Um estrondo, Lana sentiu como se um trovão explodisse sobre sua cabeça.
Tudo ao redor ficou instantaneamente em silêncio, e ela não conseguia ouvir mais nada.
Então, aquela mensagem inexplicável que Clara enviou depois de sair na noite passada era na verdade uma despedida final!
Dez anos se passaram, e ela ainda não tinha superado Igor, cometendo suicídio por ele!
【No passado, eu usei o Beto para me vingar de você, agora vou buscar minha felicidade.】
Ela achava que o significado de Clara era que ela tinha superado completamente.
Lana percebeu tarde demais, seu coração parecia ter sido rasgado, suas pernas quase falhando.
O ódio nos olhos de Beto ao olhar para ela era como uma lâmina temperada no gelo.
Os colegas de Beto, que chegaram um passo depois, ficaram entre os dois e deram a ordem: "Lana, você é a última pessoa que viu Clara viva, por favor, venha conosco à delegacia para colaborar com a investigação."
Na delegacia, a luz da sala de interrogatório era pálida e ofuscante.
Beto, ignorando os conselhos de seus colegas, insistiu em interrogar Lana pessoalmente.
Ele sentou-se à frente dela, seus olhos injetados de sangue e a barba por fazer crescendo da noite para o dia.
"O que você disse a Clara ontem à noite e o que aconteceu?"
Lana abaixou a cabeça, sem dizer uma palavra, apenas em silêncio.
Após um longo silêncio.
Beto deu um golpe na mesa e jogou diante de Lana um vídeo de Clara saindo da casa de Lana, chorando copiosamente e abraçando os próprios braços, desolada.
Ele rugiu, como um leão que deseja estraçalhar sua presa.
"Lana, você acha que manter silêncio basta?"
"Me diga, por que Clara ficou tão desolada depois de sair da sua casa?"
"Ela viveu bem nos últimos dez anos, por que ela morreu depois de te ver? O que diabos você disse a ela!?"
"Se você não explicar claramente, eu lhe digo, você é suspeita de instigação ao suicídio!"
Beto batia na mesa incessantemente: "Equivale a homicídio doloso!"
Capítulo 7
Lana finalmente levantou a cabeça, seus olhos cinzentos sem brilho, com uma voz terrivelmente rouca.
Ela disse: "Beto, se eu confessar e for para a prisão, para pagar pelos pecados de Clara e de Igor, será que todos se sentiriam um pouco melhor..."
Nesses dez anos, ao longo de mais de três mil dias e noites, ela esteve submersa na dor, e cada momento de sua vida foi igualmente um tormento.
Os punhos de Beto se fecharam repentinamente.
"Lana, o que eu quero é a restauração dos fatos e a verdade!"
Diante dele, os olhos de Lana estavam mortos, como uma água estagnada, e seu coração sentia uma dormência e dor excruciantes.
Como dizer? Dizer que ela também não sabia que Clara, por tantos anos, não tinha superado Igor.
Dizer que ela não deveria ter mencionado Igor na noite passada, quando desejava felicidade a Clara?
Nesse momento, bateram à porta da sala de interrogatório.
"Capitão, há novidades. Encontramos uma carta de despedida da sua noiva. Há uma grande suspeita de que tenha sido suicídio."
Beto recebeu a folha de papel fina, tremendo, sentindo-a pesada como uma montanha.
Ele lançou um olhar de ódio a Lana e disse aos colegas com voz rouca: "Antes que as suspeitas sejam esclarecidas, não a deixem sair. Levem-na primeiro para a sala de detenção."
Dito isso, ele saiu da sala de interrogatório sem olhar para trás.
Na silenciosa sala de reuniões, Beto desdobrou lentamente a carta de Clara.
【Beto, ao ler estas palavras, espero que esteja bem.
Ao longo destes anos, vivi apoiada pelo ódio que sentia por Lana.
Mesmo tendo certeza de que ela não abandonaria Igor para fugir sozinha, mesmo sabendo que a dor dela não era menor que a nossa.
Mas eu ainda a odiava, odiava que Igor gostasse dela a ponto de dar a vida para salvá-la.
Até ontem, quando vi o diário de Igor.
Só então soube que a pessoa que Igor amava era eu, sempre foi.
Vou encontrar o Igor. Deixe-me levar todo esse ódio comigo. Se possível, tente recomeçar com Lana.】
A respiração de Beto parou de tanta dor.
Recomeçar? Como ele poderia recomeçar com alguém que abandonou o carro para fugir e causou a morte de seu irmão?
Uma voz magnética e grave soou de repente na porta.
"Inspetor Beto, sou o presidente da Câmara de Comércio. Podemos conversar?"
Beto franziu a testa, o ódio em seus olhos intensificando-se ainda mais.
Era um homem de meia-idade elegante, com idade suficiente para ser pai de Lana.
Foi ele quem resolveu os problemas de Lana na última vez, sem nem aparecer.
"Inspetor Beto, prazer em conhecê-lo."
"Permita-me apresentar-me: sou um velho amigo da mãe de Lana, Sérgio."
Não era a relação que ele pensava?
Beto deixou a mão dele suspensa no ar, constrangida: "O que quer?"
Sérgio não respondeu, retirando a mão: "Se for conveniente, gostaria de ver Lana. Minha equipe jurídica chegará em breve."
"Ela está na detenção agora, ninguém fará nada com ela. Se ela for inocente, naturalmente a soltaremos."
O homem hesitou por um momento e entregou um frasco de remédio.
Beto pegou o remédio e, ao ver as cápsulas de cloridrato de fluoxetina, seu coração deu um salto.
Este é um dos medicamentos mais fortes para depressão, usado apenas por quem já teve tendências suicidas.
Lana tem depressão severa!?
Impossível, ela claramente parecia tão serena, como se os eventos daquele ano não tivessem deixado uma única sombra em seu coração.
Ao notar o desprezo nos olhos de Beto, o homem disse de forma significativa: "Quanto ao que aconteceu naquela época, Lana teve motivos, ela é inocente."
O rosto de Beto ficou ainda mais pesado.
Que motivos uma pessoa como Lana, que foge de suas responsabilidades a todo custo, poderia ter?
"Na época, o pai dela cometeu um erro e pulou do prédio, a carreira da mãe foi arruinada e ela seguiu o mesmo destino. Lana foi forçada a embarcar no avião pela mãe, com o celular quebrado. Ela teve quatro costelas quebradas e risco constante de hemorragia intracraniana."
"Ninguém sabe o tamanho do impacto que ela sofreu ao chegar a um país estrangeiro, com os pais mortos e o salvador também falecido. Ao longo desses anos, ela fez trabalhos braçais e passou fome; a vida dela não foi nada fácil comparada à de vocês."
Não havia espelhos na sala de reuniões, então Beto não podia ver o quão pálido estava.
Sérgio deu um tapinha em seu ombro, com um tom sério, tanto de súplica quanto de conselho.
"Se Lana for realmente culpada, dez anos atrás das grades de seu próprio coração já deveriam ser o suficiente. As pessoas precisam viver e seguir em frente, não acha?"
Beto apertou o frasco de remédio, sem dizer uma palavra.
Nesse momento, o som agudo de uma sirene cortou o silêncio.
Beto trocou um olhar com Sérgio e saiu correndo da sala de reuniões por reflexo.
Gritos e berros ecoavam da sala de detenção, e todos os colegas de plantão no saguão corriam para lá.
"O que está acontecendo!?"
Afastando a multidão, Beto viu colegas imobilizando no chão um loiro, que tinha um Buda de cara feia tatuado no peito!
O loiro lutava freneticamente, com veias saltadas, gritando ameaças.
"O pai dela destruiu minha família, por que ela vive tão livre e feliz!? Pai — eu vinguei você!"
E a mulher amaldiçoada tinha uma faca de mola cravada no peito, todo o seu sangue parecendo jorrar para aquele buraco.
O mundo inteiro de Beto desbotou para o cinza, exceto pelo sangue vermelho vivo que escorria do peito de Lana, tornando-se ofuscante.
Capítulo 8
A respiração de Beto pareceu parar instantaneamente, seus ouvidos zumbindo sem parar.
Nunca, em nenhum momento, ele se sentiu tão em pânico.
Ele correu e pressionou a mão sobre o peito de Lana, tentando evitar que mais sangue escapasse.
Com uma voz rouca, ele gritou para a multidão: "Onde está a ambulância, que horas ela chega..."
Uma fadiga impotente varreu todo o seu corpo.
Ele não podia fazer nada, apenas olhar enquanto o sangue fluía cada vez mais, manchando sua camisa azul-marinho.
Assim como dez anos atrás, observando impotente enquanto os sinais vitais de Igor traçavam uma linha reta.
Lana, em seus braços, estava fraca, pálida, tão frágil que parecia que quebraria ao toque.
Ela abriu uma fenda nos olhos e, ao ver que era ele, pareceu usar toda a sua força para sussurrar com dificuldade.
Ele aproximou o ouvido dos lábios dela para ouvir o que dizia.
"Beto, o que eu devia a você... paguei com minha vida..."
Então, sua mão caiu sem força.
Aquela frase soou como uma adaga cravada no topo da cabeça de Beto.
Ele franziu a testa e gritou para ela: "Lana, quem você acha que é?"
"Você acha que, porque me deve, essa vida pode quitar a dívida? Isso é barato demais para você..."
"Eu quero que você viva, viva sempre em tormento!"
"O que você me deve, é impagável..."
Não importava o que ele dissesse, por mais duro que fosse, a pessoa em seus braços não se movia mais.