muito suave: "Beto, estou aqui."
Beto permaneceu em silêncio.
Não dava para entender o que se passava naquelas pupilas confusas.
Lana sentou-se ao lado dele: "Beto, eu... faz muito, muito tempo que não conversamos."
A voz de Beto era muito fraca, movendo os lábios.
Lana aproximou o ouvido e só então conseguiu ouvir o que ele dizia.
"Você... vá..."
Lana baixou os olhos, vendo imediatamente a bolsa de urina pendurada embaixo dele; o que vazava ali era sangue puro.
Sangue na urina.
Ela apertou os próprios dedos e disse com a voz embargada: "Beto, você continua o mesmo."
"Ou talvez, nós continuemos os mesmos."
Sempre empurrando o outro para longe em nome de "querer o seu bem".
Lana, ao erguer os olhos, viu que estava nevando pela janela.
Flocos de neve lindos, brancos como ganso.
Ela disse: "Beto, está nevando."
Beto tentou mover o pescoço com muita dificuldade, mas descobriu que qualquer movimento parecia causar uma dor que rasgava a carne.
Lana tirou o celular e tirou uma foto da neve.
Ela disse: "Beto, é bonito?"
Beto permaneceu em silêncio.
Lana não disse mais nada, apenas ficou ao lado dele.
Até o horário de visita da UTI acabar.
Lana levantou-se para sair e disse: "Beto, até amanhã."
"Para sempre, até amanhã."
Lana saiu do quarto e foi ver o médico.
O médico disse: "Cair do quinto andar, se não fosse pelo amortecimento dos arbustos lá embaixo, o policial Beto não teria sobrevivido."
"Falência de múltiplos órgãos, complicações pós-operatórias, tudo isso são obstáculos."
"A situação dele não é otimista."
O médico disse muitas, muitas coisas.
Lana só ouviu as últimas quatro palavras: não é otimista.
Quando Lana se virou para sair da enfermaria, viu a mãe de Beto.
Capítulo 23
A mãe de Beto, raramente, não gritou com ela, mas sentou-se e contou a Lana muitas coisas sobre o passado de Beto.
Ela falou de como, depois que Lana abandonou a escola, ele ficava na frente do computador todas as noites, esperando pela foto de perfil cinza e sem resposta no fórum.
Falou de quando Beto, aos dezenove anos, viu uma silhueta parecida com a dela e perseguiu por dez quilômetros.
Quase foi atropelado por um carro, e disse desapontado: "Como ela... desapareceu..."
Falou de como, todo ano, ao visitar o túmulo dos pais de Lana, quando inimigos apareciam para pichar o túmulo, Beto ficava lá dia e noite, vigiando o local.
Ele dizia: "Se Lana voltar e ver isso, vai ficar triste."
Por fim, a mãe de Beto disse: "Lana, o que eu odiei todos esses anos não foi você, mas sim meu filho, por ele ser tão bondoso, bondoso a ponto de ter a coragem de me abandonar e arriscar a própria vida para te salvar."
"Mas agora, percebo que parece não conseguir odiar ninguém. Agora, meu outro filho, não teria ele, da mesma forma, arriscado a própria vida para proteger a justiça em seu coração..."
"Essa foi a escolha dele..."
Lana abaixou a cabeça e disse: "Desculpe..."
Além de desculpe.
Ela não conseguia dizer mais nada.
A mãe de Beto enxugou a umidade dos olhos e disse: "Lana, obrigada."
Obrigada por ainda estar disposta a vir vê-lo.
Lana vinha todos os dias, desde o início até o fim do horário de visita.
Beto ainda não estava disposto a falar com ela.
Ela não se importava, trazendo fotos antigas, conversando sobre o passado e trazendo um ramo de flores todos os dias.
Ela dizia: "Beto, quando eu te trouxer sete ramos de flores, você vai melhorar, está bem?"
Sete é o número da sorte de Beto.
16 de fevereiro, é o último dia do ano lunar.
Lana esqueceu de trazer flores e sorriu com impotência: "Beto, veja, eu continuo tão esquecida."
"Beto, hoje é véspera de Ano Novo, você quer comer bolinhos?"
Os lábios secos de Beto se moveram e ele disse baixinho: "O médico disse que não posso comer."
Lana sorriu.
Ele continuava rígido e metódico.
Ela disse: "Não tem problema, pode apenas manter na boca e depois cuspir."
"Beto, na véspera de Ano Novo é preciso comer bolinhos, para que o próximo ano seja de união."
A voz de Beto amoleceu um pouco: "Está bem."
Lana olhou para Beto na cama do hospital; o sangue na urina estava diminuindo, e o médico também disse que as funções orgânicas estavam se recuperando.
No último dia daquele ano, ela recebeu a melhor notícia.
Lana se preparou para sair.
Beto, no entanto, chamou-a de repente: "Lana."
Lá fora, a neve caía pesadamente.
Lana olhou para trás e viu aqueles olhos profundos como tinta, parecendo emitir luzes cintilantes.
Ela perguntou: "Beto, o que você quer me dizer?"