Foi quando percebeu flocos de neve caindo; realmente estava nevando.
Em meio à neve branca, sob a acácia, Beto estava de pé, vestindo um sobretudo preto, frio e distante.
Os flocos brancos caíam em silêncio, turvando a visão de Lana.
Ela queria perguntar a Beto por que ele estava no pátio da sua antiga casa; queria perguntar se ele tinha visto alguém pegando sua carta.
Mas então se lembrou do que Beto disse: "Da próxima vez, finja que não nos conhecemos."
Ela ainda sentiu vontade de recuar...
Nesse momento, um "splash" soou quando um balde de água suja foi despejado sobre a cabeça de Lana.
O portão do pátio ao lado foi empurrado e a mãe de Beto surgiu com uma bacia, jogando-a violentamente contra Lana: "Lana, sua assassina! Você matou meu filho e ainda tem coragem de voltar!?"
"Eu vou te matar!"
Lana apertou as palmas das mãos, paralisada, sem se mover, deixando os punhos furiosos caírem pesadamente sobre ela.
Uma figura alta e imponente bloqueou sua frente.
Era Beto.
A mulher de meia-idade, com cabelos desgrenhados e olhos vermelhos, gritava com Beto.
"Beto, ela é a assassina que matou seu irmão, será que você ainda tem sentimentos por ela? Não me impeça, eu vou matá-la!"
"Beto, deixe-me matá-la, eu tenho que matá-la..."
Beto abraçou a mãe com força, a voz rouca: "Mãe, meu irmão não gostaria de ver você assim..."
Um olhar gelado varreu Lana: "Sumam daqui."
Como um torpedo, aquilo abriu um buraco em seu peito.
Lana abaixou a cabeça e disse com uma voz quase inaudível: "Desculpe..."
Ela virou-se e mergulhou na neve mais profunda, sua figura solitária fundindo-se com a noite de neve, cada passo parecendo uma dificuldade extrema.
Capítulo 5
Lana voltou para a boate.
Ao se manter ocupada, ela não seria submersa pela dor.
No entanto, assim que entrou, viu outra conhecida inesperada.
Clara, analisando a aparência de Lana, caminhou até ela com profunda decepção: "Lana, você ainda se lembra de quem você era antes?"
"Naquela redação do concurso, você escreveu que seu sonho era ser uma honrada professora do povo."
"Mas e agora? Você está ganhando dinheiro tão sujo em um lugar como este!?"
"Lana, como você pode ser... tão cruel, tão baixa."
"Como você pode encarar o Igor, que já se foi..."
O cheiro de álcool exalando de Clara era forte, ardendo no nariz de Lana.
Ela, com os olhos úmidos, olhou fixamente para Clara e soltou uma risada amarga: "Eu estou vivendo bem, por que isso não contaria como uma forma de retribuição pelo fato de Igor ter salvado minha vida?"
Nas muitas vezes em que quis morrer, ela pensava que não podia.
Porque sua vida foi trocada pela vida de Igor.
Assim que as palavras saíram, um estalo seco ecoou: o rosto de Lana foi virado pelo tapa de Clara.
"Lana, você realmente me dá nojo."
Foi nesse momento que Beto entrou na boate, carregando uma aura fria.
Havia neve ainda não derretida em seus ombros.
Ele varreu o olhar pela marca de tapa no rosto de Lana como se ela fosse apenas um pouco de ar.
Ele caminhou direto para o lado de Clara e segurou sua mão.
A ternura em seu tom derreteu a geada de dezembro: "Vamos, vamos para casa."
No momento em que se cruzaram, o peito, abafado por anos, pareceu vibrar novamente.
Dentro de Lana, uma voz gritava freneticamente: talvez, se eu contasse a verdade, seria perdoada.
Caso contrário, depois que o impulso passasse, ela nunca mais diria.
Lana fechou com força suas mãos úmidas: "Já que vocês vieram, que tal ouvir uma história?"
Beto parou o passo, suas pontas dos dedos tremeram levemente.
Lana respirou fundo, e as memórias dolorosas começaram a retroceder diante dela: "Quando escapei do carro naquela época, eu não abandonei o Igor..."
"Eu queria chamar a polícia, mas o celular ficou preso no carro. Eu queria encontrar alguém para tirá-lo de lá, mas não passava nenhum carro. Depois disso, eu desmaiei..."
Lana narrou a explicação de forma entrecortada, morrendo de medo de que Beto não acreditasse e, ao mesmo tempo, de que falar demais o machucasse.
Mas antes que terminasse, foi interrompida por Beto: "Lana."
O coração de Lana parecia prestes a explodir: "Sim?"
As pupilas escuras de Beto eram como um abismo: "Você está se confessando agora porque acha que pode obter meu perdão?"
Lana sentiu o coração saltar uma batida, sem saber o que dizer.
Então, ouviu Beto rir friamente, enfatizando cada palavra, como se quisesse estraçalhá-la por dentro.
"Lana, eu... nunca... vou... perdoar... você."
Depois que Beto saiu.
A boate ainda estava lotada; era véspera de Ano Novo, e Lana forçava um sorriso enquanto recebia os clientes.
À meia-noite, muitos correram para a porta.
A assistente Alice levou Lana até a praça e lhe entregou um balão de hidrogênio impresso com '2026': "Chefe, logo será 2026, solte o balão com um desejo, dizem que funciona!"
A neve caía profusamente, flocos grossos pousando em seus ombros.
Lana lembrou-se de quando tinha dezoito anos e fez o mesmo desejo — que eles nunca se separassem, ano após ano.
Entre os gritos de "Feliz Ano Novo".
Inúmeros balões subiram aos céus, e Lana soltou a palma da mão; o balão explodiu instantaneamente com um "bang", espalhando fragmentos.
Como se zombasse de que ela não merecia ter desejos.
Ela riu, e enquanto ria, os fogos de artifício deslumbrantes tornaram-se turvos.
O consolo atencioso de Alice soou ao seu ouvido: "Chefe, encontrei uma casa nova para você, vamos nos mudar amanhã. O feng shui lá é melhor que no Lanting, é excelente para o romance!"
"……Está bem."
Lana arrastou seu corpo exausto de volta para casa.
O elevador abriu e ela viu Clara parada na porta.
Lana ficou surpresa; como ela sabia onde ela morava?
Desde que soube que eles moravam em frente, ela evitava deliberadamente o horário de saída deles e nunca se cruzaram.
Clara disse suavemente: "Lana, você não vai me convidar para entrar?"
Lana hesitou por alguns segundos antes de abrir a porta.
O que saltou aos olhos foi um armário cheio de bonecos de Obito Uchiha, de Naruto.
Obito Uchiha acabou destruindo o mundo para escapar da dor da realidade.
Era o personagem de anime que Lana mais desprezava.
Mas Beto gostava.
Capítulo 6
Clara olhou para Lana e seus olhos ficaram vermelhos, perguntando sem motivo aparente.
"O sonho de Beto era ser investigador criminal, mas ele trabalhou como policial civil por tantos anos na pequena cidade de Lanyang. Você sabe por quê?"
A respiração de Lana tornou-se leve por um momento, e ela balançou a cabeça em silêncio.
Clara continuou: "Dois anos atrás, devido ao seu excelente desempenho, o esquadrão de investigação de Jingcity o convidou para ser consultor técnico. Mas ele recusou. Você sabe por quê?"
Lana apertou as palmas das mãos, a resposta inacreditável pronta para sair pela garganta.
Até que Clara tirou um pingente de trevo de quatro folhas, velho e amarelado, e colocou na palma de sua mão.
A voz de Clara era rouca: "O presente de maioridade que você deu ao Beto."
Em um instante, o remorso e a culpa imensos quase afogaram Lana.
"Todo dia 13 de abril, Beto fica parado sob aquela acácia na entrada da Rua Wutong, o dia inteiro, esperando por alguém."
13 de abril é o aniversário de Lana.
O peito de Lana sentiu-se pesado, como se tivessem enfiado um punhado de algodão úmido.
Ele a odiava tanto, por que a esperava?
Lana olhou para Clara, a dor em seus olhos quase transbordando.
"Você e Beto não iam se casar? Por que está me dizendo essas coisas?"
Nos olhos de Clara, o amargor tremia.
Ela sorriu em silêncio, olhando para a neve lá fora, como se sentisse falta de algo através dela.
Ela disse: "Sim, nós vamos nos casar."
"Isso tudo é passado, então falar sobre isso não parece importar."
De repente, ela perguntou: "Lana, você não gostava muito do Beto naquela época? Você não fica nem um pouco triste ao saber que vamos nos casar?"
O céu noturno não tinha estrelas.
A voz solitária de Lana ecoou na casa vazia.
"Não estou triste. Se você for feliz, eu e o Igor ficaremos felizes por você."
"Desejo felicidade a você e ao Beto."
Ao mencionar Igor de repente, Clara ficou atônita por um instante, chorando e rindo ao mesmo tempo.
"Sim, eu serei feliz."
Lana respondeu em seu coração: E eu desaparecerei completamente da vida de vocês.
No dia seguinte, era o dia da mudança de Lana.
Esperou muito pela empresa de mudanças e não a viu, mas esperou pelo Beto.
Ela tinha poucas coisas, apenas cinco ou seis caixas, e a empresa de mudanças já tinha tudo embalado.
Quando Lana estava orientando a mudança, Beto irrompeu com toda sua aura assassina.
Ele tomou a caixa cheia de bonecos de Obito Uchiha que Lana segurava nos braços e a jogou violentamente no chão!
"Lana, o que você disse para a Clara? Depois que ela saiu da sua casa ontem, ela tomou pílulas para dormir e morreu diante do túmulo do meu irmão!"