Capítulo 037: O Colega Thiago
Arthur tossiu levemente para disfarçar o embaraço: — Percebi que alguns tios e veteranos na empresa estão agindo de forma estranha. Ainda não investiguei os detalhes, mas achei melhor te avisar. Irmã, por que sinto que você já sabe de tudo?
Pérola apenas sorriu, sem explicar. Zeca passara doze anos preparando seu golpe, comprando pessoas influentes na Paes Corp.
Pérola não pretendia erradicar todos de uma vez para não desestabilizar a empresa e sobrecarregar seu pai.
Ela planejava usar essas pessoas, assim como fez na vida passada, pois o que lhes faltava era apenas um choque de autoridade.
— Vou te mandar um arquivo. Fique de olho neles ao lado do papai, mas não seja direto. Apenas dê alertas sutis para que ele mesmo perceba — instruiu ela. Arthur assentiu, decidindo não fazer mais perguntas.
Logo, chegaram ao Colégio São Paulo.
O clima era de celebração, com faixas por toda parte e uma multidão de autoridades e ex-alunos.
O carro da família Paes seguiu pelo acesso VIP.
— Bom dia, por favor, apresentem o convite ou documento de identificação — solicitou o segurança, batendo no vidro.
Pérola abaixou o vidro e entregou o convite junto ao cartão de estudante de Arthur.
O segurança ficou momentaneamente deslumbrado com a beleza dos irmãos. Como celebridades locais — especialmente Pérola, que já era uma artista reconhecida nacionalmente —, suas fotos estavam sempre nos murais da escola, mas o protocolo devia ser seguido.
— Bem-vinda de volta, Senhorita Paes. Desejo um ótimo evento para a senhora e para o jovem Arthur.
Assim que estacionaram, encontraram conhecidos.
— Pérola! — chamou uma voz doce. Era Tina, uma jovem de rosto redondo e sorriso gentil, acompanhada por dois outros: Henrique, o rival de Thiago que já tentara abordar Pérola antes, e uma mulher elegante de vestido branco, com um ar puro e frágil.
Pérola não a conhecia, mas a mulher sorriu para ela como se fossem íntimas. Henrique, por sua vez, parecia esforçar-se para manter a compostura cavalheiresca, embora seus olhos revelassem desconforto.
Tina aproximou-se entusiasmada: — Pérola, que bom te ver! Eu só vim com o convite do meu pai para tentar a sorte. Achei que uma celebridade como você seria convidada para se apresentar. É quase impossível conseguir ingressos para seus concertos!
— Receio que vá se decepcionar — respondeu Pérola calmamente. — A escola apenas me convidou como ex-aluna, não recebi nenhum pedido de performance.
Henrique aproximou-se então: — Senhorita Paes, nos encontramos de novo.
Pérola notou que ele estava muito mais contido do que no encontro anterior. O motivo parecia ser a mulher ao lado dele, para quem Henrique olhava com evidente admiração.
— Senhorita Paes, ouço muito sobre você — disse a mulher de branco com um sorriso suave. — Me chamo Helena. Sou colega de ensino médio do Henrique. Não tenho grandes conquistas, vim apenas como acompanhante dele.
Ela fez uma pausa e continuou: — Também sou ex-colega de classe do Thiago. Você deve conhecê-lo, certo? Ele era a grande figura da nossa época e hoje é um sucesso em São Paulo. Mesmo que nunca tenham se visto, certamente já ouviu falar dele.
O tom de Helena sugeria uma intimidade especial com Thiago. Ao ouvir isso, o clima mudou instantaneamente. Henrique fechou a cara, Arthur ficou gélido, e os irmãos Zuo, que se aproximavam para cumprimentar Pérola, paralisaram com sorrisos amarelos.
Apenas o sorriso de Pérola tornou-se mais profundo.