《Destinos Cruzados: O Segredo de Dez Anos》Capítulo 5

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Em seguida, ele ouviu o som da ambulância chegando.

……

Do lado de fora da sala de emergência.

Sérgio apertava a mão do médico: "Doutor, não importa o custo do medicamento ou do equipamento, você tem que salvá-la!"

"Você tem que salvar!"

Este homem, que sempre fora elegante e calmo, perdeu o controle pela primeira vez.

Lana era a única herança que a mãe dela deixara neste mundo.

Se ela morresse, como ele poderia encarar a mãe dela, que já se fora?

"Farei o possível."

Após dizer isso, o médico fechou a pesada porta do centro cirúrgico.

A placa verde de "Cirurgia em Andamento" brilhou na sala.

Aquele inverno foi particularmente frio; embora tivesse acabado de começar, o vento gélido de Lanyang uivava lá fora, e o aquecimento do hospital não parecia fazer muita diferença.

Beto sentiu como se toda a sua energia tivesse sido drenada.

Ele se encostou na parede, esvaziando a mente, acendendo um cigarro após o outro, o mundo parecendo ter silenciado.

Sérgio caminhou até ele, respirou fundo e falou com dificuldade.

"Inspetor, você já parou para pensar em como a vida de Lana pode ser tão miserável?"

A voz de Sérgio tremia incontrolavelmente, mas ele persistia na dor.

"Inspetor, você sabe? Assim que ela foi enviada para o exterior pela mãe, ela foi assaltada em um país estranho."

"Uma pequena princesa que antes vivia cercada de mimos, sem nunca ter sofrido uma injustiça, trabalhando como lavadora de pratos no exterior, comendo restos de comida quando estava na miséria."

"Naquela época, seus pais morreram, e seu melhor amigo também. Ela se culpava e se arrependia, perguntando-se por que não fora ela quem morrera."

"Quando sua depressão atingiu o ápice e ela não tinha dinheiro para remédios, ela só conseguia usar correntes para prender as próprias mãos, para evitar a automutilação."

Enquanto falava, Sérgio abriu o celular e lhe mostrou uma foto.

Na imagem, os pulsos brancos estavam cheios de cicatrizes de sangue, o sangue seco e enegrecido.

O cigarro na mão de Beto queimou seu pulso, mas ele nem sentiu.

Ele tentava ao máximo conter o tremor em sua voz.

Ele disse: "Por que ela não ligou de volta?"

Dez anos, ele enviou inúmeras mensagens, mas todas caíram em um poço sem fundo.

O amargor se espalhou pelos lábios de Sérgio: "Eu também fiz essa pergunta a Lana."

"Mas ela disse que, naquela época, não conseguia garantir que estaria viva no dia seguinte."

"Naquela época, presa na lama e na escuridão, além dela mesma, ninguém poderia salvá-la."

O homem de meia-idade apertava seu rosário de buda, girando as contas uma a uma.

Ele abaixou a cabeça, desamparado, murmurando: "Tudo parecia que ia melhorar, por que aconteceu isso..."

Beto virou-se em silêncio.

Ele caminhou até a janela, enfiou a mão no bolso e tocou uma carta.

Capítulo 9

Era ele aos dezoito anos, a carta de confissão escrita para Lana, que ele pessoalmente retirou da caixa de correio da família Wen.

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Naquela época, Igor também escreveu uma, para Clara, dez anos depois.

Beto estava parado ao lado da janela, deixando o vento frio varrer seu rosto enquanto acariciava aquela carta.

Mas só conseguia sentir o quão ridículo era.

Quando ele pegou essa carta, teve por um momento o pensamento absurdo.

Se ele não tivesse pego essa carta, qual teria sido a reação de Lana ao vê-la?

Não sei por que, ao ouvir sobre o passado de Lana, o que senti mais do que pena foi autodepreciação.

Autodepreciação por ter esperado por dez anos inteiros por alguém que nunca teve espaço para ele em seu coração.

Nesses dez anos, seu número de telefone, conta de QQ, e até mesmo a foto de perfil no fórum permaneceram os mesmos.

Ele permaneceu em Lanyang, morando na Rua Wutong.

Tudo para que, se ela voltasse, pudesse encontrá-lo imediatamente.

Mas ela, mesmo estando quase sem forças para viver, nunca pensou em procurá-lo por um único segundo.

O que ele afinal significava para ela?

Ele se pressionou fortemente contra a parede, as veias saltadas em seus olhos preenchendo toda a íris.

No instante seguinte, a porta da sala de cirurgia se abriu.

O médico disse pesadamente:

"Sinto muito, fizemos tudo o que podíamos."

O rosto de Beto empalideceu instantaneamente.

Sérgio correu até ele: "Fizeram tudo o que podiam... o que isso significa?"

O médico disse: "A cirurgia foi um sucesso, mas... a consciência de sobrevivência da paciente está muito fraca, então, se ela vai acordar ou não, depende dela mesma."

Consciência de sobrevivência muito fraca.

Ou talvez, ela mesma nunca tenha pensado em acordar.

O médico saiu de cabeça baixa.

O assistente médico ao lado, seguindo o médico, parecia triste: "Essa garota é tão digna de pena, seu corpo está coberto de cicatrizes densas, não sei o que ela passou..."

Quando Lana foi trazida para fora, ela estava entubada com oxigênio.

O avental cirúrgico largo vestia seu corpo, ela estava silenciosa, como se estivesse apenas dormindo.

Beto viu as cicatrizes na clavícula de Lana.

Tortuosas, com várias cicatrizes feias de pontos.

Beto ficou mudo por um instante, incapaz de falar.

O que ela passou naqueles dez anos? Quantas coisas ele ainda não sabia?

Nesse momento, uma enfermeira se aproximou.

"A paciente não corre mais risco de vida imediato, ela será transferida de volta para a UTI. Vocês precisam conversar muito com ela, falar sobre o passado, sobre as coisas que ela se importa, é melhor que a família acompanhe 24 horas por dia para despertar seu desejo de viver."

Beto seguiu em silêncio de volta ao quarto.

Ele olhou para Lana na cama do hospital; ela estava magra demais.

Sem vitalidade, como uma flor prestes a murchar, lutando até o fim, restando apenas um sopro de vida para sustentá-la.

Como poderia ser ela a Lana?

Ele parecia não conseguir lembrar da Lana de antigamente, que na Rua Wutong tentava aprender a andar de bicicleta, caía de bunda e fazia birra: "Beto, não consigo aprender, de agora em diante você vai me levar todo dia!"

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Parecia não conseguir lembrar da Lana que prendia o cabelo em um rabo de cavalo alto, vestia uma saia branca e, irritada, decorava seus livros na varanda, acabando por adormecer enquanto estudava.

Sérgio disse com significado: "Inspetor, a pessoa que melhor pode despertar o desejo de viver de Lana deve ser você."

Sérgio deu um tapinha em seu ombro, a voz rouca: "Beto, você precisa trazê-la de volta."

No entanto, a voz de Beto era gélida: "Sinto muito, não é conveniente."

"Clara ainda está no necrotério, tenho coisas para resolver."

Beto apertava os punhos com força.

Tão forte que o sangue quase transbordava.

Ele, alguém que foi abandonado por ela há dez anos, como poderia despertar seu desejo de viver.

Capítulo 10

A enfermeira entrou para trocar o soro de Lana.

Virou-se e perguntou: "Vocês têm vídeos dos momentos felizes dela? Da formatura, aniversários, ou até mesmo vídeos de casamento, isso pode estimulá-la."

Beto balançou a cabeça.

Muitos anos atrás, no momento em que ele decidiu esquecer Lana, ele já tinha perdido tudo isso.

Beto saiu do hospital e voltou para a delegacia.

Quando terminou de resolver as coisas de Clara, já era a tarde do dia seguinte.

Ele e a mãe de Clara enterraram Clara ao lado de seu irmão.

Beto também levou um ramo de crisântemos brancos para Igor.

Ele se agachou diante do túmulo de Igor, e uma imensa perplexidade o envolveu.

"Irmão, me diga, o que eu devo fazer?"

O que ele e Lana deveriam fazer?

Ele não conseguia entender, se ela tivesse enviado apenas uma mensagem.

Mesmo que isso custasse toda a sua fortuna, mesmo que ele tivesse que desistir de tudo, do vestibular, de ser policial.

Ele teria corrido sem hesitar para o lado dela.

Mas ela não o fez.

Para ela, ele não significava nada.

Ele se sentia tão estúpido, estúpido por achar que ela tinha sofrido um acidente, estúpido por achar que ela tinha realmente morrido.

Estúpido por, nestes dez anos, não ter desistido de procurá-la nem por um momento.

...

Beto voltou do cemitério.

Tomou um banho, deitou na cama, mas não conseguiu dormir.

Levantou-se e revirou todo o depósito.

No depósito, havia uma caixa com um celular, o de Lana.

Esse celular foi o que ela deixou no carro de Igor no dia do acidente; ele o trouxe para casa.

Ela adorava gravar vídeos, então havia muitos deles na galeria.

O celular não ligava, Beto encontrou um técnico para trocar a bateria e finalmente conseguiu ligá-lo.

Beto pensou um pouco e, ainda assim, levou o celular ao hospital.

O Sr. Sérgio tinha ido resolver questões da empresa, e agora havia apenas uma enfermeira acompanhante no quarto.

Beto iniciou o vídeo e colocou o celular perto do ouvido de Lana.

O primeiro vídeo foi filmado por Lana mostrando Igor.

Igor estava sentado no sofá, Lana puxava suas orelhas e dizia irritada: "Igor, eu já disse que sei fazer meu dever de matemática! Você me ensina errado, vou gravar um vídeo e contar para seus pais!"

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