Capítulo 040: Convidados Presentes
Já afastada, Sheila olhava para trás de vez em quando. — O que foi? — perguntou Pérola.
Sheila coçou a cabeça: — Pérola, não sei se é impressão minha, mas sinto que a Tina está meio estranha hoje.
Pérola, que não era íntima de Tina, lembrou-se do encontro no shopping. Realmente, ela já parecia estranha desde aquela época.
— Você é muito próxima dela? — perguntou Pérola.
— Sim, fomos colegas no ensino médio e frequentamos o mesmo círculo social. Mas não sou tão próxima dela quanto sou de você — Sheila deu uma risadinha boba. Pérola sentiu-se aliviada ao saber que a amizade delas não era tão profunda.
— Esquece ela. Pérola, você sabe se o Thiago vem hoje?
Os passos de Pérola hesitaram por um milésimo de segundo. — Não sei.
Ela pensou que, se Sheila não sabia, talvez Ricardo também não soubesse. Ou talvez Thiago nem tivesse voltado para a cidade. Subitamente, uma onda de desapontamento espalhou-se por seu coração.
Sheila, caminhando um pouco à frente, não notou a mudança na expressão da amiga. — Achei que você saberia. Perguntei ao meu primo no caminho e ele disse que não sabia de nada... enfim, ele não sabe de nada.
— Entendo — respondeu Pérola, o tom de voz neutro.
— Bom, a sede da Interlúdio é aqui em São Paulo, uma hora ou outra ele aparece — continuou Sheila. Ela estava ansiosa para ver com os próprios olhos o que Thiago tinha de tão especial para atrair a atenção de Pérola.
— Vamos falar de negócios — Sheila diminuiu o passo. — Concluí a data do desfile há dois dias. E ontem, aquela tia do Bruno (方允銘), a noiva do seu tio, também marcou o desfile dela. E adivinha? No mesmo dia que o nosso!
Pérola arqueou a sobrancelha. Ela mesma havia feito com que a informação vazasse. Como esperado, Fabiana (方雅) mordera a isca, querendo usar Sheila como degrau para subir.
— E não é só isso: ouvi dizer que ela escolheu o mesmo local que nós! — Sheila estava indignada. Ela guardara a raiva para não estragar o humor de Pérola antes, mas agora explodira. — Pérola, qual a intenção dessa mulher? Ela quer me humilhar publicamente e subir nas minhas costas?
Pérola sorriu suavemente: — Está com medo de perder o brilho para ela?
— Jamais! — rebateu Sheila instantaneamente. — Antes eu teria medo, mas agora, com aqueles esboços que você me deu... aquilo é nível de mestre. É mais do que suficiente para esmagar a Fabiana. Só me irrita a coincidência forçada!
— Bom, independentemente de ser proposital ou não, ter uma comparação não ajuda a destacar quem é melhor? — sugeriu Pérola.
Sheila pensou bem e sua raiva dissipou-se. Ela tinha confiança total nas obras que Pérola lhe entregara. Se Fabiana queria competição, ela teria uma derrota humilhante.
— Pérola, tive uma ideia. Um colega me contou que o departamento de design da empresa dele vai realizar um concurso de moda com apoio governamental. Quero inscrever uma das suas obras. O processo todo leva menos de duas semanas, o que significa que o resultado sai antes do nosso desfile.
Pérola ficou surpresa. Ela mesma pensara nisso, mas achara que não haveria tempo hábil.
— Você quem decide — concordou Pérola.
Sheila ficou radiante: — Pode deixar, vou trazer o primeiro lugar para você!
As duas visitaram a antiga professora e, após uma conversa nostálgica, seguiram para o auditório. Sentaram-se na ala dos convidados, separadas dos professores e alunos atuais. Pérola sentou-se entre Sheila e Bruno.
Na primeira fila, ela viu seus pais, Cecília e o marido, e acenou. Arthur estava sentado com sua respectiva turma.
A cerimônia de abertura começou com o discurso do reitor. Pérola percorreu a ala dos convidados com o olhar, procurando aquela silhueta familiar, mas não a encontrou.
Sua busca silenciosa foi notada por Bruno, que perguntou: — Pérola, está procurando por alguém?