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《A Menina Que Me Chamou de Mãe》Capítulo 8

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"A moça má disse que minha mãe nunca ia voltar."

As palavras de Lina permaneceram ecoando dentro da enfermaria.

Ninguém falou durante vários segundos.

Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Adriano permaneceu imóvel ao lado da cama.

A pequena mão de Lina ainda segurava os dedos dos dois.

Como se tivesse medo de soltá-los.

Como se tivesse medo de acordar sozinha outra vez.

A febre continuava alta.

A menina respirava lentamente.

Inquieta.

Perdida entre o sono e o delírio.

Clara acariciou seus cabelos.

Mas sua mente já estava em outro lugar.

Naquela frase.

Naquela mulher.

Naquela ameaça.

"Quem falou isso para ela?"

A voz de Adriano saiu baixa.

Perigosa.

Clara levantou os olhos.

"Pensei na mesma coisa."

A enfermeira do centro infantil observava tudo em silêncio.

Daniel aproximou-se.

"Ela mencionou algum nome?"

A enfermeira balançou a cabeça.

"Não."

"Alguém visitou Lina?"

"Além dos funcionários, não."

Adriano imediatamente reagiu.

"Liste todos."

A mulher hesitou.

"Todos?"

"Todos."

O tom não deixava espaço para discussão.

A enfermeira saiu rapidamente.

Clara voltou a olhar para Lina.

Seu coração apertava cada vez mais.

Porque aquela frase não parecia invenção.

Não parecia sonho.

Não parecia imaginação infantil.

Parecia uma lembrança.

E isso a aterrorizava.

Na manhã seguinte.

Lina apresentou melhora.

A febre começou a baixar.

Mas a investigação ganhou força.

Adriano reuniu Daniel em seu escritório.

Pilhas de documentos cobriam a mesa.

Fotos.

Extratos bancários.

Registros hospitalares.

Relatórios antigos.

Tudo relacionado ao Instituto Éden.

Tudo relacionado à Fundação Mãos de Luz.

Tudo relacionado a Viviane.

Clara também estava presente.

Agora ninguém tentava afastá-la das conversas.

Porque ela fazia parte da verdade.

Daniel abriu uma pasta.

"Ainda não encontramos quem falou com Lina."

Adriano cruzou os braços.

"Mas alguém falou."

"Sem dúvida."

Clara respirou fundo.

"Eu tenho uma suspeita."

Os dois homens olharam para ela.

"Lúcia."

O nome ficou suspenso no ar.

A antiga babá de Lina.

A mulher que cuidou da menina durante dois anos.

A mulher que sempre soube mais do que dizia.

Daniel assentiu lentamente.

"Ela mentiu várias vezes."

Clara continuou.

"E estava apavorada quando ouviu o nome do Hospital Santa Catarina."

Adriano não respondeu imediatamente.

Porque também havia pensado nisso.

Mas algo não encaixava.

Finalmente falou.

"Não acho que seja ela."

Clara franziu a testa.

"Por quê?"

"Porque Lúcia tem medo."

Ele olhou para os documentos.

"Quem está por trás disso não sente medo."

O silêncio caiu novamente.

Então Adriano pronunciou um nome.

"Renata."

Clara sentiu o estômago apertar.

Renata Vasconcelos.

A irmã mais nova de Viviane.

Elegante.

Educada.

Sempre impecável.

Mas também agressiva.

Controladora.

E desesperada para afastar Clara de Lina.

Daniel abriu imediatamente uma nova pasta.

"Eu estava analisando a Fundação Mãos de Luz."

Adriano levantou os olhos.

"E?"

"Depois da morte da Viviane, a presidente da fundação passou a ser Renata."

Clara sentiu um arrepio.

"Ela controla tudo?"

"Praticamente."

Daniel virou a tela do notebook.

Planilhas apareceram.

Transferências.

Pagamentos.

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Doações.

Anos de movimentações financeiras.

Então Daniel ampliou uma linha específica.

"E isso é interessante."

Adriano se aproximou.

Clara também.

"O que é?"

Daniel apontou.

"Todos os anos."

Seu dedo deslizava pela tabela.

"Todos."

Outra linha.

"Todos."

Mais uma.

"Todos."

Então concluiu:

"A Fundação Mãos de Luz continuou enviando dinheiro para contas ligadas ao Instituto Éden."

O silêncio ficou pesado.

Muito pesado.

Porque oficialmente o Instituto Éden havia encerrado suas atividades anos antes.

Mas as transferências continuavam.

Mesmo depois do fechamento.

Mesmo depois das investigações.

Mesmo depois da morte de Viviane.

Clara sentiu o sangue gelar.

"Eles nunca pararam."

Daniel assentiu.

"Exatamente."

Adriano apertou os punhos.

"Quanto dinheiro?"

"Mais de oito milhões de reais ao longo dos últimos anos."

A resposta foi suficiente.

Aquilo não era caridade.

Aquilo era manutenção.

Alguém estava sustentando alguma coisa.

E Renata controlava o dinheiro.

Do outro lado da cidade.

Renata Vasconcelos participava de um almoço beneficente.

Vestido elegante.

Sorriso perfeito.

Jornalistas.

Empresários.

Fotógrafos.

Todos encantados.

Renata parecia exatamente o tipo de mulher que estampava capas de revista.

Refinada.

Generosa.

Intocável.

Ela discursava sobre proteção à infância.

Sobre apoio às mães vulneráveis.

Sobre responsabilidade social.

E cada palavra fazia Clara sentir náusea quando assistiu depois pela televisão.

Porque agora tudo parecia falso.

Tudo parecia encenação.

Tudo parecia parte da mesma mentira.

Nos dias seguintes.

Clara decidiu não ficar presa à mansão.

Não suportava mais esperar.

Precisava agir.

Precisava descobrir.

Precisava encontrar alguma ligação concreta.

Então começou a visitar lugares relacionados ao caso.

Cartórios.

Arquivos públicos.

Ex-funcionários do hospital.

Endereços antigos do Instituto Éden.

Pequenas pistas.

Pequenos fragmentos.

Qualquer coisa.

Numa tarde chuvosa.

Ela saiu sozinha.

Sem seguranças.

Sem Adriano.

Sem avisar ninguém.

Pegou o metrô na estação Sé.

Seu destino era um antigo escritório ligado ao Instituto Éden.

A estação estava lotada.

Barulhenta.

Movimentada.

Mas algo começou a incomodá-la.

Uma sensação estranha.

Como se estivesse sendo observada.

Clara virou discretamente.

Nada.

Apenas passageiros.

Continuou andando.

Mas a sensação permaneceu.

Mais forte.

Mais próxima.

Ela acelerou o passo.

E ouviu passos atrás dela.

O coração disparou.

Virou novamente.

Dessa vez viu.

Um homem de boné preto.

Óculos escuros.

Seguindo-a.

O homem desviou o olhar imediatamente.

Mas era tarde.

Clara percebeu.

Ela continuou andando.

Mais rápido.

Os passos também.

A multidão aumentava.

O barulho dos trens ecoava pela estação.

Clara sentiu medo.

Medo verdadeiro.

Então chegou à plataforma.

O trem ainda não havia chegado.

Muitas pessoas aguardavam próximas à faixa amarela.

Clara tentou se misturar.

Mas o homem continuava se aproximando.

Devagar.

Calculadamente.

Seu coração parecia explodir.

Mais alguns metros.

Mais alguns passos.

Então aconteceu.

Uma mão empurrou suas costas.

Forte.

Violenta.

Sem aviso.

Clara perdeu o equilíbrio.

Seu corpo avançou perigosamente em direção aos trilhos.

O trem surgia ao longe.

As luzes já eram visíveis.

Os gritos começaram.

Alguém berrou.

Clara fechou os olhos.

Achando que era o fim.

Mas uma mão segurou seu braço.

Com força.

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No último segundo.

Puxando-a para trás.

Seu corpo caiu contra outro corpo.

Os dois foram ao chão.

O trem passou.

A poucos centímetros.

O vento da composição atingiu seu rosto.

Quando abriu os olhos...

Viu Adriano.

Ele respirava pesadamente.

Ainda segurando seu braço.

"Você ficou maluca?"

A voz saiu entre raiva e desespero.

Clara ainda tremia.

"O homem..."

Adriano olhou ao redor.

Mas o sujeito já havia desaparecido.

Misturado à multidão.

Sumido.

Como se nunca tivesse existido.

Clara começou a chorar.

Não pelo susto.

Mas porque finalmente entendeu.

Aquilo não era apenas sobre Lina.

Nem apenas sobre o passado.

Alguém queria silenciá-la.

Alguém tinha medo dela.

Adriano segurou seu rosto.

Pela primeira vez.

Sem pensar.

Sem calcular.

Sem barreiras.

"Você está machucada?"

Clara ficou sem resposta.

Os olhos dele estavam diferentes.

Não havia apenas preocupação.

Havia algo mais.

Algo complicado.

Algo perigoso.

Algo que nenhum dos dois queria admitir.

Durante alguns segundos.

Nenhum deles falou.

O mundo pareceu desaparecer.

Sem processos.

Sem hospitais.

Sem mentiras.

Sem tribunais.

Apenas os dois.

E a sensação estranha de que suas vidas estavam cada vez mais conectadas.

Então os celulares começaram a tocar.

Os dois voltaram à realidade.

Daniel estava ligando.

Desesperadamente.

Naquela mesma noite.

Renata Vasconcelos estava sozinha em seu apartamento de luxo.

O evento beneficente havia terminado.

As entrevistas também.

Ela serviu uma taça de vinho.

Sentou-se na varanda.

Observando as luzes de São Paulo.

Tudo parecia sob controle.

Ou pelo menos ela queria acreditar nisso.

Então o celular tocou.

Número desconhecido.

Renata atendeu.

"Alô?"

Nenhuma resposta imediata.

Apenas respiração.

Depois uma voz masculina.

Distorcida.

Fria.

Perigosa.

Uma voz que ela conhecia.

Mas não conseguia identificar.

"Quem está falando?"

O homem ignorou a pergunta.

E disse apenas uma frase.

Uma única frase.

Mas suficiente para fazer o rosto de Renata perder toda a cor.

"A garçonete descobriu demais."

O coração dela disparou.

A taça quase caiu de sua mão.

"Do que você está falando?"

A voz respondeu imediatamente.

Sem emoção.

Sem hesitação.

Sem piedade.

"Acabe com ela."

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