Capítulo 033: Involuntariamente
No dia da celebração, Arthur esperava por Pérola para irem juntos à escola. Ele já havia terminado seus exercícios matinais, tomado café, tomado banho e trocado de roupa, mas após vinte minutos de espera no andar de baixo, Pérola ainda não aparecera, o que o deixou intrigado.
Pérola não estava dormindo; Arthur a encontrara na academia mais cedo. Os membros da família Paes tinham o hábito de se exercitar de manhã, mas Arthur andava mais dedicado do que o normal após o choque de ser derrotado pela irmã.
Arthur sabia que a irmã não era de se atrasar. Preocupado que ela pudesse ter escorregado no banheiro — embora improvável com suas habilidades —, ele se preparava para subir quando a viu descer lentamente as escadas.
Ela vestia um vestido longo verde-claro, com algumas flores bordadas de forma delicada e sóbria. Era uma das peças mais discretas de seu guarda-roupa, claramente escolhida para não chamar atenção. Contudo, Arthur percebeu que, por mais que ela tentasse ser discreta, hoje era impossível não notá-la.
O motivo não era apenas seu rosto deslumbrante, mas sim o fato de que Pérola... estava maquiada!
Normalmente, ela usava algo quase imperceptível. Hoje, porém, havia uma sombra leve nos olhos e batom, realçando sua beleza de forma refinada. Ao notar o olhar fixo do irmão, Pérola hesitou no degrau: — Por que me olha assim? Tem algo sujo no meu rosto?
Havia um toque de desconforto em sua voz. Ela queria ser low-profile, mas, inexplicavelmente, passara quase uma hora revirando o closet e, diante do espelho, sentira um impulso repentino de se produzir mais. Ela se perguntava se estava indo para um evento escolar ou para um encontro...
— Nada, é que achei a irmã muito bonita hoje.
Bonita?
Pérola sentiu uma alegria fugaz que mal pôde processar. Ela brincou: — Que conversa é essa? Sua irmã não é bonita todos os dias?
— Com certeza, todos os dias. Mas hoje está excepcional — respondeu Arthur. Ele imaginou que ela se arrumara por respeito aos antigos professores. Jamais passaria pela sua cabeça que Pérola faria isso por algum "alguém" especial.
Pérola sorriu, sentindo o coração aquecido ao ver o irmão tão cheio de vida. — Se não formos agora, vamos perder a cerimônia de abertura.
Ela pegou os presentes que preparara para os professores — lembranças simples, mas carinhosas — e Arthur prontamente se ofereceu para carregá-los. Ao saírem da casa principal, deram de cara com Zeca e Fabiana, que já estavam saindo em seu carro. O veículo parou ao vê-los.
Fabiana colocou a cabeça para fora da janela, com um sorriso entusiasmado: — Pérola, Arthur, estão saindo? Pérola, você tem algum compromisso de trabalho?
Pérola e Arthur sentiram o sorriso murchar. — Não — disse Pérola. — Estamos indo ao Colégio São Paulo.
As expressões de Zeca e Fabiana congelaram. O centenário? Pérola recebera o convite e eles não?
Para uma escola centenária, apenas os ex-alunos de maior prestígio eram convidados.
O fato de Pérola, uma jovem da nova geração, ser convidada enquanto eles eram ignorados feriu profundamente o ego de ambos.
Fabiana forçou um sorriso: — Ah, o centenário? Que bom. Eu e seu tio também recebemos o convite, mas estou muito ocupada com o desfile e seu tio acabou de começar no novo emprego. Seria ruim ele pedir folga agora, então decidimos não ir.