localização atual: Novela Mágica Moderno O Pai de Mentira da Menina Esquecida Capítulo 7

《O Pai de Mentira da Menina Esquecida》Capítulo 7

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O mundo pareceu parar dentro da sala da assistente social.

Rafael permaneceu imóvel.

Dra. Helena Prado fechou lentamente a pasta que estava sobre a mesa.

Dona Célia sorria.

Um sorriso vitorioso.

Ao lado dela, o homem desconhecido mantinha os braços cruzados.

Como alguém que estava representando um papel.

Mas não sabia exatamente como interpretá-lo.

"Esse é Márcio Santos."

Dona Célia repetiu.

"O tio da Lívia."

Silêncio.

Helena olhou para o homem.

"O senhor tem documentos?"

"Tenho."

Márcio retirou alguns papéis amassados do bolso.

Enquanto isso, no corredor, Lívia parecia ter visto um fantasma.

Seu rosto perdeu toda a cor.

As mãos começaram a tremer.

E o violino quase escorregou de seus dedos.

Rafael percebeu imediatamente.

Aquilo não era reação de uma criança feliz ao reencontrar um familiar.

Era medo.

Puro medo.

Alguns minutos depois, todos estavam sentados.

Helena analisava os documentos.

Márcio mantinha uma expressão séria.

Estudada.

Controlada.

Falsa.

Rafael sentia isso.

Mesmo sem provas.

Sentia.

Porque homens acostumados a negociar aprendem a reconhecer mentirosos.

E Márcio estava mentindo.

A pergunta era apenas sobre o quê.

"Senhor Márcio."

Helena levantou os olhos.

"Por que apareceu só agora?"

O homem suspirou dramaticamente.

Como se carregasse uma dor enorme.

"Minha situação era complicada."

"Eu não tinha condições."

"Passei anos tentando organizar minha vida."

Rafael observava em silêncio.

Márcio continuou.

"Mas agora tudo mudou."

"Consegui emprego."

"Aluguei uma casa."

"Tenho condições de cuidar da minha sobrinha."

As palavras pareciam ensaiadas.

Bem decoradas.

Mas faltava algo.

Verdade.

Helena fez mais perguntas.

E Márcio sempre tinha respostas.

Boas respostas.

Respostas perfeitas demais.

Dona Célia assistia tudo em silêncio.

Satisfeita.

Porque o plano estava funcionando.

Do lado de fora da sala, Lívia permanecia sentada.

Abraçada ao violino.

Ela não conseguia respirar direito.

As lembranças voltavam como uma tempestade.

Márcio.

O homem que desapareceu.

O homem que a abandonou.

O homem que dizia ser família.

Mas nunca agiu como uma.

Após a morte dos pais, ela tinha ido morar com ele.

Por pouco tempo.

Pouquíssimo.

No início ele parecia gentil.

Comprou refrigerante.

Prometeu cuidar dela.

Disse que tudo ficaria bem.

Mas aquilo durou apenas algumas semanas.

Logo começaram os problemas.

As reclamações.

Os gritos.

As caras feias.

A impaciência.

Até que um dia ele perdeu completamente o interesse.

Lívia lembrava daquela manhã.

Sentada em uma cadeira de plástico.

Num prédio público.

Enquanto Márcio assinava documentos.

Depois se levantava.

E ia embora.

Sem olhar para trás.

Sem dizer adeus.

Sem prometer voltar.

Nada.

Naquele dia, ela entendeu algo terrível.

Nem todo parente é família.

Uma lágrima escorreu pelo rosto de Lívia.

Ela a limpou rapidamente.

Mas a lembrança mais dolorosa ainda estava por vir.

A última conversa com Márcio.

Pouco antes de deixá-la no sistema de acolhimento.

Ela tinha perguntado:

"Você vai me visitar?"

Márcio nem levantou os olhos.

"Não sei."

"Mas eu vou sentir sua falta."

Ele respondeu algo que nunca saiu da cabeça dela.

"Não complica as coisas."

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Depois se inclinou.

E falou em voz baixa:

"Se você ficar chorando ou reclamando, ninguém nunca vai querer você."

Lívia nunca esqueceu.

Nunca.

Porque crianças acreditam nos adultos.

Especialmente quando estão sofrendo.

Naquele mesmo dia, após a reunião, Rafael conseguiu conversar com Lívia sozinho.

Eles estavam no jardim da instituição.

Sentados em um banco.

O violino repousava ao lado.

"O que você acha dele?"

A pergunta saiu cuidadosamente.

Lívia demorou para responder.

Muito.

"Ele é meu tio."

"Eu sei."

"Mas o que você sente?"

Ela olhou para os sapatos.

Como fazia sempre que estava assustada.

"Nada."

Mentira.

Rafael reconheceu imediatamente.

"Você tem medo dele?"

Lívia congelou.

A pergunta acertou o alvo.

Mas ela não respondeu.

Porque a voz de Márcio continuava viva dentro da cabeça dela.

"Se você falar, ninguém nunca mais vai querer você."

Então apenas balançou a cabeça.

Nem sim.

Nem não.

E isso preocupou Rafael ainda mais.

Naquela noite, Rafael ligou para seu advogado.

Henrique Tavares.

Um dos melhores especialistas em direito de família de São Paulo.

"Preciso que investigue alguém."

"Nome?"

"Márcio Santos."

Henrique percebeu imediatamente o tom da voz.

"Problema sério?"

"Talvez."

"Quanto tempo eu tenho?"

"Ontem."

Os dias seguintes se transformaram em uma corrida silenciosa.

Enquanto Márcio aparecia diante dos assistentes sociais como um tio dedicado...

Rafael investigava.

E quanto mais investigava...

Pior ficava.

Henrique chegou ao escritório carregando uma pasta grossa.

Nada bom costumava vir em pastas grossas.

"Encontrei muita coisa."

Rafael permaneceu em silêncio.

O advogado abriu os documentos.

"Márcio Santos tem dívidas."

"Muitas."

"Cartões."

"Empréstimos."

"Agiotas."

O rosto de Rafael endureceu.

Henrique continuou.

"Também encontrei registros de apostas."

"Cassinos clandestinos."

"Bancas ilegais."

"Sites de jogos."

Nada daquilo surpreendeu Rafael.

Mas o pior ainda estava por vir.

Henrique retirou outro documento.

"Duas semanas após a morte dos pais da Lívia, houve uma indenização do seguro."

Rafael levantou a cabeça.

"Quanto?"

"Cento e oitenta mil reais."

Silêncio.

"O dinheiro deveria ser destinado à menina."

"Onde está?"

Henrique soltou a resposta lentamente.

"Foi retirado por Márcio."

O sangue de Rafael gelou.

"O quê?"

"O valor desapareceu."

"Não existe prestação de contas."

"Não existe aplicação."

"Não existe fundo."

"Nada."

Rafael fechou os punhos.

A raiva crescia.

Porque aquele homem não apenas abandonara a sobrinha.

Também roubara o que era dela.

Enquanto isso, Márcio intensificava suas visitas.

Agora aparecia na escola.

Levava salgadinhos.

Refrigerantes.

Tentava parecer afetuoso.

Tentava parecer próximo.

Tentava parecer família.

Os professores observavam desconfiados.

Mas oficialmente ele era parente.

E isso complicava tudo.

Lívia ficava cada vez mais retraída.

Cada vez mais silenciosa.

Cada vez mais assustada.

Rafael percebia.

Mas não conseguia protegê-la completamente.

Ainda não.

Uma tarde, Márcio encontrou Lívia sozinha no pátio.

A menina tentou ir embora.

Mas ele segurou seu braço.

Não forte o suficiente para deixar marcas.

Mas forte o suficiente para assustar.

"Escuta aqui."

A voz saiu baixa.

Perigosa.

"Você vai dizer para todo mundo que quer morar comigo."

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Lívia empalideceu.

"Não."

Márcio apertou um pouco mais.

"Vai sim."

"Eu não quero."

Os olhos dele escureceram.

Então aproximou o rosto.

"Se você falar alguma coisa contra mim..."

A menina sentiu o coração parar.

Porque conhecia aquele tom.

Conhecia muito bem.

"Se você falar..."

Márcio sorriu.

"...ninguém nunca mais vai querer você."

As mesmas palavras.

Outra vez.

A mesma ameaça.

O mesmo medo.

Naquela noite, Lívia não conseguiu dormir.

Abraçou o violino.

Tentando encontrar coragem.

Mas o medo parecia maior.

Porque agora ela tinha algo a perder.

Antes de Rafael aparecer, ficar sozinha era apenas sua realidade.

Agora era seu pesadelo.

Na manhã seguinte, Rafael recebeu os documentos finais da investigação.

Tudo estava pronto.

Tudo.

Henrique entrou em sua sala.

"Temos o suficiente."

"Para quê?"

"Para destruir qualquer pedido de guarda dele."

Rafael respirou fundo.

Pela primeira vez em dias sentiu esperança.

Mas o alívio durou pouco.

Muito pouco.

Porque exatamente naquele momento seu celular tocou.

Era Clara Azevedo.

A diretora da escola.

A voz dela estava desesperada.

"Senhor Rafael!"

Ele se levantou imediatamente.

"O que aconteceu?"

"É a Lívia!"

O coração dele disparou.

"O que aconteceu com ela?"

Clara respirava com dificuldade.

Quase chorando.

"Márcio apareceu aqui."

Rafael correu para a porta.

"Ela está bem?"

Mas Clara respondeu algo que fez o mundo desaparecer.

"Ele a levou."

Menos de quinze minutos antes...

O sinal havia tocado.

As crianças saíam da escola.

Pais aguardavam no portão.

Lívia procurava Rafael.

Como fazia todos os dias.

Mas ele ainda não tinha chegado.

Então viu Márcio.

Parado do outro lado da rua.

Sorrindo.

O pânico tomou conta dela imediatamente.

"Vamos."

Ele segurou seu braço.

"Me solta."

"Agora."

"Eu não quero ir."

As outras pessoas estavam distraídas.

Ninguém entendia o que acontecia.

Márcio puxou com mais força.

"Anda."

Lívia começou a chorar.

"Não!"

"Socorro!"

Mas ele continuou.

Arrastando-a.

Atravessando a rua.

A menina se debateu.

Tentou escapar.

Tentou correr.

Então gritou o único nome que lhe veio à cabeça.

O único nome que significava segurança.

O único nome que significava casa.

"RAFAEL!"

Quando Rafael chegou à escola...

Seu carro ainda nem havia parado completamente.

Ele saltou antes mesmo do motorista abrir a porta.

Correu até o portão.

"CLARA!"

A diretora estava chorando.

As professoras também pareciam desesperadas.

"Onde ela está?"

Ninguém sabia.

Ninguém.

Rafael sentiu o sangue desaparecer do rosto.

Então percebeu algo no chão.

Perto do meio-fio.

Algo pequeno.

Amarelo.

Familiar.

Ele caminhou lentamente.

Abaixou-se.

E pegou o objeto.

Era a faixa amarela que Lívia usava no cabelo.

A mesma da formatura.

A mesma que ela dizia dar sorte.

Rafael fechou os dedos ao redor do tecido.

Os olhos ficaram vermelhos.

Perigosamente vermelhos.

E naquele instante ele fez uma promessa silenciosa.

Não para Dra. Helena.

Não para a Justiça.

Não para si mesmo.

Mas para aquela menina.

"Eu vou encontrar você."

Enquanto isso...

Em algum lugar da periferia de São Paulo...

Lívia estava sentada dentro de um carro velho.

As lágrimas escorriam sem parar.

E Márcio acabava de receber uma mensagem.

Uma única mensagem.

De um número desconhecido.

"Traga a menina. O pagamento está pronto."

Márcio sorriu.

E Lívia sentiu um medo que nunca havia sentido antes.

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