localização atual: Novela Mágica Moderno O Pai de Mentira da Menina Esquecida Capítulo 8

《O Pai de Mentira da Menina Esquecida》Capítulo 8

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Rafael Monteiro segurava a faixa amarela entre os dedos.

O tecido ainda estava quente do sol.

Pequeno.

Frágil.

Mas naquele momento parecia mais pesado do que qualquer contrato que já assinara.

Porque aquela faixa pertencia a Lívia.

E Lívia tinha desaparecido.

Ao redor dele, professores falavam.

Policiais chegavam.

Crianças choravam.

Mas Rafael mal conseguia ouvir.

Tudo o que via era o rosto assustado da menina.

Tudo o que escutava era aquele grito.

"RAFAEL!"

O grito continuava ecoando dentro dele.

Como um pedido de socorro.

Como uma promessa.

E ele não pretendia falhar.

Menos de uma hora depois, a mobilização já era enorme.

Henrique Tavares chegou acompanhado de outros advogados.

Dra. Helena Prado apareceu pouco depois.

A polícia militar registrava a ocorrência.

O Conselho Tutelar também foi acionado.

Todos entendiam que aquilo não era apenas uma disputa familiar.

Era um possível sequestro.

Helena caminhou até Rafael.

"O senhor está bem?"

"Não."

A resposta veio imediatamente.

Sem filtro.

Sem máscara.

"Eu vou encontrar ela."

Helena sustentou seu olhar.

"Vamos encontrar."

Mas Rafael não tinha paciência para calma.

Não naquele momento.

"Márcio estava mentindo desde o começo."

"Eu sei."

"Ele não quer a Lívia."

"Eu sei."

"Ele quer dinheiro."

Helena permaneceu em silêncio.

Porque ela também já suspeitava.

Enquanto isso...

Do outro lado da cidade...

Lívia estava sentada no banco traseiro de um carro velho.

As janelas permaneciam fechadas.

O ar era pesado.

Quente.

Difícil de respirar.

Ela segurava o violino contra o peito.

Como se aquilo pudesse protegê-la.

Como se fosse a única coisa que ainda restava.

Márcio dirigia.

Sem olhar para trás.

Sem dizer uma palavra.

O celular vibrava constantemente.

Mensagens.

Ligações.

Ordens.

Dinheiro.

Sempre dinheiro.

Lívia limpou as lágrimas.

"Para onde estamos indo?"

Márcio ignorou.

"Eu quero voltar."

Silêncio.

"Por favor."

Ele finalmente respondeu.

"Fica quieta."

A menina sentiu o coração acelerar.

Porque aquele não era o mesmo medo de Dona Célia.

Era pior.

Muito pior.

Ela olhou pela janela.

Tentando decorar o caminho.

Mas não conhecia aquela região.

As ruas ficavam cada vez mais vazias.

Cada vez mais afastadas.

Cada vez mais assustadoras.

No início da noite, chegaram a uma casa velha nos arredores de São Paulo.

A construção parecia abandonada.

Muros descascados.

Janelas quebradas.

Portão enferrujado.

Nada ali parecia seguro.

Nada.

Márcio abriu a porta.

"Desce."

Lívia não se mexeu.

"Eu não quero ficar aqui."

Ele perdeu a paciência.

Agarrou seu braço.

E a puxou para fora.

A menina tentou resistir.

Tentou escapar.

Mas era apenas uma criança.

Poucos segundos depois estava dentro da casa.

A porta foi trancada.

O som da chave girando fez seu estômago afundar.

Porque ela entendeu.

Estava presa.

Horas depois.

Lívia permanecia sentada em um quarto pequeno.

Sem televisão.

Sem brinquedos.

Sem nada.

Apenas um colchão velho.

Uma cadeira quebrada.

E uma janela alta demais para alcançar.

Ela abraçou o violino.

Tentando controlar o choro.

Mas era impossível.

As lágrimas continuavam vindo.

Uma após outra.

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Porque pela primeira vez desde a formatura...

Ela começou a perder a esperança.

Talvez Dona Célia estivesse certa.

Talvez Rafael realmente desaparecesse.

Talvez tudo tivesse sido apenas um momento bonito.

Uma história curta.

Uma ilusão.

Ela fechou os olhos.

Lembrando da primeira vez que o viu.

Da primeira vez que ele aplaudiu.

Da primeira vez que sorriu para ela.

As lágrimas aumentaram.

"Eu queria ter acreditado menos."

A frase saiu baixinha.

Quase um sussurro.

Porque acreditar fazia doer mais.

Mas Rafael não tinha desistido.

Nem perto disso.

Naquela mesma noite, sua equipe inteira trabalhava.

Advogados.

Investigadores.

Policiais.

Contatos particulares.

Todos procuravam Márcio.

Henrique entrou na sala de reuniões carregando um tablet.

"Conseguimos uma pista."

Rafael levantou imediatamente.

"Onde?"

"O celular dele fez uma ligação."

"Depois outra."

"Depois uma transferência bancária."

O advogado ampliou um mapa.

Uma região periférica apareceu.

"Achamos que ele está aqui."

Rafael nem esperou terminar.

"Vamos."

Pouco depois da meia-noite.

Várias viaturas cercavam discretamente uma área afastada.

A chuva começava a cair.

Fraca.

Mas constante.

Rafael estava ao lado do comandante da operação.

Os olhos fixos na casa.

A mesma casa onde Lívia chorava.

Sem saber que ele estava tão perto.

"Tem certeza?"

O policial assentiu.

"Noventa por cento."

Noventa por cento.

Aquilo não era suficiente para Rafael.

Precisava ser cem.

Mas não havia tempo.

Porque ninguém sabia o que Márcio faria.

Ninguém.

O comandante levou a mão ao rádio.

"Preparar entrada."

O coração de Rafael disparou.

Dentro da casa...

Márcio discutia ao telefone.

Furioso.

"Eu quero mais dinheiro."

Silêncio.

"Ela vale mais do que isso."

Mais silêncio.

Então uma resposta.

Algo que o fez sorrir.

Um sorriso horrível.

Ganancioso.

Lívia observava tudo pela fresta da porta.

Sem entender completamente.

Mas entendendo o suficiente.

Ela era uma mercadoria.

Uma moeda.

Um problema.

Nunca uma sobrinha.

Nunca família.

Apenas uma oportunidade.

Foi naquele instante que começou a ouvir barulhos.

Lá fora.

Passos.

Muitos passos.

Depois vozes.

Depois um grito.

"POLÍCIA!"

O mundo explodiu.

A porta da frente foi arrombada.

Márcio empalideceu.

O celular caiu de sua mão.

"Merda!"

Correu.

Tentou fugir.

Mas já era tarde.

Policiais invadiram o imóvel.

Ordens foram gritadas.

Objetos caíram.

A confusão tomou conta da casa.

Lívia encolheu-se no canto do quarto.

Assustada.

Tremendo.

Sem saber o que estava acontecendo.

Até ouvir uma voz.

Uma única voz.

A voz que reconheceria em qualquer lugar.

"LÍVIA!"

Seu coração parou.

Por um segundo.

Depois disparou.

"RAFAEL!"

Ela correu até a porta.

No mesmo instante em que Rafael a abriu.

Os dois ficaram imóveis.

Apenas olhando.

Por uma fração de segundo.

Então Lívia correu.

Sem pensar.

Sem hesitar.

Atirou-se nos braços dele.

Com toda a força que tinha.

Como se estivesse voltando para casa.

Como se estivesse voltando para a vida.

Rafael a segurou imediatamente.

Forte.

Protegendo.

Abraçando.

Garantindo que ela estava ali.

Que era real.

Que estava segura.

Lívia começou a chorar.

Descontroladamente.

Os ombros tremendo.

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O corpo inteiro sacudindo.

"Eu achei que você não vinha."

A frase saiu quebrada.

Pequena.

Dolorosa.

Rafael fechou os olhos.

Sentindo o coração se partir.

Então respondeu:

"Eu sempre vou vir."

Lívia apertou sua camisa.

Mais forte.

Como se precisasse acreditar.

E pela primeira vez...

Acreditou.

Márcio foi preso.

Algemado.

Levado para uma viatura.

Ainda tentou gritar.

Ainda tentou inventar desculpas.

Mas ninguém acreditava mais.

Os documentos de Henrique.

A investigação.

As provas.

Tudo havia desmoronado.

O plano tinha acabado.

Mas os problemas estavam apenas começando.

Porque alguém filmou tudo.

Tudo.

A chegada da polícia.

A prisão.

Rafael carregando Lívia no colo.

A menina chorando.

O abraço.

A saída da casa.

Tudo.

E na era da internet...

Isso era suficiente.

Na manhã seguinte, o Brasil inteiro estava falando sobre eles.

Programas de televisão.

Sites de notícias.

Redes sociais.

Portais de celebridades.

Todos exibiam a mesma manchete.

"Bilionário Rafael Monteiro quer adotar menina pobre."

Outra dizia:

"Herdeiro do Grupo Monteiro desafia a própria família."

Outra:

"Quem é a órfã que conquistou o coração do empresário mais poderoso de São Paulo?"

As fotos estavam por toda parte.

Lívia.

Rafael.

O abraço.

A chuva.

O resgate.

Tudo.

Na Mansão Monteiro, a repercussão caiu como uma bomba.

Telefonemas começaram a chegar desde cedo.

Primos.

Acionistas.

Conselheiros.

Parentes distantes.

Todos tinham opinião.

Todos queriam interferir.

Todos achavam que aquela menina representava um problema.

Mas apenas uma pessoa tinha poder real.

Otávio Monteiro.

Irmão mais velho do pai de Rafael.

Vice-presidente do grupo.

Homem influente.

Frio.

Calculista.

Perigoso.

Naquela noite, Rafael foi chamado para uma reunião familiar.

Não era um convite.

Era uma convocação.

Quando entrou na sala principal da mansão histórica da família, percebeu imediatamente o clima.

Silêncio.

Hostilidade.

Julgamento.

Otávio estava sentado na cabeceira.

Como um rei.

Esperando.

Quando Rafael se aproximou, o homem nem tentou parecer amigável.

"Você enlouqueceu?"

A pergunta veio direta.

Rafael permaneceu calmo.

"Boa noite para você também."

Otávio ignorou.

Jogou um jornal sobre a mesa.

A manchete ocupava a capa inteira.

Rafael e Lívia.

"Isso virou um circo."

"É uma criança."

"É um problema."

Silêncio.

"Ela quase foi sequestrada."

"Não me importa."

Rafael endureceu.

Mas Otávio continuou.

"Você quer transformar uma órfã desconhecida em herdeira de um dos maiores grupos empresariais do país?"

"Você perdeu a razão."

A temperatura da sala caiu.

Todos observavam.

Ninguém ousava interromper.

Otávio levantou-se devagar.

Aproximou-se.

E falou olhando diretamente nos olhos de Rafael.

Cada palavra saindo como uma ameaça.

"Escute com atenção."

Uma pausa.

Longa.

Perigosa.

Então veio a sentença.

"Se essa menina entrar na família..."

O homem inclinou ligeiramente a cabeça.

"...você perde o controle do Grupo Monteiro."

E pela primeira vez desde o resgate...

Rafael percebeu que a verdadeira guerra estava apenas começando.

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