localização atual: Novela Mágica Moderno O Pai de Mentira da Menina Esquecida Capítulo 6

《O Pai de Mentira da Menina Esquecida》Capítulo 6

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Rafael Monteiro saiu da sala de Dra. Helena Prado sem conseguir respirar direito.

A palavra continuava ecoando dentro dele.

Família.

Não visita.

Não favor.

Não pena.

Família.

Dentro do elevador espelhado do prédio público, ele encarou o próprio reflexo.

O homem diante dele parecia o mesmo de sempre.

Terno caro.

Postura firme.

Rosto controlado.

Mas por dentro, Rafael estava desmoronando.

Porque família era uma palavra perigosa.

Família significava amor.

E amor significava risco.

Ele já havia amado uma filha com tudo o que tinha.

E a perdeu.

Agora a vida parecia empurrar outra criança para dentro do espaço mais sensível de seu coração.

Lívia.

Com seus sapatos gastos.

Seu sorriso tímido.

Seu medo de incomodar.

Sua pergunta impossível.

"Se um dia você não quiser mais vir, pode me avisar antes?"

Rafael fechou os olhos.

Como alguém tão pequena podia carregar tanto abandono?

Naquela tarde, Dra. Helena havia sido clara.

Muito clara.

Sentada diante dele, com a pasta de Lívia aberta sobre a mesa, ela não tratou Rafael como bilionário.

Tratou-o como adulto responsável por uma criança vulnerável.

"Senhor Rafael, eu preciso ser direta."

"Seja."

"Lívia se apegou ao senhor."

Rafael ficou em silêncio.

Helena continuou.

"Ela fala do senhor na escola."

"Ela espera suas mensagens."

"Ela guarda os presentes como se fossem tesouros."

"Ela começou a imaginar futuro."

A última frase o atingiu.

Futuro.

Para uma criança como Lívia, futuro era quase um luxo.

"Isso é ruim?"

"Não."

Helena cruzou as mãos sobre a mesa.

"Mas é sério."

Rafael sustentou o olhar dela.

"Explique."

"Uma criança que já passou por tantas perdas não se apega de forma leve."

"Quando ela confia em alguém, entrega o pouco que ainda tem."

A assistente social fez uma pausa.

"Se o senhor aparecer por alguns meses e depois desaparecer, isso não será apenas uma decepção."

"Será mais uma ruptura."

Rafael sentiu o peito apertar.

"Eu nunca quis machucá-la."

"Eu acredito."

"Mas intenção não basta."

A frase doeu.

Porque era verdade.

Helena respirou fundo.

"Eu não estou dizendo que o senhor precisa decidir hoje."

"Mas precisa entender o tamanho do que está acontecendo."

"Para Lívia, o senhor deixou de ser o homem que foi à formatura."

"Ela já está olhando para o senhor como alguém que pode ficar."

Rafael não respondeu.

Porque a verdade era que ele também já olhava para ela de outro jeito.

E isso o assustava.

Muito.

Quando chegou à Mansão Monteiro, o fim de tarde já escurecia São Paulo.

A casa era enorme.

Impecável.

Silenciosa.

Fria.

Os empregados se moviam com cuidado pelos corredores.

Ninguém fazia barulho ali.

Ninguém ria alto.

Ninguém corria.

A mansão parecia rica demais para parecer viva.

Rafael entrou sem cumprimentar quase ninguém.

Subiu as escadas.

Passou pelo corredor principal.

E parou diante de uma porta branca.

A porta que ele evitava havia cinco anos.

O quarto de Bianca.

A mão dele ficou imóvel sobre a maçaneta.

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Durante anos, aquele cômodo permaneceu fechado.

Limpo apenas por uma funcionária antiga, Dona Marta, que recebia ordens para não mexer em nada.

Nada.

Cada livro.

Cada brinquedo.

Cada fita de cabelo.

Tudo deveria ficar exatamente como estava no dia em que Bianca foi internada pela última vez.

Como se preservar o quarto pudesse impedir o tempo de passar.

Como se manter tudo intacto provasse que ele ainda amava a filha.

Rafael girou a maçaneta.

A porta abriu com um leve rangido.

E o passado respirou sobre ele.

O cheiro era fraco.

Quase apagado.

Mas ainda existia.

Lavanda.

Talco infantil.

Papel antigo.

O quarto estava organizado demais.

A cama arrumada.

As prateleiras cheias de livros.

Bonecas alinhadas.

Um coelho de pelúcia sobre o travesseiro.

Na parede, desenhos coloridos presos com fita.

Havia um sol sorrindo.

Uma casa.

Um homem de terno.

Uma mulher de vestido azul.

E uma menina entre os dois.

Embaixo do desenho, Bianca havia escrito com letras tortas:

"Minha família."

Rafael levou a mão à boca.

A dor veio inteira.

Não menor.

Não mais fraca.

Apenas escondida por tempo demais.

Ele caminhou até a cama e sentou-se devagar.

O colchão afundou levemente.

Como se o quarto ainda lembrasse de alguém.

Sobre a escrivaninha, havia um pequeno estojo musical.

Rafael abriu.

Dentro, uma miniatura de violino.

Bianca havia ganhado dias antes de piorar.

Ela nunca tocou o instrumento de verdade.

Mas falava dele como se já fosse uma grande artista.

"Papai, quando eu melhorar, eu vou tocar para você."

A lembrança quase o derrubou.

Rafael segurou o estojo contra o peito.

E chorou.

Chorou como não chorava desde o enterro.

Sem controle.

Sem elegância.

Sem a máscara do homem poderoso.

Naquele quarto, ele não era dono de grupo empresarial.

Não era bilionário.

Não era homem temido.

Era apenas um pai que perdeu a filha.

E que passou cinco anos confundindo dor com amor.

Porque no fundo acreditava que, se parasse de sofrer, estaria traindo Bianca.

Mas olhando para aquele quarto congelado, Rafael finalmente entendeu.

A dor não mantinha Bianca viva.

Só mantinha ele morto.

Horas depois, já era noite quando Rafael saiu do quarto.

Dona Marta estava no corredor.

Mulher simples.

Cabelos grisalhos.

Trabalhava na mansão desde antes de Bianca nascer.

Ela viu os olhos vermelhos de Rafael.

Mas não perguntou nada.

Apenas disse com cuidado:

"Ela gostava quando a casa tinha barulho, seu Rafael."

Ele parou.

Dona Marta continuou:

"Dona Bianca vivia dizendo que casa quieta demais dava tristeza."

Rafael engoliu seco.

"Eu não sei se consigo ser pai de novo."

Dona Marta se aproximou.

"Pai de verdade também tem medo."

Ele olhou para ela.

"E se eu falhar?"

"Então pede perdão e tenta de novo."

A simplicidade da resposta o atingiu.

Porque ele havia passado anos achando que amor exigia perfeição.

Mas talvez amor exigisse presença.

Na manhã seguinte, Rafael foi à escola.

Mais cedo do que o habitual.

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Lívia ainda não tinha entrado na sala.

Estava sentada em um banco do pátio.

Com a mochila no colo.

E o violino ao lado.

A caixa estava fechada.

Bem fechada.

Como se ela tivesse preparado uma despedida.

Quando viu Rafael, ficou de pé imediatamente.

Seu rosto ficou pálido.

"Oi."

"Oi."

A voz dela tremia.

Rafael percebeu o medo.

"Você está bem?"

Lívia assentiu.

"Estou."

Mentira.

Sempre a mesma mentira.

Ele olhou para a caixa do violino.

"Você ia tocar hoje?"

"Não."

"Então por que trouxe?"

Ela baixou os olhos.

"Para devolver."

Rafael sentiu como se algo o atravessasse.

"Devolver?"

Ela empurrou a caixa na direção dele.

Com as duas mãos.

Como se aquilo doesse.

"Muito obrigada."

"Eu cuidei bem."

"Não quebrou."

"Pode vender, se quiser."

Rafael ficou imóvel.

"Lívia, por que você está fazendo isso?"

Ela apertou os lábios.

Tentando ser forte.

Mas a voz saiu pequena.

"Eu entendo se você cansou de mim."

Silêncio.

As palavras atingiram Rafael com violência.

A menina continuou.

"Dona Célia disse que homem rico não fica."

"Que você ia perceber que eu dou trabalho."

"Que eu não sou sua filha."

Os olhos dela finalmente encheram de lágrimas.

"Eu não quero atrapalhar sua vida."

Rafael se ajoelhou imediatamente diante dela.

Ali mesmo.

No pátio da escola.

Sem se importar com professores olhando.

Sem se importar com alunos cochichando.

Ele segurou suavemente as mãos pequenas de Lívia.

"Lívia, olha para mim."

Ela demorou.

Mas olhou.

"Eu não cansei."

A voz dele saiu firme.

"Eu não vou embora porque você sente medo."

"Eu não vou embora porque alguém disse que você não merece."

"Eu não vou embora porque sua história é difícil."

As lágrimas escorreram pelo rosto da menina.

Rafael respirou fundo.

E disse a frase que mudaria tudo:

"Eu quero ficar."

Lívia piscou.

Como se não tivesse entendido.

"Ficar?"

"Ficar."

"Por quanto tempo?"

Rafael apertou as mãos dela com cuidado.

"Pelo tempo que você me deixar."

A menina começou a chorar de verdade.

Não um choro silencioso.

Mas um choro cansado.

De quem segurou esperança por tempo demais.

"Você não está falando só para eu parar de chorar?"

"Não."

"Promete?"

Rafael sentiu a garganta fechar.

Promessas eram perigosas.

Mas algumas precisavam ser feitas.

"Prometo."

Naquela tarde, Rafael marcou nova reunião com Dra. Helena Prado.

Chegou ao prédio com uma decisão tomada.

Não uma decisão impulsiva.

Não uma decisão movida por culpa.

Uma decisão nascida de medo, dor, amor e verdade.

Helena o recebeu com atenção.

"Senhor Rafael."

"Doutora."

Ele sentou.

Mas não esperou perguntas.

"Eu pensei no que a senhora disse."

Helena permaneceu em silêncio.

"Eu fui ao quarto da minha filha."

A assistente social notou a mudança na voz dele.

"Bianca."

"Sim."

Rafael respirou fundo.

"Durante cinco anos achei que continuar sofrendo era a única forma de continuar amando."

"Mas eu estava errado."

Helena escutava sem interromper.

"Lívia não substitui minha filha."

"Ninguém substitui."

"Mas Lívia existe."

"Ela está viva."

"Está com medo."

"Está sozinha."

"E eu não consigo mais fingir que posso apenas visitar e ir embora."

Helena inclinou a cabeça.

"Está dizendo o quê, senhor Rafael?"

Ele sustentou o olhar dela.

Pela primeira vez sem fugir.

"Estou dizendo que quero iniciar o processo de adoção de Lívia Santos."

A sala ficou em silêncio.

Helena não sorriu imediatamente.

Era profissional demais para comemorar antes da hora.

Mas seus olhos suavizaram.

"O senhor entende o que isso significa?"

"Entendo."

"Investigação."

"Entendo."

"Avaliação psicológica."

"Entendo."

"Visitas técnicas."

"Entendo."

"Exposição pública."

"Entendo."

"Possível oposição da família biológica, se existir."

Rafael respirou fundo.

"Eu enfrento."

Helena pegou uma caneta.

"Então vamos começar registrando formalmente sua intenção."

Ela abriu a pasta de Lívia.

Mas antes que escrevesse qualquer coisa...

A porta da sala foi aberta com força.

Rafael se virou.

Dona Célia entrou.

O rosto duro.

O sorriso falso desaparecido.

Ao lado dela estava um homem desconhecido.

Barba por fazer.

Camisa amassada.

Olhar nervoso.

Lívia, que estava na cadeira do corredor, viu o homem pela fresta da porta.

E seu rosto perdeu toda a cor.

Dona Célia ergueu o queixo.

"Não precisa registrar nada."

Helena franziu a testa.

"Senhora Célia, isso é uma reunião privada."

"Não mais."

A mulher apontou para o homem ao lado.

"Esse aqui é Márcio Santos."

Rafael ficou alerta.

Dona Célia sorriu.

Desta vez com veneno.

"E a Lívia já tem família."

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