Capítulo 034: A Face da Vaidade
Zeca olhou para Fabiana e não a desmentiu. Ele estreitou os olhos para os sobrinhos.
Jamais admitiria que não fora convidado; sua dignidade não permitiria! Era intolerável que Pérola estivesse um degrau acima dele no conceito da elite local.
Pérola notou a mudança sutil nas expressões deles e decidiu cutucar a ferida: — Ah, que pena. Achei que o tio e a tia Fabiana estariam lá para irmos juntos.
Ela continuou com um sorriso inocente: — Meu pai disse que muitos ex-alunos ilustres e influentes estarão lá. Ele até adiou o trabalho para aproveitar o dia e fazer networking, pensando no futuro dos negócios. Eu penso como ele.
Pérola suspirou dramaticamente: — Puxa, comparada ao tio e à tia Fabiana, eu e meu pai somos muito ambiciosos. Vocês são tão virtuosos e desapegados da fama e do proveito... Eu, como artista, ainda não consigo ser assim. Talvez seja por isso que não componho nada satisfatório ultimamente. Preciso aprender com vocês!
Zeca e Fabiana sentiram como se estivessem sendo cutucados em uma ferida aberta. Se tivessem o convite, é claro que iriam! O que eles mais precisavam agora eram conexões. O tom de Pérola, embora parecesse elogioso, soava como uma ostentação insuportável.
Zeca forçou um sorriso gentil: — Não é para tanto, Pérola. Realmente não podemos ir, por mais que queiramos rever nossa alma mater. Mesmo não trabalhando na Paes Corp, conexões novas seriam boas para a família. É uma lástima não podermos ir.
— É uma lástima mesmo — disse Arthur, com um sorriso sarcástico. — Mas tive uma ideia: por que o tio e a tia Fabiana não deixam as tarefas de lado por um momento e vamos todos juntos? Tia, seu ateliê pode esperar um pouco, não?
— E quanto ao tio, seu chefe não seria tão insensível. Talvez ele mesmo tenha sido convidado! Se o tio explicar, ele entenderá. Se precisar, peço para meu pai ligar para o seu patrão pedindo a dispensa; tenho certeza de que ele daria esse crédito à família Paes.
Vendo as faces deles cada vez mais pálidas de raiva, Arthur aumentou o sorriso: — Se estiverem mesmo ocupados, passem lá apenas para dar um "oi" e saiam. Não tomará muito tempo. Tio, tia, o que acham?