Capítulo 032: De Irmão a Fã Número Um
Na noite seguinte, após o jantar, Arthur olhava para o documento que Pérola lhe entregara, completamente atônito.
— Irmã... o que é isso? Um plano de treinamento?
Ao ler a primeira página, os lábios de Arthur tremeram. Era um cronograma rigoroso de combate e defesa pessoal. O problema não era o plano, mas o fato de que a instrutora seria sua irmã, a "dama refinada" que passara a vida estudando harpa (konghou).
— Você escreveu isso? — perguntou Arthur, incrédulo. — E
você
vai me treinar? Tem certeza?
Pérola sorriu com os olhos: — Por quê? Não confia em mim?
— Não é isso... mas nós aprendemos o básico quando crianças e depois cada um seguiu seu interesse. O seu é música. Eu ainda faço aulas de artes marciais aos fins de semana, mas você parou aos dez anos!
Pérola não gastou saliva. Abriu a porta de sua sala de ensaios e disse: — Vamos testar?
Ao entrarem, Arthur viu a harpa de 180 milhões de reais no centro da sala — o tesouro de Pérola. Geralmente, ela entrava ali e seus olhos se colavam no instrumento. Mas hoje, ela mal olhou para a harpa por dez segundos.
Isso não é normal
, pensou Arthur, preocupado.
Pérola já estava em posição de combate, vestindo roupas esportivas. Ela não tocava na harpa desde que sua família fora destruída na vida passada; o instrumento estava enterrado no fundo de sua alma. Agora, sua prioridade era a proteção deles.
— Tudo bem — suspirou Arthur. — Se você quer brincar, eu acompanho.
Ele avançou com cautela, pretendendo pegar leve para não machucá-la. No entanto, em um movimento que ele nem viu começar, Pérola o imobilizou. A mão fina dela pressionava sua garganta com uma força e precisão letais. Por um segundo, Arthur sentiu um frio na espinha: aquela não era sua irmã, era uma estranha capaz de tirar sua vida em um piscar de olhos.
Quando ela o soltou e disse "você perdeu", Arthur estava ensopado de suor frio.
— Irmã... como você...?
— Arthur, eu pensei em contratar um guarda-costas 24 horas para você, mas percebi que nem o melhor profissional pode estar em todos os lugares. Se você for forte, sua segurança será garantida por você mesmo.
Arthur engoliu em seco. Ele percebeu que a irmã escondia segredos profundos, mas sabia que ela jamais o prejudicaria. Sentiu vergonha por ser "fraco" a ponto de deixá-la tão preocupada.
— Você tem razão. Eu vou treinar duas horas por noite com você.
Ele olhou para a harpa e tentou aliviar o clima: — Já que estamos aqui, poderia tocar algo para mim? Faz tempo que não ouço sua música.
Pérola olhou para o instrumento com uma emoção que Arthur não soube ler, mas logo sorriu: — Querendo fugir do treino no primeiro dia? Nada disso.
Arthur percebeu que, por algum motivo, a música fora deixada de lado. Mas ele jurou para si mesmo que, um dia, faria com que ela voltasse a ser aquela jovem despreocupada que só pensava em arte.
Com o passar dos dias, o choque de Arthur transformou-se em adoração. Pérola não era apenas "boa"; ela era uma mestre absoluta. O olhar dele mudou de "irmão protetor" para "fã fervoroso", com olhos brilhando de orgulho toda vez que ela corrigia sua postura.
Esse garoto é meu irmão ou meu fã-clube?
, pensava Pérola, divertida.
O tempo voou e, em uma semana, chegou o dia do centenário do Colégio São Paulo.