localização atual: Novela Mágica Moderno O Pai de Mentira da Menina Esquecida Capítulo 5

《O Pai de Mentira da Menina Esquecida》Capítulo 5

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Lívia ficou parada no corredor escuro.

O envelope tremia entre seus dedos.

Seu nome estava escrito na frente.

"Lívia Santos."

A caligrafia parecia antiga.

Desgastada pelo tempo.

Ela olhou para os lados.

A casa estava silenciosa.

As outras crianças dormiam.

Dona Célia estava no quarto.

Por um instante, pensou em abrir.

Mas ouviu passos se aproximando.

Rapidamente escondeu o envelope dentro da mochila.

Segundos depois, Dona Célia apareceu.

"O que você está fazendo acordada?"

"Nada."

A mulher estreitou os olhos.

Desconfiada.

Mas não viu nada.

"Vai dormir."

Lívia assentiu.

E voltou para o quarto.

Sem imaginar que aquele envelope mudaria sua vida.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, Marina Monteiro observava a fotografia de Bianca.

Era madrugada.

Mas ela continuava acordada.

Sentada sozinha em um apartamento de luxo que nunca conseguiu transformar em lar.

As palavras de Rafael não saíam de sua cabeça.

"Talvez a Bianca tenha me ensinado a não abandonar uma criança."

Marina fechou os olhos.

Tentando controlar a dor.

Mas a dor nunca obedecia.

Cinco anos haviam passado.

Cinco anos.

E mesmo assim ainda parecia ontem.

Ela ainda lembrava da mão pequena de Bianca.

Da voz.

Do sorriso.

Do cheiro do shampoo infantil.

De tudo.

Porque mães não esquecem.

Nunca.

E justamente por isso ela não conseguia aceitar o que Rafael estava fazendo.

Em sua mente, aquela menina representava uma ameaça.

Não porque fosse má.

Mas porque ocupava um espaço que deveria pertencer apenas a Bianca.

Um espaço sagrado.

Intocável.

Marina levantou-se.

Pegou a bolsa.

E tomou uma decisão.

Precisava conhecer Lívia.

Dois dias depois.

Lívia estava sentada na biblioteca da escola durante o recreio.

Lendo um dos livros que Rafael havia comprado.

Era um dos poucos lugares onde se sentia segura.

Os livros não abandonavam ninguém.

Não mentiam.

Não faziam promessas que não podiam cumprir.

Foi então que ouviu uma voz suave.

"Você é a Lívia?"

Ela levantou os olhos.

Uma mulher elegante estava diante dela.

Bonita.

Bem vestida.

Perfume caro.

Mas havia tristeza em seu olhar.

Muita tristeza.

"Sou."

Marina sorriu.

"Posso sentar?"

Lívia assentiu.

A mulher acomodou-se à sua frente.

Por alguns segundos apenas observou a menina.

Em silêncio.

E aquilo deixou Lívia desconfortável.

"Você conhece o Rafael?"

A pergunta veio de repente.

Lívia sorriu sem perceber.

"Conheço."

O brilho em seus olhos não passou despercebido.

Marina sentiu algo apertar dentro do peito.

A mesma sensação que experimentara ao ouvir falar daquela garota pela primeira vez.

Medo.

"Eu sou Marina."

"Lívia."

"Eu sei."

A menina inclinou a cabeça.

Confusa.

Então Marina disse:

"Eu fui casada com ele."

O sorriso desapareceu.

Imediatamente.

Lívia ficou sem saber o que responder.

Marina respirou fundo.

E decidiu ir direto ao assunto.

"Você gosta dele, não gosta?"

Lívia demorou.

Mas respondeu.

"Sim."

Marina assentiu.

Como alguém que já sabia.

Então falou as palavras que mudariam tudo.

"Ele perdeu uma filha."

Lívia ficou imóvel.

"Uma filha?"

"Sim."

A voz de Marina tremeu.

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"Ela se chamava Bianca."

Silêncio.

A mulher continuou.

"Ela tinha quase a sua idade."

O coração de Lívia acelerou.

Agora entendia algumas coisas.

Os momentos em que Rafael ficava triste.

As pausas inesperadas.

Os olhares distantes.

O carinho excessivo.

Marina olhou diretamente para ela.

E então disse:

"Você não é filha dele."

A frase atravessou Lívia como uma faca.

"Eu sei."

A resposta saiu pequena.

Marina apertou os lábios.

"Então não confunda as coisas."

A menina baixou os olhos.

Sentindo as lágrimas chegarem.

Mas não chorou.

Jamais chorava na frente de estranhos.

"Ele está sofrendo."

"Ele sente falta dela."

"Você entende?"

Lívia assentiu.

Porque entendia.

Mais do que Marina imaginava.

Ela também sentia falta dos pais.

Todos os dias.

"Eu só não quero que ninguém saia machucado."

Marina levantou-se.

Ajustou a bolsa.

E antes de partir acrescentou:

"Bianca era a única filha dele."

Depois foi embora.

Deixando um vazio enorme atrás de si.

Naquela tarde, Rafael apareceu na escola como sempre.

Mas algo estava errado.

Muito errado.

Lívia não estava esperando no portão.

Não correu até ele.

Não sorriu.

Não perguntou para onde iriam.

Nada.

Ela simplesmente saiu andando.

Tentando evitá-lo.

Rafael franziu a testa.

"Lívia."

A menina parou.

Mas não virou.

"Oi."

"Está tudo bem?"

"Está."

Mentira.

A resposta veio rápido demais.

Ele percebeu imediatamente.

"Tem certeza?"

"Tenho."

"Você quer sair para tomar sorvete?"

"Não."

"Quer ir à livraria?"

"Não."

"Quer conversar?"

"Não."

O coração de Rafael apertou.

Aquilo não fazia sentido.

No dia anterior ela havia mandado fotos do livro novo.

Agora parecia outra pessoa.

"Eu fiz alguma coisa?"

Lívia finalmente olhou para ele.

Os olhos brilhavam.

Mas ela sorriu.

Um sorriso falso.

Daqueles que crianças aprendem para esconder dor.

"Não."

Então foi embora.

Os dias seguintes foram piores.

As mensagens deixaram de ser respondidas.

Os áudios ficavam sem retorno.

Os desenhos que ela costumava mandar desapareceram.

Quando Rafael aparecia na escola, ela encontrava alguma desculpa.

Sempre uma desculpa.

"Tenho dever."

"Tenho aula."

"Tenho compromisso."

Nada fazia sentido.

Até que ele decidiu procurar Clara Azevedo.

A diretora ouviu tudo em silêncio.

Depois cruzou os braços.

"Ela recebeu uma visita."

Rafael sentiu o estômago gelar.

"Quem?"

Clara hesitou.

Mas respondeu.

"Marina."

O nome caiu como uma bomba.

Naquela noite.

Pela primeira vez em anos.

Rafael perdeu o controle.

Marina estava em seu apartamento quando ele chegou.

A discussão começou imediatamente.

"Você foi falar com ela?"

Marina não tentou negar.

"Fui."

"Por quê?"

"Porque alguém precisava dizer a verdade."

A raiva explodiu.

"Que verdade?"

"Que ela não é nossa filha!"

O silêncio seguinte foi brutal.

Marina continuou.

As lágrimas já escorriam.

"Você não percebe?"

"Você está tentando preencher um vazio."

"Está tentando substituir Bianca."

Rafael fechou os punhos.

"Chega."

Mas Marina não parou.

"Ela não é Bianca."

"Ela nunca será Bianca."

Foi então que Rafael explodiu.

Pela primeira vez em cinco anos.

Pela primeira vez desde o funeral.

"EU SEI!"

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A voz ecoou pelo apartamento.

Marina congelou.

Porque nunca o via gritar.

Nunca.

Rafael respirava com dificuldade.

Os olhos vermelhos.

Cheios de dor.

Cheios de culpa.

Cheios de tudo que havia guardado durante anos.

"Ninguém está tentando substituir Bianca."

"Você acha que eu consigo esquecer nossa filha?"

A voz quebrou.

"Você acha que passa um único dia sem que eu pense nela?"

Marina começou a chorar.

Mas Rafael continuou.

"Eu não estou tentando esquecê-la."

"Estou tentando sobreviver."

Silêncio.

"Porque eu cansei de viver como um morto."

As palavras atingiram Marina com força.

Porque eram verdade.

Durante cinco anos, Rafael não viveu.

Apenas existiu.

Enquanto isso, Dona Célia observava tudo acontecer com satisfação.

Quanto mais distante Lívia ficasse de Rafael, melhor.

Mas havia um problema.

Ele não desistia.

Continuava aparecendo.

Continuava investigando.

Continuava fazendo perguntas.

Então ela decidiu agir.

Pegou o telefone.

E fez uma denúncia formal.

Não contra ela.

Contra Rafael.

A acusação era simples.

Um homem solteiro.

Bilionário.

Frequentando constantemente uma menina de abrigo.

Segundo Dona Célia, aquilo era suspeito.

Muito suspeito.

Ela apresentou relatos.

Inventou preocupações.

Exagerou situações.

E conseguiu exatamente o que queria.

Atenção oficial.

Uma semana depois.

Rafael recebeu uma ligação inesperada.

A voz era séria.

Profissional.

"Senhor Rafael Monteiro?"

"Sim."

"Aqui é Helena Prado."

"Assistente social do Serviço de Proteção à Criança."

Rafael imediatamente ficou alerta.

"O que aconteceu com a Lívia?"

"Gostaria de conversar pessoalmente."

No dia seguinte.

Dra. Helena Prado estava sentada diante dele.

Mulher experiente.

Olhar firme.

Sem intimidação diante de riqueza.

Ela abriu uma pasta.

Com vários documentos.

"Recebemos uma denúncia."

Rafael permaneceu calmo.

"De quem?"

"Isso não importa."

Claro que importava.

Mas ele não insistiu.

A assistente social continuou.

"Seu envolvimento com Lívia Santos chama atenção."

"Porque eu me importo com ela?"

"Porque a situação precisa ser definida."

Rafael franziu a testa.

"Definida como?"

Helena fechou a pasta.

E então pronunciou as palavras que mudariam tudo.

"Se o senhor quiser continuar na vida da Lívia..."

Ela sustentou seu olhar.

Sem piscar.

Sem suavizar.

"...precisa decidir se isso é visita..."

Uma pausa.

Pesada.

Perigosa.

Ou família."

Rafael ficou imóvel.

Porque pela primeira vez alguém colocava em voz alta a pergunta que ele vinha evitando havia semanas.

E naquele instante...

Ele percebeu que talvez já soubesse a resposta.

Mas ainda tinha medo de admiti-la.

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