《O Menino Que Chamou Minha Mulher de Mamãe》Capítulo 3

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O silêncio dentro da Mansão Monteiro não durou muito depois do impacto das palavras de Oliver.

Ele ainda estava agarrado a Clara Nogueira, mas agora tremia de um jeito diferente.

Não era só medo.

Era algo mais profundo.

Como se lembranças antigas estivessem tentando atravessar uma porta que nunca deveria ter sido aberta.

Isabella Monteiro não conseguia desviar o olhar.

Aquela criança dizia coisas que ninguém deveria saber.

Henrique Monteiro estava pálido.

E Margarida Caldas Monteiro… havia parado completamente de se mover.

Como se o tempo tivesse travado apenas para ela.

"Isso já foi longe demais", disse Margarida finalmente, com uma voz controlada demais para ser natural. "Levem esse menino para o quarto imediatamente."

Dois seguranças deram um passo à frente.

Mas Oliver gritou.

"Não!"

O som ecoou pelo salão como uma rachadura no vidro.

Ele se agarrou ainda mais em Clara.

"Mamãe… não me solta…"

Clara caiu de joelhos no chão frio.

"Por favor… ele vai entrar em pânico…"

Henrique se aproximou lentamente.

"Clara… isso precisa parar agora."

A voz dele estava firme, mas havia algo diferente.

Dúvida.

Isabella se aproximou também.

"Ele não está inventando isso", disse ela. "Olhem para ele. Ele está aterrorizado… mas não confuso."

Margarida virou o rosto lentamente para Isabella.

"E você acha que entende o que está acontecendo nesta casa?"

Isabella sustentou o olhar.

"Eu acho que ninguém aqui entende."

O silêncio voltou.

Mas agora era um silêncio carregado.

Clara respirava com dificuldade, como se estivesse sendo pressionada por algo invisível.

E Oliver… começou a ficar estranho.

Ele não chorava mais.

Ele apenas olhava para o nada.

Como se estivesse ouvindo algo que os outros não podiam.

"Mamãe…", ele sussurrou.

Clara apertou seu corpo.

"Eu estou aqui… eu estou aqui…"

Mas ele não respondeu.

Ele apenas apontou para o corredor lateral da mansão.

"O escuro…"

Isabella franziu o cenho.

"O que tem lá?"

Ninguém respondeu.

Porque ninguém queria responder.

Margarida deu um passo para trás.

Só um.

Mas Isabella percebeu.

Henrique também.

Clara fechou os olhos.

"Por favor… não levem ele lá…"

Henrique olhou imediatamente.

"Lá onde?"

Clara hesitou.

E nesse instante, Sebastião, o mordomo antigo da família, entrou no salão ofegante.

"Senhor Henrique… isso chegou agora."

Ele segurava um pequeno envelope preto.

Sem remetente.

Sem marca.

Apenas um nome escrito à mão:

OLIVER

O ar mudou imediatamente.

Isabella deu um passo à frente.

"Isso veio de quem?"

Sebastião engoliu seco.

"Eu não sei… estava na porta dos fundos…"

Margarida reagiu imediatamente.

"Não abram isso."

Mas Henrique já tinha pegado o envelope.

"Chega."

Ele rasgou a borda.

Dentro havia um pequeno dispositivo de memória.

Isabella sentiu um frio na espinha.

"Isso parece… uma gravação."

Clara ficou branca.

"Não… por favor… não isso…"

Henrique ignorou o pedido.

"Sebastião, traga a TV da sala privada."

Minutos depois, todos estavam na sala de estar da mansão.

A atmosfera era ainda mais pesada ali.

Como se as paredes estivessem mais próximas.

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Como se a casa estivesse escutando.

Henrique conectou o dispositivo.

A tela ficou preta por alguns segundos.

Depois, uma imagem apareceu.

Uma mulher.

Isabella congelou.

"Quem é ela?"

Clara caiu de joelhos novamente.

Porque ela sabia.

Mesmo antes de alguém dizer.

Era Evelyn Monteiro.

A mulher estava pálida.

Chorando.

Sentada em um quarto escuro.

"Evelyn…", sussurrou Margarida, mas pela primeira vez sua voz falhou.

A gravação começou.

"Se alguém está vendo isso… então eu não tenho mais tempo."

Silêncio absoluto.

Henrique ficou imóvel.

Evelyn respirava com dificuldade no vídeo.

"Oliver não é o que todos dizem."

Isabella levou a mão à boca.

Clara começou a chorar silenciosamente.

No vídeo, Evelyn olhou para baixo.

"Eles disseram que eu precisava aceitar. Que era melhor para a família. Que Clara não tinha direito de criar aquela criança."

Henrique franziu o cenho.

"Que criança…?"

Evelyn continuou.

"Oliver não foi o único bebê."

O salão inteiro congelou.

Isabella ficou sem ar.

Clara levantou a cabeça bruscamente.

"Não…"

Mas o vídeo não parou.

"Eles disseram que um deles não sobreviveu. Mas isso não é verdade."

Margarida deu um passo para trás.

Henrique percebeu.

"Mãe…?"

Mas ela não respondeu.

Evelyn no vídeo respirou fundo.

"Se eu morrer… não foi acidente."

Silêncio absoluto.

A gravação terminou.

A tela ficou preta.

Ninguém se mexeu por alguns segundos.

Até que Oliver sussurrou:

"Escada."

Isabella virou imediatamente.

"O quê?"

Oliver apontou para o corredor.

"Aquele lugar…"

Clara começou a tremer violentamente.

"Ele não deveria saber disso… ele não deveria…"

Henrique respirou fundo.

"Que lugar?"

Mas Oliver já estava andando.

Devagar.

Como se fosse guiado por algo invisível.

"Mamãe… tá lá."

Clara tentou segurá-lo.

"Oliver, não!"

Mas ele se soltou.

E caminhou direto para o corredor escuro.

Todos seguiram.

O corredor da mansão Monteiro era antigo.

Mais antigo que qualquer um ali.

Retratos antigos nas paredes.

Olhos que pareciam observar.

Isabella sentia um peso no peito.

"Eles esconderam algo aqui…"

Margarida falou baixo.

"Não existe nada aqui."

Mas sua voz já não tinha força.

Oliver parou diante de um grande retrato.

Uma pintura antiga da família Monteiro.

Ele levantou o braço pequeno.

E apontou.

"Aqui."

Henrique franziu o cenho.

"Isso não faz sentido…"

Mas Clara já estava chorando.

"Por favor… não abram isso…"

Isabella se aproximou.

"Tem algo atrás disso?"

Oliver assentiu.

Devagar.

Sebastião apareceu atrás deles novamente.

"Eles nunca deveriam ter mexido nisso…"

Henrique puxou a moldura do quadro.

O som foi seco.

Como madeira antiga se soltando da parede.

Atrás do retrato havia uma porta.

Pequena.

Escondida.

Isabella deu um passo para trás.

"Isso é… uma sala secreta?"

Margarida ficou imóvel.

Pela primeira vez.

Completamente imóvel.

Henrique abriu a porta.

E o que havia lá dentro mudou tudo.

Caixas antigas.

Documentos.

Arquivos médicos.

Contratos.

Isabella pegou um deles.

E ficou pálida.

"Isso é falsificação de adoção…"

Clara caiu de joelhos novamente.

"Não… não pode ser…"

Henrique abriu outra pasta.

"Eles registraram crianças como mortas… que estavam vivas…"

Silêncio absoluto.

Isabella respirou com dificuldade.

"E isso aqui…"

Ela levantou um envelope.

Com seu nome escrito.

ISABELLA MONTEIRO

O mundo parou.

Ela abriu.

E ficou completamente sem reação.

Dentro havia uma certidão de nascimento.

Henrique olhou.

E sussurrou:

"Isso não é possível…"

Clara começou a chorar ainda mais forte.

Porque Oliver apontou novamente.

E disse:

"Ela também estava aqui."

Isabella congelou.

"E quem?"

Oliver olhou para todos.

E respondeu:

"Minha irmã."

Silêncio absoluto.

E então, do fundo da sala secreta…

uma porta de metal se fechou sozinha.

CLACK.

Isabella virou imediatamente.

"Eles estão aqui."

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